Falta remédio para hipertensão pulmonar no DF desde novembro

Interrupção no tratamento pode levar à morte. Secretaria de Saúde afirma que receberá novo estoque na terça-feira (14/01/2020)

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 13/01/2020 19:53

Realizar as tarefas mais corriqueiras do dia a dia se tornaram ainda mais complicadas nesses últimos meses para as pessoas que sofrem de hipertensão arterial pulmonar (HAP). Sem reposição do medicamento Bosentana, responsável por amenizar os efeitos da doença desde meados de novembro, os pacientes se veem obrigados a paralisar o tratamento.

A HAP é um conjunto de alterações que dificultam a passagem do sangue pelas artérias e veias pulmonares, fazendo com que o líquido não consiga fluir bem pelos pulmões. A situação aumenta a pressão arterial e dilata o coração. Com o tempo, o órgão se desgasta, podendo causar falta de ar, insuficiência cardíaca e até a morte. Uma caixa com 60 comprimidos do remédio custa cerca de R$ 4,5 mil.

O Bosentana ajuda nessa circulação sanguínea. Sem o remédio, que deveria ser fornecido pela Secretaria de Saúde, o paciente passa a sobrecarregar o lado direito do coração e os sintomas se agravam.

“Falta de ar é o principal problema que as pessoas passam a sentir. Um tratamento intermitente, como o que enfrentamos aqui no DF, tem um impacto agudo na saúde delas”, afirma a pneumologista Verônica Amado, coordenadora do Ambulatório de HAP da Universidade de Brasília (UnB).

Cerca de 120 pessoas que sofrem de hipertensão pulmonar no DF precisam do medicamento apenas no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Pelo número pequeno e pouco variável, a médica diz não entender o motivo das recorrentes faltas do remédio. “Pelo menos uma vez por ano, há desabastecimento. A quantidade é previsível, não tem explicação para isso acontecer sempre”, reclama.

Uma dessas pessoas é Alessandra Marçal, 40 anos. Ela conta que soube da falta do Bosentana no começo de dezembro e, desde então, tentou racionar os comprimidos. “A minha prescrição é de dois por dia, mas fui diminuindo até tomar metade quando eu me sentia muito mal”, relata.

Mesmo controlando o uso, há duas semanas, o remédio acabou e ela não consegue pagar sozinha pela medicação, agravando os sintomas da doença. “Não consigo fazer nada. Fico o dia todo sentada ou deitada e preciso de ajuda até para ir ao banheiro, sendo carregada no colo”, lamenta.

Silvani Ferreira, 45, sofre do mesmo problema. Ela diz que já fez pelo menos cinco reclamações na Ouvidoria Geral do Distrito Federal, mas não obtém resposta. “Pedem prazo de 20 dias, mas isso é algo para hoje. Não pode deixar para amanhã. Cada dia a mais aumenta a possibilidade de nós morrermos”, desespera-se.

Moradora de um prédio sem escadas, ela diz que passou a demorar muito mais tempo para subir cada degrau. “Tem que ser com muita calma, tomando muita água. Fico ofegante facilmente”, explica.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde informou que a empresa responsável pelo fornecimento deve fazer a entrega de 1,2 mil comprimidos do medicamento Bonsetana na Farmácia Central na terça-feira (14/01/2020).

“A previsão é que o estoque das unidades da Farmácia do Componente Especializado (Alto Custo) esteja regularizado até o fim desta semana. A pasta esclarece que, pelo atraso na entrega, notificou a empresa, que alegou a falta do produto pela fabricante”, disse, por meio de nota.

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