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Investigações da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco) identificaram um novo mecanismo usado pelas empresas envolvidas na Operação Mr. Hyde. O esquema criminoso forjava empregos fictícios para pacientes e chegava a pagar as mensalidades de planos de saúde. Quando se completava o período de carência, as cirurgias eram feitas. Dessa forma, médicos, intermediários e empresas fornecedoras de próteses recuperavam o dinheiro gasto com os planos.

O Metrópoles teve acesso exclusivo aos detalhes da investigação. As apurações da Deco mapearam como funcionava a rede criminosa. Especialistas na área bucomaxilofacial eram cooptados por emissários das empresas.

Esses médicos falavam para os pacientes que, na rede pública, eles esperariam muitos anos para conseguir as cirurgias. Dessa forma, as pessoas eram encaminhadas a um intermediário responsável por operacionalizar o esquema"
Investigador da Deco que pediu para não ter o nome divulgado

A Máfia das Próteses, então, fazia uma proposta para os pacientes: eles seriam contratados por uma oficina mecânica de Taguatinga, mas não precisariam trabalhar. “Em seguida, as próprias empresas de próteses faziam um plano empresarial para essas pessoas e pagavam as mensalidades até o fim da carência. Logo depois, faziam as cirurgias superfaturadas e cancelavam o plano”, relatou o policial.

A Deco identificou pelo menos 13 pacientes que aceitaram fazer parte da rede criminosa e permaneceram empregados na oficina mesmo sem trabalhar. As investigações apontaram que esses pacientes receberam as carteiras dos planos, mas, por determinação da Máfia das Próteses, não podiam utilizar os serviços médicos. “Eles eram orientados apenas a aguardar o tempo necessário para fazer a cirurgia, sempre superfaturada”, ressaltou a fonte policial.

O nome dos médicos e as empresas envolvidas no esquema fraudulento foram mantidos em sigilo em razão de o inquérito correr em segredo de Justiça.

Michael Melo/ Metrópoles

Policiais civis do DF recolhem material em hospitais e clínicas médicas

 

Polícia Federal
O caso que investiga a criação de empregos fictícios pela Máfia das Próteses foi retirado da Polícia Civil do DF após a Justiça decretar conflito de competência. Como um dos planos de saúde lesados pela quadrilha é de um banco estatal que movimenta recursos da União, a apuração foi repassada à Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), da PF. A reportagem procurou a corporação para falar sobre o tema, mas ninguém retornou os contatos.

Na quinta-feira (17), a Polícia Civil do DF abriu um novo inquérito. Desta vez, para investigar a suspeita de fraudes e ilegalidades na compra de órteses, próteses e materiais especiais pela Secretaria de Saúde. Essa apuração correrá paralelamente à Operação Mr. Hyde, que teve início em 1º de setembro.

Segundo as investigações da Mr. Hyde, médicos, empresários e funcionários de empresas participavam de um esquema criminoso. O grupo fazia cirurgias desnecessárias na rede privada, utilizava materiais de baixa qualidade e pagava propina a profissionais para lesar pacientes e lucrar à custa da saúde alheia.

 

 

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