Implanon: saiba quem tem direito ao contraceptivo pela rede pública do DF
Secretaria de Saúde do DF dispõe de mais de 10 mil unidades do contraceptivo para aplicação gratuita; conheça quem tem prioridade
atualizado
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A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) dispõe de mais de 10 mil unidades do contraceptivo Implanon em estoque para aplicação gratuita nas unidades públicas.
A oferta começou neste ano, após a rede pública do DF receber 10.095 unidades do dispositivo em dezembro de 2025. Inicialmente, o contraceptivo será ofertado a grupos prioritários.
Confira os públicos contemplados:
- Adolescentes (14 a 19 anos), com ou sem antecedentes obstétricos;
- Usuárias de Talidomida ou parceiras estáveis de usuários do medicamento, quando indicado;
- Mulheres com tuberculose multidroga resistente em uso de aminoglicosídeos;
- Puérperas de alto risco com comorbidades graves que contraindiquem nova gestação;
- Vítimas de violência doméstica encaminhadas por serviços como o Núcleo de Prevenção e Assistência a Situações de Violência (NUPAV) e casas de acolhimento;
- Mulheres privadas de liberdade e adolescentes em medida socioeducativa;
- Vítimas de violência sexual atendidas no Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei do DF (PIGL-DF);
- Moradoras de áreas rurais;
- Mulheres com deficiência que não desejem gestar ou cuja condição contraindique a gestação;
- Indígenas, imigrantes, refugiadas e apátridas;
- Profissionais do sexo;
- Mulheres com endometriose profunda;
- Homens trans.
Embora o Ministério da Saúde recomende que o método seja disponibilizado para mulheres de 14 a 49 anos, cabe às secretarias estaduais e municipais definir o público-alvo.
No Distrito Federal, a SES-DF estabeleceu critérios de prioridade voltados a grupos em situação de maior vulnerabilidade social ou com necessidades clínicas específicas.
A ampliação da população beneficiada acontecerá após o recebimento de novo quantitativo.
O implante subdérmico é um pequeno bastão flexível inserido sob a pele do braço, que libera hormônio continuamente e impede a ovulação. Com eficácia superior a 99% e duração de até três anos, o método é considerado um dos mais seguros disponíveis atualmente. Na rede privada, o custo varia entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.
Em 10 de fevereiro, a SES-DF informou ao Metrópoles que haviam sido realizados 57 procedimentos. Dois dias depois, em 12 de fevereiro, o número subiu para 102 inserções, aumento de 45 procedimentos no período.
Como ter acesso
Quem se enquadra nos critérios deve procurar a unidade básica de saúde (UBS) de referência. O fluxo inclui consulta com médico ou enfermeiro para avaliação do histórico clínico e verificação de contraindicações. Não havendo impedimentos, a inserção pode ser feita na própria unidade.
Após três anos, o implante deve ser retirado. Caso haja interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo SUS. Segundo a SES-DF, a fertilidade retorna rapidamente após a remoção.
Além de evitar gravidez não planejada, a ampliação do acesso a contraceptivos integra a estratégia do Ministério da Saúde para reduzir a mortalidade materna, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
A meta é diminuir em 25% a mortalidade materna geral e em 50% entre mulheres negras até 2027.
Mais vantajoso
Assim como o DIU (dispositivo intrauterino), o Implanon é classificado como contraceptivo reversível de longa duração (LARC, na sigla em inglês). Por não depender de uso diário ou contínuo, como ocorre com anticoncepcionais orais ou injetáveis, é considerado altamente eficaz no planejamento reprodutivo.
Além disso, a inserção é simples e rápida, feita por médicos e enfermeiros devidamente capacitados, apenas com anestesia local, realizada na parte interna do braço. Após o procedimento, o dispositivo pode atuar no organismo por até três anos.
Outra vantagem é a sua efetividade: o implante contraceptivo subdérmico apresenta taxa superior a 99%, sendo comparável à laqueadura.
