Ibaneis prevê fim da fila para ressonância magnética no DF em 60 dias

Anúncio ocorre quatro dias após o Metrópoles mostrar que o número de pedidos para o procedimento chegou a 21 mil

atualizado

metropoles.com

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Aparelho de ressonância magnética
1 de 1 Aparelho de ressonância magnética - Foto: iStock

O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou nesta terça-feira (27/08/2019) que a fila para exames de ressonância magnética será zerada em 60 dias. A previsão ocorre quatro dias após o Metrópoles noticiar que o número de pedidos aumentou de 17.379 para 21.395 entre maio e agosto de 2019, segundo a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF).

A fim de resolver a situação, o governo credenciou cinco empresas para realizar o procedimento, que custa cerca de R$ 400. “Quem está com exames dessa natureza para fazer tem que ter urgência. Por isso, convoquei hoje uma reunião com hospitais e clínicas credenciadas, e me disseram que no prazo máximo de 60 dias estaremos com toda essa fila zerada”, disse.

A fila de espera para a ressonância magnética na rede pública de saúde na capital da República ficou “assombrosa”, nas palavras da DPDF. De acordo com o órgão, também não estão sendo realizados exames para diagnóstico de câncer, por falta de contraste.

O secretário de Saúde, Osnei Okumoto, levou um puxão de orelha. “Chamei a atenção dele para que tenha um pouco mais de atenção, para evitarmos essas crises, de modo a tratar bem essas pessoas que estão com necessidade de fazer os exames, diagnosticar suas doenças e dar andamento aos seus tratamentos”, contou Ibaneis.

O chefe do Executivo local disse, ainda, que espera restabelecer a capacidade da rede pública de fazer os exames. Contudo, admitiu que o acordo com os hospitais e clínicas deve continuar.

No caso do câncer, a demora de um mês no diagnóstico significa a diferença entre a cura e a morte. Conforme levantamento feito pela DPDF, 982 pacientes na fila de espera estão classificados como vermelhos, demandando urgência no diagnóstico. Outros 15.169 foram definidos como amarelos. Verdes somam 2.976 e azuis, 2.268.

O Governo do Distrito Federal (GDF) comunicou, também nesta terça, que o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF), responsável pelos hospitais de Base e de Santa Maria, além de pelas unidades de pronto atendimento (UPAs), vai instalar até o fim do ano um aparelho próprio de ressonância magnética.

Entenda

A Defensoria Pública identificou outro problema grave: exames em crianças, idosos e pessoas com problemas mentais também não estão sendo realizados. Isso porque a rede pública não está oferecendo sessões com sedação, procedimento necessário para a avaliação desse grupo de pacientes. “É uma situação assombrosa de desassistência e omissão do poder público raramente vista na história da saúde no Distrito Federal”, pontuou o coordenador do Núcleo de Saúde da Defensoria, Ramiro Sant’Ana.

Vagas

De acordo com a DPDF, a rede pública conta apenas com um ponto de atendimento para exames de ressonância: a Clínica Excellent. Segundo Sant’Ana, o local oferece somente 340 vagas por mês e não realiza tratamento com contraste, necessário para o diagnóstico de câncer. A sedação para crianças, idosos e pessoas com deficiência mental também não é oferecida ali.

Conforme a análise do órgão de fiscalização, o equipamento do Hospital de Base do DF está sem operação há mais de quatro anos. O aparelho do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) está inoperante desde maio de 2019. Enquanto o Hospital Universitário de Brasília (HUB) está sem funcionar desde 16 de agosto.

Segundo o HUB, uma peça do equipamento de ressonância magnética do hospital teve superaquecimento há uma semana e precisou ser substituída. O incidente teria sido uma situação “pontual”. O item foi trocado na quinta-feira passada (22/08/2019). “O equipamento voltará a funcionar normalmente dentro dos próximos dias”, prometeu a instituição, por nota.

Espera

A busca por tratamento cresce de forma acelerada. A cada mês, em média, 2.571 novas solicitações são feitas na rede. Se o sistema estivesse funcionando normalmente, estima a DPDF, o tempo de espera dos pacientes vermelhos seria de três meses, em média. Amarelos passam por calvários de 15 meses a dois anos e oito meses. Verdes aguardam até dois anos e cinco meses. No caso dos azuis, a rede realiza os exames em até dois anos e sete meses.

“A demora vai aumentar ainda mais”, alertou Sant’Ana. A ação civil pública de autoria do órgão cobra da Secretaria de Saúde o equilíbrio entre a oferta e a demanda de consultas em seis meses. A pasta terá um ano para reduzir o tempo da fila em até 100 dias para os casos não urgentes. “Atendimentos vermelhos deverão demorar dias; amarelos, poucas semanas”, completou.

Do ponto de vista do presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), Farid Buitrago Sánchez, o serviço de ressonância foi sucateado pela falta de investimentos do GDF. “A única solução é comprar equipamentos e contratar profissionais capacitados. E vai demorar um tempo para colocar tudo em dia”, comentou.

Nesse contexto, não basta apenas a compra de aparelhos. É preciso construir a devida infraestrutura para o tratamento. Caso contrário, os equipamentos ficarão encaixotados nos corredores dos hospitais. Outro passo necessário é a triagem da fila de pacientes, justamente para dar prioridade no diagnóstico dos casos críticos.

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