Ocorrências por intoxicação no DF vão além das causadas por agrotóxicos, raticidas e venenos em geral. Em 2015, a Secretaria de Saúde do DF registrou 728 casos de envenenamento por diversas causas – entre elas o uso de medicamentos (327), cosméticos (11), produtos de uso doméstico (52) e abuso de drogas (149).

Associados à cura de doenças, os remédios aparecem na liderança das estatísticas da pasta. Casos dessa natureza correspondem a 45% do total registrado nos 12 meses do ano passado. De acordo com o Centro de Informações Toxicológicas da Secretaria de Saúde, a maioria das ocorrências – que não envolvem somente os medicamentos – é acidental e envolve crianças.

É importantíssimo ter cuidado com as crianças. Vemos muitos casos de intoxicação infantil no dia a dia. Muitas vezes o responsável deixa produtos de limpeza ou remédios, por exemplo, em locais de fácil alcance e elas acabam ingerindo."
Luciana Machado Nonino, gastroenterologista do Hospital Santa Lúcia e especialista em gastroenterologia e endoscopia digestiva

Outro alerta que a especialista faz é com relação à automedicação. Ela acredita que os casos de intoxicação por cosméticos estejam ligadas à ingestão de suplementos vitamínicos. “Isso ocorre com frequência. As pessoas não consultam um médico e tentam solucionar déficits com produtos que não têm a venda controlada”, afirma Luciana. E os sintomas, explica a médica, dependem do tipo de envenenamento. Eles vão de vômito e diarreia a urticária e sinais de alergia respiratória.

Atendimento por telefone
O Centro de Informações Toxicológicas da Secretaria de Saúde é responsável por orientar médicos e pacientes em casos de intoxicação. As “consultas” são feitas por telefone. “As pessoas chegam nas unidades de saúde com intoxicação pelas mais variadas causas. A partir daí, o médico nos aciona, informa os sintomas do paciente e nós passamos a conduta para que o socorro seja feito de forma eficiente”, explica a farmacêutica bioquímica do espaço, Paula Barzon Garcia de Menezes.

Atualmente com 10 funcionários – entre médicos e farmacêuticos –, o serviço também pode ser acionado pela população. “Quando percebemos que o caso não é grave, damos as instruções para que a pessoa adote condutas caseiras para solucionar o problema e evitar a reincidência”, afirma Paula. Por meio do prontuário eletrônico, em casos admitidos nos hospitais do GDF, ou por ligações telefônicas, o centro acompanha os pacientes até o fim do tratamento.

O serviço funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia. Para solicitá-lo, basta entrar em contato pelos telefones 0800-644-6774 (DF) ou 0800-722-6001 (nacional). Caso o ramal do Distrito Federal esteja ocupado, a ligação é redirecionada para o contato nacional, que segue o mesmo protocolo de atendimento.

Confira dicas de especialistas para evitar intoxicações:

  • Não deixe medicamentos ao alcance de crianças
  • Certifique-se de que os produtos de limpeza estão em local seguro
  • Não misture compostos químicos
  • Evite a automedicação
  • Observe se a comida de restaurantes onde come está bem protegida e refrigerada
  • Só coma em locais com o selo da Vigilância Sanitária
  • Evite manter venenos em casa