Bandidos cortaram energia antes de levar quase R$ 1 milhão de banco em GO

Em Anápolis, o grupo chegou a romper fios de um poste para facilitar a ação do bando alvo da PCDF

atualizado 04/05/2020 13:08

Poste com fios cortadosPCDF/Divulgação

Alvo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), na manhã desta segunda-feira (04/05), o grupo acusado de facilitar assaltos a bancos era bem articulado. Além de contar com o auxílio de pessoas infiltradas nas empresas de segurança das agências, que desligavam os alarmes, eles também agiam fortemente armados e eram munidos dos mais diversos equipamentos que facilitavam o arrombamento. Em um assalto registrado no dia 25 de abril deste ano no município de Anápolis (GO), o bando chegou a romper fios de um poste para cortar a energia da agência. Na ocasião, os criminosos levaram R$ 924 mil.

Pelo menos quatro pessoas foram presas no âmbito da Operação Sentinela. A investigação conduzida pela Divisão de Repressão a Roubo e Furtos (DRF), unidade que pertence à Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri), aponta que o grupo agia em conluio há pelo menos dois anos e teria faturado cerca de R$ 3 milhões com os roubos.

Uma célula da quadrilha, baseada em Brasília, facilitava o ataque aos cofres de agências do Banco do Brasil. Eles desativavam os sistemas de alarme ou retardavam o tratamento do sinistro e o acionamento da polícia após os roubos. Os alvos não têm antecedentes criminais e todos são considerados acima de qualquer suspeita pelo banco. Os investigados são da empresa Confederal. Entre eles, dois vigilantes e um supervisor.

Os suspeitos trabalham como terceirizados em esquema de plantão, operando sistemas de vigilância e segurança de forma remota e englobando centenas de agências do BB espalhadas pelo país.

“Em relação à Operação Sentinela, o Banco do Brasil informa que mantém estrutura dedicada de prevenção à atuação de grupos criminoso e que noticia às polícias ocorrências contra seu patrimônio. O BB colabora com as investigações”, destacou, em nota, o BB.

De acordo com a DRF, com acesso irrestrito ao comando para acionamento da polícia após uma agência ser alvo de assalto, o braço da organização infiltrada na sede do banco tinha facilidade para retardar, ao máximo, o sinal de alerta feito às autoridades. Com isso, o grupo armado da quadrilha ganhava minutos preciosos para arrombar os cofres e fugir com o dinheiro antes da chegada das primeiras viaturas.

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Ataques pelo país

Segundo as apurações da DRF, os cinco suspeitos teriam facilitado pelo menos três ataques milionários a cofres da instituição financeira. No primeiro deles, em agência localizada no município baiano de Teixeira de Freitas, em 29 de novembro do ano passado, foi furtada a quantia aproximada de R$ 1 milhão.

Três dias após a empreitada, parte do grupo foi presa no aeroporto de Porto Seguro, na Bahia, com R$ 760 mil em várias malas.

O segundo ataque ocorreu na região sul do país, na agência da Zona Industrial de Tupy, em Joinville (Santa Catarina), em 14 de abril deste ano. Na ocasião, três criminosos foram presos e outro morreu em confronto com a polícia.

A última participação dos cinco alvos presos nesta segunda foi no ataque ocorrido na agência de Anápolis, em Goiás.. Todos foram presos preventivamente por ordem da Segunda Vara Criminal de Brasília. A prisão foi decretada para fazer cessar a atividade da organização criminosa, diante do risco real de novo ataque milionário aos cofres da instituição bancária.

Outras suspeitas

Outros ataques suspeitos, ocorridos no Brasil nos últimos 10 meses, consumados e tentados, estão sendo checados pela DRF, em parceria com a instituição bancária. De acordo com diretor da unidade, delegado Fernando Cocito, os criminosos eram altamente organizados e usavam de toda a tecnologia disponível para protagonizar roubos cada vez mais seguros e sofisticados.

“São invasões complexas ao sistema de monitoramento, de difícil aferição em tempo real e que podem permitir a facilitação da subtração de milhões de reais, não apenas em agências, mas também em locais de guarda de valores da instituição bancária”, explicou.

Segundo o delegado, a operação foi deflagrada antes de um novo roubo, que poderia resultar em mais um prejuízo milionário.

“Havia o  perigo de um novo e milionário ataque era real, dada a expertise dos suspeitos, a pluralidade de senhas e matrículas envolvidas e o tipo de manipulação, ainda nova para a instituição bancária. Houve uma grande parceria com o banco, que robusteceu as investigações da DRF”, observou.

De acordo com a PCDF, os integrantes do grupo são originários de Joinville e já cometeram crimes no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. Os envolvidos, há alguns anos, mudaram-se para o Entorno do Distrito Federal. A organização criminosa já havia sido presa em 2013 pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul. O bando ficou conhecido, à época, como a “Quadrilha do Guarda Sol”, em razão da atuação com guarda-sóis, que burlam os sensores de presença.

Acionada, a Confederal não tinha se manifestado até a última atualização desta reportagem.

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