PCDF: bando que facilitava ataques a bancos faturou R$ 3 mi com assaltos

Entre os alvos de operação da Polícia Civil do DF, estão dois vigilantes e um supervisor, acusados de facilitar, de forma remota, os roubos

atualizado 04/05/2020 10:11

Homem preso pela PCDFRafaela Felicciano/Metrópoles

O braço de uma organização criminosa especializada em roubos a bancos foi desarticulado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta segunda-feira (04/05). O grupo agia entranhado na sede de uma das maiores instituições financeiras do país há pelo menos dois anos e teria faturado cerca de R$ 3 milhões com os assaltos. Até as 6h10, quatro pessoas já haviam sido presas.

A célula da quadrilha facilitava o ataque aos cofres de agências espalhadas pelo Brasil, desativando sistemas de alarme ou retardando o tratamento do sinistro e o acionamento da polícia após os roubos. Nenhum dos alvos têm antecedentes criminais e todos são considerados acima de qualquer suspeita pelo banco. Os investigados são da empresa Confederal. Entre eles, dois vigilantes e um supervisor.

A ação, batizada de Sentinela, é conduzida pela Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri) e foi deflagrada pela Divisão de Repressão a Roubo e Furtos (DRF). Os policiais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, sendo quatro na sede do banco, no Setor Bancário e Sul, e um na Asa Norte, em uma das unidades da instituição. O banco colabora com o trabalho da PCDF e, por isso, não teve o nome divulgado.

Os suspeitos trabalham como terceirizados em esquema de plantão, operando sistemas de vigilância e segurança de forma remota e englobando centenas de agências espalhadas pelo país. Também estão sendo cumpridos mandados de buscas na Asa Sul, Asa Norte, Ceilândia, Planaltina, São Sebastião, Núcleo Bandeirante e Sobradinho.

De acordo com as investigações da DRF, com acesso irrestrito ao comando para acionamento da polícia após uma agência ser alvo de assalto, o braço da organização infiltrada na sede do banco tinha facilidade para retardar, ao máximo, o sinal de alerta feito às autoridades. Com isso, o grupo armado da quadrilha ganhava minutos preciosos a fim de arrombar os cofres e fugir com o dinheiro antes da chegada das primeiras viaturas.

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Ataques pelo país

Segundo as apurações da DRF, os cinco suspeitos teriam facilitado pelo menos três ataques milionários a cofres da instituição financeira. No primeiro deles, em agência localizada no município baiano de Teixeira de Freitas, em 29 de novembro do ano passado, foi furtada a quantia aproximada de R$ 1 milhão.

Três dias após a empreitada, parte do grupo foi presa no aeroporto de Porto Seguro, na Bahia, com R$ 760 mil em várias malas.

O segundo ataque ocorreu na região sul do país, na agência da Zona Industrial de Tupy, em Joinville (Santa Catarina), em 14 de abril deste ano. Na ocasião, três criminosos foram presos e outro morreu em confronto com a polícia.

A última participação dos cinco alvos presos nesta segunda foi no ataque ocorrido na agência de Anápolis, em Goiás, em 25 de abril deste ano, em plena pandemia do coronavírus, quando foi furtada a quantia de R$ 924 mil.

Todos foram presos preventivamente por ordem do Juiz Titular da Segunda Vara Criminal de Brasília. A prisão foi decretada para fazer cessar a atividade da organização criminosa, diante do risco real de novo ataque milionário aos cofres da instituição bancária.

Outras suspeitas

Outros ataques suspeitos, ocorridos no Brasil nos últimos 10 meses, consumados e tentados, estão sendo checados pela DRF, em parceria com a instituição bancária. De acordo com diretor da unidade, delegado Fernando Cocito, os criminosos eram altamente organizados e usavam de toda a tecnologia disponível para protagonizar roubos cada vez mais seguros e sofisticados.

“São invasões complexas ao sistema de monitoramento, de difícil aferição em tempo real e que podem permitir a facilitação da subtração de milhões de reais, não apenas em agências, mas também em locais de guarda de valores da instituição bancária”, explicou.

Segundo o delegado, a operação foi deflagrada antes de um novo roubo, que poderia resultar em mais um prejuízo milionário.

“Havia o  perigo de um novo e milionário ataque era real, dada a expertise dos suspeitos, a pluralidade de senhas e matrículas envolvidas e o tipo de manipulação, ainda nova para a instituição bancária. Houve uma grande parceria com o banco, que robusteceu as investigações da DRF”, observou.

De acordo com a PCDF, os integrantes do grupo são originários de Joinville e já cometeram crimes no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. Os envolvidos, há alguns anos, mudaram-se para o Entorno do Distrito Federal. A organização criminosa já havia sido presa em 2013 pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul. O bando ficou conhecido, à época, como a “Quadrilha do Guarda Sol”, em razão da atuação com guarda-sóis, que burlam os sensores de presença.

A reportagem questionou a empresa Confederal sobre o caso e aguarda retorno.

 

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