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Saúde

Vigilância Sanitária do DF atualiza normas após delações da JBS

Texto com regras mais rígidas para venda e manipulação de alimentos, especialmente carnes, já está valendo no DF

01/06/2017 05:19, atualizado 01/06/2017 11:25
Michael Melo/Metrópoles
carro da fiscalização

As normas para manipulação de alimentos, principalmente carnes, nos estabelecimentos comerciais do Distrito Federal foram modificadas. Mais rígidas, as novas regras vêm no momento em que o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) se defende das acusações de Ricardo Saud, ex-executivo da J&F, holding da JBS, de ter recebido propina durante as eleições de 2014. A empresa é líder mundial no mercado de carnes e está no centro das delações mais recentes da Lava Jato.

Com 15 páginas, a instrução normativa que modifica as boas práticas de manipulação de alimentos no DF foi entregue pela Vigilância Sanitária na terça-feira (30/5) ao governo e publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) de quarta (31). As principais novidades tratam do comércio de carnes, das condições impostas aos estabelecimentos para se adequarem como pet friendly e dos termos sobre exposição e conservação de alimentos nas panificadoras.

De acordo com as regras, os estabelecimentos não poderão misturar as carnes (bovina, suína, aves, etc) no balcão, evitando assim a contaminação cruzada. As peças também deverão ser moídas na frente do cliente. Além disso, uma mercadoria não pode ser pendurada acima das outras, a fim de impedir o gotejamento de sangue.

Mariscos e frutos do mar que forem colocados à venda descongelados — e que costumam ser descritos como frescos aos clientes — deverão ter o aviso de que não podem ser levados ao congelador novamente. “Procuramos melhorar a qualidade e a segurança do produto. A nossa norma é uma das mais completas do Brasil”, destaca André Godoy, gerente da Divisão de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa-DF), um dos responsáveis pela publicação.

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Já o artigo 119 da norma diz que será permitida a entrada de pets em estabelecimentos comerciais desde que tenham espaço identificado, reservado e adequado para recebê-los.  A prática pet friendly já é adotada em alguns restaurantes e hotéis da cidade.

Padarias
Outra seção que ganha destaque diz respeito às panificadoras. O texto cobra que os alimentos expostos para consumo imediato devem obedecer a critérios de tempo e temperatura. Produtos quentes para consumo imediato, por exemplo, devem ser mantidos a, no mínimo, 60ºC e pelo tempo máximo de seis horas. Quando não for possível, precisam ser resfriados e aquecidos na presença do cliente.

“Padaria hoje em dia não é mais só pão e leite. É quase um mercado. Muitos produtos ficam mal acondicionados. Então fizemos essas normas e a diferenciação dos mais perigosos, com recheio e sem recheio, quentes e frios”, destaca André Godoy.

A instrução normativa passa a valer no dia de sua publicação. Os estabelecimentos que não cumprirem as medidas estão sujeitos a advertências, multas e até interdição. As novas regras vêm sendo executadas desde a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março. E só agora saíram do papel, com o governador no olho do furacão das delações da JBS.

André Godoy diz que é apenas uma “coincidência” (a data das delações e o envio da instrução normativa). “Nós estamos trabalhando nessas atualizações há muito tempo e continuaremos atuando”, explica Godoy.

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Carne moída, só na frente do cliente
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Regras da Vigilância Sanitária vão afetar o dia a dia dos mercados
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Carne moída, só na frente do cliente
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Carnes expostas na Feira do Produtor em Vicente Pires
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Panificadoras ganharam atenção especial na instrução normativa
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Rollemberg rebate acusações sobre propina
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Rollemberg rebate acusações sobre propina

Carne Fraca
Após a primeira fase da Carne Fraca, a Vigilância Sanitária passou a verificar com mais rigor as carnes servidas nas escolas do DF e demais estabelecimentos. Em março, uma amostra foi recolhida em um jardim de infância no Cruzeiro. Nesta semana, agentes visitaram uma escola em São Sebastião. O resultado do material recolhido deve sair nas próximas semanas.

A Operação Carne Fraca apura o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos de todo o país.

Veja a instrução normativa nº 10 na íntegra:

Instrução Normativa Nº 16 Atualiza in 4 by Metropoles on Scribd

GDF rebate delações
Além de ser alvo da Carne Fraca, a JBS está no centro da Lava Jato e, por meio de delações de seus ex-executivos, arrastou muitos políticos para a crise política. Entre eles, Rodrigo Rollemberg. O socialista aparece na relação dos 16 governadores eleitos para quem a JBS teria desembolsado propina.

Rollemberg recebeu doação de campanha de R$ 852,8 mil da empresa e garante que tudo foi feito dentro da lei. Disse, em entrevista à TV Globo esta semana, que desafia “qualquer executivo da JBS a apontar contrapartida ou benefício que tenha sido dado pelo GDF em função das doações. Se deram qualquer doação oficial pensando em contrapartida, quebraram a cara”, afirmou.

No entanto, a empresa embolsou R$ 12,6 milhões em serviços para o fornecimento de produtos da merenda escolar da rede pública de ensino somente no governo de Rollemberg. Nos últimos nove anos, mais de R$ 31.070.135,37 foram pagos à JBS pelo Executivo local.

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