Beirute: explosão foi causada por mesmo produto que seria usado em atentado no DF

Jovem preso por ameaçar massacre na capital no início do ano usaria o nitrato de amônio. No Líbano, substância provocou dezenas de mortes

atualizado 06/08/2020 7:11

Explosão porto Líbano BeiruteHoussam Shbaro/Anadolu Agency via Getty Images

A forte explosão em uma região portuária de Beirute (foto em destaque), no Líbano, na tarde dessa terça-feira (4/8), deixou ao menos 135 mortos e 5 mil feridos. A principal suspeita é que a explosão tenha partido de um armazém que guardava nitrato de amônio, um tipo de fertilizante. A substância é a mesma que seria usada por Henrique Almeida Soares, 19 anos, preso após ameaçar “fazer um massacre” em um show de funk no Setor Comercial Sul, em 29 de fevereiro.

O jovem teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do DF em 1º de março. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) horas antes do crime. Na residência do suspeito, a corporação encontrou bombas e livros com incitação ao ódio, além de máscaras e dinheiro em espécie. A Justiça condenou o rapaz a 3 anos de cadeia.

Foi preciso desarmar a bomba produzida pelo rapaz. Henrique planejava, ainda, explodir um carro-bomba e matar os sobreviventes com arma de fogo. A polícia apreendeu 5 quilos de nitrato de amônio e 1 quilo de nitrato de potássio, que poderiam ser usados para produção de outro artefato.

Segundo investigadores da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o nitrato de amônio não é um explosivo por si só. Ele se apresenta como um pó branco ou em grânulos solúveis em água e é seguro desde que não seja aquecido ou entre em contato com alguma faísca. Caso aquecida, a substância pode gerar uma explosão.

“O material era suficiente para derrubar uma casa. Ele tinha muito poder de fogo”, destacou, à época, o chefe da DRCC, Giancarlos Zuliani Júnior. Para os policiais, não há dúvidas de que ocorreria uma grave destruição na capital. Veja, abaixo, imagens do material apreendido com o suspeito quando foi preso:

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Beirute

Imagens publicadas nas redes sociais mostram o momento em que uma grande nuvem de fumaça encobre o céu de Beirute, capital do Líbano, após a forte explosão registrada nessa terça-feira (4/8).

Nesta quarta, o governo libanês decretou calamidade pública. As informações foram confirmadas pela agência estatal de notícias do Líbano (NNA), com informações do Ministério da Saúde do país.

O Conselho Superior de Defesa do Líbano recomendou a declaração de estado de calamidade para a cidade de Beirute. A medida foi oficializada na tarde desta quarta.

O Palácio do Itamaraty confirmou que uma brasileira – esposa de um diplomata – ficou ferida por estilhaços de vidro na rua. Ela passa bem.

Veja imagens da explosão:

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Galpão destruído

As causas da tragédia são investigadas. Não se sabe, por exemplo, se ocorreu um acidente no local. O galpão que centraliza as suspeitas da explosão funcionava desde 2014.

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De acordo com a imprensa local, o governo do Líbano sabia do armazenamento do nitrato de amônio, um tipo de fertilizante, mas pouco fez para descartá-lo.

O porto de Beirute fica ao lado do centro da cidade, que foi reconstruído após a guerra civil. A região tem hotéis, prédios residenciais e fica perto de bairros tradicionais, além de contar com uma importante estrada que liga a capital ao norte do país.

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