Saúde amplia público para receber Implanon no DF; veja grupos
Segundo a Secretaria de Saúde, método contraceptivo pode ser utilizado por mulheres de 14 a 49 anos que manifestem interesse

Quase cinco meses após a disponibilização gratuita do Implanon na rede pública do Distrito Federal, a Secretaria de Saúde (SES-DF) ampliou o acesso ao método contraceptivo e reforçou os critérios de atendimento nas unidades básicas.
Ao Metrópoles, a pasta informou que todas as mulheres na faixa etária de 14 a 49 anos que sejam elegíveis podem ter acesso ao implante subdérmico, sendo acolhidas pelas equipes de saúde da rede pública.
A secretaria destacou, no entanto, que a oferta segue o princípio da equidade do Sistema Único de Saúde (SUS), com prioridade para pessoas em maior vulnerabilidade social ou com condições clínicas específicas.
Entre os públicos contemplados, estão:
- Adolescentes (14 a 19 anos), com ou sem antecedentes obstétricos;
- Usuárias de Talidomida ou parceiras estáveis de usuários do medicamento, quando indicado;
- Mulheres com tuberculose multidroga resistente em uso de aminoglicosídeos;
- Puérperas de alto risco com comorbidades graves que contraindiquem nova gestação;
- Vítimas de violência doméstica encaminhadas por serviços como o Núcleo de Prevenção e Assistência a Situações de Violência (NUPAV) e casas de acolhimento;
- Mulheres privadas de liberdade e adolescentes em medida socioeducativa;
- Vítimas de violência sexual atendidas no Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei do DF (PIGL-DF);
- Moradoras de áreas rurais;
- Mulheres com deficiência que não desejem gestar ou cuja condição contraindique a gestação;
- Indígenas, imigrantes, refugiadas e apátridas;
- Profissionais do sexo;
- Mulheres com endometriose profunda;
- Mulheres cadastradas no CadÚnico;
- Homens trans.
Como exemplo, a SES-DF citou o atendimento de duas mulheres de 20 anos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), sendo uma delas em situação de rua.
Nesse caso, após o acolhimento, o implante é priorizado para a paciente em condição de maior vulnerabilidade, enquanto a outra usuária pode ser atendida na sequência ou ter o procedimento agendado.
“Assim, mulheres pertencentes aos grupos prioritários podem ter acesso mais célere ao procedimento, sem que isso represente restrição ou impedimento às demais usuárias interessadas”, diz a nota.
O atendimento ocorre nas UBSs, onde as equipes realizam orientação sobre métodos contraceptivos e organizam o fluxo para inserção do implante conforme a capacidade de cada unidade.
No último sábado (13/6), durante a passagem da carreta de exames de imagem do programa Agora Tem Especialistas por Ceilândia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou o envio de mais 12 mil unidades do Implanon para a rede pública do DF.
Sobre o método
O dispositivo é um pequeno bastão flexível inserido sob a pele do braço que libera hormônio continuamente, impedindo a ovulação. Considerado um dos contraceptivos mais seguros, o método tem eficácia superior a 99% e duração de até três anos.
Embora o Ministério da Saúde recomende que o método seja disponibilizado para mulheres de 14 a 49 anos, a definição do público-alvo cabe a cada secretaria estadual ou municipal.
Segundo a SES-DF, desde fevereiro deste ano foram realizados 6.692 procedimentos de inserção do implante na rede pública do DF.
Como ter acesso
Quem se enquadra nos critérios deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. O fluxo inclui consulta com médico ou enfermeiro para avaliação do histórico clínico e verificação de contraindicações. Não havendo impedimentos, a inserção pode ser feita na própria unidade.
Após três anos, o implante deve ser retirado. Caso haja interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo SUS. Segundo a SES-DF, a fertilidade retorna rapidamente após a remoção.

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