A falta de luvas colocou em risco a realização de cirurgias eletivas na rede pública do Distrito Federal. Segundo médicos e enfermeiros, a escassez do item gerou a suspensão de procedimentos desde segunda-feira (06/05/2019). Ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde admitiu o problema de desabastecimento, mas negou o adiamento das operações.

De acordo com a pasta, são feitas quase 178 operações por dia, entre emergenciais e seletivas, em 14 dos 17 hospitais existentes na rede pública do Distrito Federal. No entanto, segundo o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Sindate), há risco de que o item desapareça das salas de cirurgia, caso o governo não tome providências.

“Liguei nos hospitais regionais de Taguatinga, Ceilândia e no Base. Nos três, as luvas estão acabando. A recomendação é de que sejam usadas com parcimônia”, alertou o diretor do Sindate, Newton Batista.

O presidente do Sindicato dos Médicos (Sindmédico), Guttemberg Fialho, destacou que a falta de luvas é geral e recorrente. “Tivemos cirurgias suspensas na semana passada e também no mês passado”, destacou. Pelo diagnóstico dele, o atraso nas operações eletivas abre brecha para o aumento dos procedimentos de emergência.

“De maneira improvisada, médicos são forçados a usar luvas de procedimento e estéreis. Além de serem bem mais caras do que as cirúrgicas, não deveriam ser usadas em operações. Elas são projetadas para tratamentos não invasivos”, explicou o dirigente sindical.

De acordo com relatos de servidores em grupos de WhatsApp, o adiamento de procedimentos eletivos é pior no hospitais regionais da Asa Norte (Hran), Taguatinga (HRT), Gama (HRG), Sobradinho (HRS), Ceilândia (HRC) e Paranoá (HRPa).

Novas compras
A Secretaria de Saúde comentou o caso por nota. “Não houve suspensão de procedimentos cirúrgicos devido à falta de luvas”, afirmou. Além disso, a pasta alegou que os estoques do item serão regularizados nos próximos dias.

“A pasta esclarece que obteve fracasso em dois pregões de luvas de procedimentos não estéreis tamanhos P e M. Os processos emergenciais para aquisição dessas luvas estão em andamento. As de tamanho P serão entregues até o final desta semana, e as de tamanho M estão com o processo de aquisição em fase de conclusão”, argumentou a secretaria.

Outro problema enfrentado pelo governo foi a falência do último fornecedor. Conforme o relato do órgão, isso detonou a inexecução de 100% da ata. “De forma que houve o desabastecimento de luvas cirúrgicas convencionais de tamanhos 7.0, 7.5 e 8.0. Para essas, não foi possível a adesão de atas, e o processo emergencial está em andamento”, justificou.

Na versão da Secretaria de Saúde, a rede busca minimizar a situação com compras pontuais pelo Programa de Descentralização Progressiva das Ações de Saúde (PDPAS). Há previsão de um pregão para a próxima quinta-feira (09/05/2019).