Saúde monta gabinete de crise e não descarta lockdown em Ceilândia

Nos próximos 15 dias, comportamento da população e crescimento da doença serão observados. Secretário de Saúde vai despachar na cidade

atualizado 04/06/2020 14:41

pessoas com máscaras nas ruas do DFHugo Barreto/Metrópoles

Em função da explosão do número de casos e de mortes em Ceilândia, a Saúde montou um gabinete de crise na cidade. Na manhã desta quinta-feira (04/06), representantes do GDF estiveram na região e pediram que a população se conscientize e cumpra os decretos. O comportamento dos moradores da cidade será analisado nos próximos 15 dias, bem como a curva de crescimento do coronavírus. Medidas mais duras, como o lockdown (ou bloqueio total), não estão descartadas.

Com a rede de Saúde da cidade no limite, o GDF prepara a abertura de novas unidades, como o hospital de campanha. Para evitar aglomeração, as entradas dos campos sintéticos serão soldadas. Segundo a Administração Regional de Ceilândia, a população estava quebrando os cadeados para frequentar os espaços esportivos. A medida começa pelo campo sintético da Praça dos Eucaliptos. São 17 no total.

Nesta quinta, representantes da administração regional, o vice-governador Paco Britto (Avante), o secretário de Saúde, Francisco Araújo, o subsecretário da pasta, Eduardo Hage, e o presidente interino do Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF), Sergio Luiz da Costa, explicaram as ações que estão sendo tomadas e pensadas para a cidade.

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O secretário de Saúde vai despachar na região administrativa por até duas semanas. “Essa doença mata, é preciso que as pessoas se conscientizem. Nos ajudem a ajudar vocês. O governador Ibaneis Rocha (MDB) não tem problema algum de voltar atrás nos seus decretos. Tudo será analisado em cima dos índices da Codeplan”, disse o vice-governador.

Servidores afastados

A doença afeta a população e os servidores da Saúde que trabalham na cidade. De acordo com o governo, dos 1,6 mil funcionários do Hospital Regional de Ceilândia (HRC), 136 foram diagnosticados com Covid-19 e afastados do trabalho. A Secretaria de Economia prometeu liberar recursos para suprir esse déficit de pessoal. No entanto, ainda não foi definido quando isso será feito.

A principal unidade de saúde pública na região administrativa, segundo o GDF, vai receber um hospital acoplado específico para tratamento de Covid-19, por doação da empresa JBS.

O HRC já tem uma ala isolada para pacientes com Covid-19. São 17 leitos. O hospital acoplado terá 73 vagas exclusivas de retaguarda para a doença . Ou seja, a ideia é evitar a sobrecarga na rede do DF como um todo e garantir melhor tratamento para a população de Ceilândia, Pôr do Sol, Sol Nascente e Brazlândia. Somando todas as regiões, são 980 mil moradores.

O governo pretende ainda inaugurar uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na região em dezembro. Dentro dos próximos 60 dias, o Executivo também espera entregar um hospital de campanha. A licitação foi lançada.

Na cidade, 1.376 pessoas foram infectadas e 39 já morreram em decorrência do coronavírus. É o maior número de óbitos registrado em todas as cidades do DF. Ceilândia, além de ser a campeã de mortes e infectados, é líder no quesito “ficar fora de casa”.

Com apenas 31% dos moradores em quarentena, a explosão de ocorrências levou deputados distritais a sugerirem ao governador Ibaneis Rocha (MDB) que seja aplicado um lockdown na cidade. Morador da região administrativa, Chico Vigilante (PT) fez, em vídeo, um apelo ao chefe do Executivo local para que faça o bloqueio total.

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