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Após ser informado de que o filho não seria atendido no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) porque o menino não estava em estado grave, um homem teve um ataque de fúria nesta sexta-feira (1º/6) e quebrou móveis e objetos da sala de triagem da unidade de saúde.

Ele precisou ser contido pelos seguranças e foi levado para a 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga). Após prestar depoimento, foi liberado. Ele vai responder por danos ao patrimônio público.

O vídeo do quebra-quebra viralizou nas redes sociais. O menino, de 6 anos, segundo os servidores, estava febril. O termômetro marcava 37,5ºC. Seguindo o Protocolo de Manchester, a criança foi classificada como de baixa prioridade.

Um enfermeiro disse ao pai que o garoto não seria atendido, pois havia pacientes com maior gravidade na fila. Nervoso, o genitor não aceitou a explicação e ficou descontrolado. Cinco seguranças o cercaram até conseguirem dominá-lo. Um outro paciente ainda tentou ajudá-lo, mas foi afastado. Durante a briga, uma paciente deitada numa maca na sala de triagem quase foi atingida.

Veja o vídeo:

 

 

O ataque não foi um caso isolado, como afirmam servidores. Após mudanças no atendimento nas unidades básicas de saúde (UBS), o volume de pacientes que não consegue avaliação médica aumentou, assim como os relatos de agressões.

“Isso acontece todos os dias. Nós nem nos surpreendemos mais, pois as pessoas usam extintores de incêndio para quebrar as coisas e até ameaçam com armas. Essa repercussão só aconteceu porque foi filmado, mas nós passamos por isso quase todos os dias”, denuncia uma servidora que pediu para não ter o nome divulgado.

A atual gestão da Secretaria de Saúde vem mudando o modelo de atendimento das unidades de saúde. De acordo com os funcionários públicos, os hospitais só atendem a casos de classificação laranja ou vermelha (graves ou gravíssimos). Fora disso, a ordem é encaminhar para as unidades básicas.

A falta de profissionais também gera um outro problema: as ameaças veladas aos servidores. Em hospitais, como o próprio HRT, os funcionários da triagem e da recepção estão proibidos de falarem sobre a falta médicos.

O outro lado
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde informou que casos como o do HRT são isolados e, quando ocorrem, são amplamente divulgados pela imprensa e levados às autoridades policiais. A pasta nega que servidores sejam proibidos de se manifestar e admite haver deficit de funcionários, mas já contratou 8 mil profissionais e chamará mais de 1 mil nos próximos dias.