Flamenguista espancado no Mané Garrincha espera ressonância há 50 dias
Evandro Gatto, agredido durante confronto de torcidas organizadas no Mané Garrincha em 5 de junho, no jogo entre Flamengo e Palmeiras, não tem previsão de alta. Família tenta transferência para o Rio de Janeiro
atualizado
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Vítima da fúria da torcida organizada do Palmeiras, o flamenguista Evandro Gatto, 48 anos, internado no Hospital de Base desde que foi brutalmente espancado no Estádio Mané Garrincha, em 5 de junho, tornou-se refém da precariedade da saúde pública local. Na unidade hospitalar, o morador de Petrópolis (RJ) sente na pele o que milhares de brasilienses que precisam de atendimento médico sofrem diariamente.
Além de permanecer 10 dias na fila até que conseguisse um leito na unidade de terapia intensiva (UTI), ele até hoje não foi submetido a uma ressonância magnética, procedimento recomendado para quem sofre uma lesão na cabeça.Gualter Gatto, 69 anos, pai de Evandro, reclama das dificuldades enfrentadas para tratar o filho em Brasília. Segundo o aposentado, o filho ainda está desorientado, mesmo passados quase dois meses desde o jogo entre Flamengo e Palmeiras.
Eu procurei até a Justiça para tentar resolver esse problema. Eu espero que esta semana a gente consiga fazer esse exame de ressonância
Gualter Gatto
O pai de Evandro conta ainda que toda a família mora no Rio de Janeiro e tem gastado muito dinheiro para se manter na capital federal. Segundo o aposentado, o Governo do Distrito Federal deveria financiar o transporte do filho para casa.
“Eu venho tentando levar ele para o Rio, mas a ambulância é muito cara. O governo deveria se responsabilizar, já que tudo aconteceu dentro de um estádio de futebol, por falta de segurança”, reclama o aposentado.

A Secretaria de Saúde informou que não há prazo para Evandro ser submetido à ressonância magnética. Segundo a pasta, “o paciente encontra-se internado em um quarto do Hospital de Base, recebendo toda a assistência necessária e aguarda exame de ressonância”.
Questionada sobre o paciente nunca ter passado pelo procedimento, apesar de estar internado há mais de 50 dias, a Secretaria afirma que não se trata de um exame de emergência.
“A alta não depende do exame e ainda não foi dada devido ao quadro clínico. No Hospital de Base, ele já passou por tomografia computadorizada de crânio, cujo resultado foi ‘sem achados significativos’”, informou a Secretaria de Saúde, em nota. Ainda assim, não há previsão de alta.
A confusão
Durante o intervalo do jogo Flamengo x Palmeiras, torcedores do time paulista tentaram invadir a área destinada à torcida adversária.
No confronto, cerca de 30 palmeirenses espancaram Gatto, que teve de ser levado imediatamente ao hospital. A Polícia Militar precisou usar spray de pimenta para apartar a briga, e os agressores foram levados à delegacia. Os suspeitos, porém, não ficaram detidos porque não houve flagrante, segundo informou a Polícia Civil.
Não foi a primeira vez que Gatto esteve envolvido em brigas de torcidas. Em junho de 2015, ele já havia sido detido após um confronto na Arena Pantanal, em Cuiabá, em um jogo do rubro-negro contra o Vasco.
