Mortalidade materna no DF é quase 5 vezes maior que em países ricos

Estudo revela os principais fatores que matam gestantes: pressão alta durante a gravidez, hemorragia após o parto, infecções e aborto

atualizado

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Mortalidade Materna
1 de 1 Mortalidade Materna - Foto: Michael Melo/Metrópoles

A mortalidade materna na capital federal é quase cinco vezes maior do que em países desenvolvidos. O dado foi publicado no mais recente Relatório Epidemiológico sobre Óbitos Maternos no Distrito Federal, divulgado pela Secretaria de Saúde do DF no inicio de novembro.

Conforme o levantamento da Pasta, a Razão de Mortalidade Materna (RMM) por 100 mil nascidos vivos passou de 26,2 em 2015 para 48,6 no ano passado. Em nações ricas, a taxa geralmente é baixa e fica em torno dos 10 óbitos.

Segundo o boletim, em 2016 foram 21 óbitos maternos — o maior registro desde 2009 (22), igualando-se às mortes maternas ocorridas em 2013. Em 2014 e 2015, foram 17 e 12, respectivamente.

De acordo com a Secretaria de Saúde, as causas obstétricas diretas são as mais preocupantes, já que foram responsáveis por 50% dos casos no período de 2011 a 2016.

Gestação
A estatística dos óbitos maternos levam em conta mortes durante a gestação ou 42 dias após o parto, quando as mulheres são acometidas por doenças obstétricas em razão da gravidez ou por complicações de enfermidades pré-existentes.

Os principais fatores que vitimam as gestantes são pressão alta, hemorragia após o parto, aborto e infecções puerperal — o termo se refere ao período que vai do deslocamento e expulsão da placenta à volta do organismo materno às condições anteriores à gravidez.

Hospitais públicos
Na capital federal, a maior parte dos casos (72%) ocorreu nos hospitais públicos. Para o professor, ginecologista e especialista em saúde pública Nelson Santos, a morte materna se associa à qualidade de vida e de assistência no pré-natal e no parto. Por isso, os indicadores são piores em países em desenvolvimento e em locais com poucos recursos.

As grávidas parecem ter dificuldade no atendimento das unidades públicas, com consultas muito distantes e sem nenhuma prevenção. A qualidade da assistência precisa ser revista, pois gestações sobrecarregadas, com cuidados limitados, facilitam riscos. O gestor precisa entender o que está acontecendo para qualificar essa assistência às gestantes.

Nelson Santos

A importância do pré-natal também é reforçada pelo ginecologista. “Em caso de gestante hipertensa, por exemplo, a simples aferição da pressão mensalmente já é uma providência importante para evitar complicações”.

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A estudante Sayure Policena, 23 anos, está grávida de seis meses e comenta que a taxa preocupa: "Espero que quando chegar minha hora tudo ocorra bem"
Caso aconteceu no Hospital Materno Infantil
A dona de casa Samara de Souza Silva, 32 anos, passou por gravidez de risco. "Dei sorte em ter recebido atendimento adequado, mas, e as outras mães, que não têm esse direito? É triste", disse
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A dona de casa Samara de Souza Silva, 32 anos, passou por gravidez de risco. "Dei sorte em ter recebido atendimento adequado, mas, e as outras mães, que não têm esse direito? É triste", disse

Michael Melo/Metrópoles
A estudante Sayure Policena, 23 anos, está grávida de seis meses e comenta que a taxa preocupa: "Espero que quando chegar minha hora tudo ocorra bem"
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A estudante Sayure Policena, 23 anos, está grávida de seis meses e comenta que a taxa preocupa: "Espero que quando chegar minha hora tudo ocorra bem"

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Caso aconteceu no Hospital Materno Infantil
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Caso aconteceu no Hospital Materno Infantil

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Ansiedade
A dona de casa Samara de Souza Silva, 32 anos, passou por gravidez de risco no último ano e disse que fez todo o acompanhamento na rede pública. Agora, com o pequeno João Vicente, de apenas 4 meses, em seus braços, a mãe comemora por tudo ter dado certo.

“Fiquei muito ansiosa durante a gestação. Tive anemia e fiquei com muito medo de morrer no parto. Dei sorte por ter recebido atendimento adequado, mas, e as outras mães, que não têm esse direito? É triste”, disse Samara.

Sayure Policena (foto de destaque), 23 anos, é estudante e está grávida de seis meses. “Tenho feito tudo certo e minha gestação está indo muito bem. Faço o pré-natal na rede pública e não tenho do que reclamar. Espero que, quando chegar minha hora, tudo ocorra bem.”

Resposta do governo
Por meio de nota, a Subsecretaria de Vigilância à Saúde esclareceu que “a Razão de Mortalidade Materna no DF (48,6 a cada mil nascidos vivos em 2016) é inferior à do Brasil (57,6 por mil registrada em 2015), portanto, apesar de a situação do DF ser pior do que a dos países desenvolvidos, é melhor que a nacional”.

“A maior parte dos óbitos maternos ocorre nos hospitais públicos, mas é preciso considerar que essas instituições atendem um contingente populacional maior que o atendido pelos hospitais privados” diz trecho do texto.

Ainda segundo a pasta, a redução da mortalidade materna e infantil é um dos objetivos da Rede Cegonha, que trabalha para estimular o início do pré-natal precocemente. “A primeira consulta deve ser realizada antes da 12ª semana de gestação, para que seja possível observar os fatores de risco que a gestante possa apresentar”, ressalta a subsecretaria.

A mulher é orientada quanto aos sinais e sintomas que devem ser observados como alerta e que indicam a necessidade de procurar o serviço médico. “Também durante o pré-natal, a gestante é informada sobre qual será o hospital de referência, a unidade de saúde que deverá procurar para o parto ou em caso de emergência”, informou.

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