Sargento é afastado após denúncia de assédio em escola militarizada

Em um dos textos enviados a uma menina, o praça manda "um beijo no cantinho da boca". Corregedoria da corporação investiga o caso

atualizado 04/06/2019 15:19

JP Rodrigues/Metrópoles/ Foto ilustrativa

Um sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi afastado após uma denúncia de assédio no Centro Educacional 03 de Sobradinho, uma das quatro escolas militarizadas da capital do país. O praça teria trocado mensagens com uma estudante e, em um dos textos enviados à garota, mandado “um beijo no cantinho da boca”.

Ao Metrópoles, o secretário de Educação, Rafael Parente, afirmou que o policial foi afastado preventivamente das funções nessa segunda-feira (03/05/2019).

“Foi aberta uma sindicância para investigar o que aconteceu. Sugerimos que ele fosse afastado durante a investigação e a PMDF acatou. Nas investigações oficiais, todos serão ouvidos”, explicou.

Ainda de acordo com o chefe da pasta, o colégio tomou conhecimento de uma possível vítima, mas será verificado se outras estudantes também sofreram assédio. A Polícia Militar confirmou à reportagem que o caso foi enviado à corregedoria da corporação e ressaltou, por meio de nota, que a PMDF “não admite tal conduta.”

Veja a mensagem:

Mensagem que o PM teria enviado para estudante de Sobradinho

 

O secretário de Educação também se manifestou sobre o caso em sua conta no Twitter:

Inquérito
Na manhã desta terça-feira (04/06/2019), policiais civis foram até a escola. O delgado-chefe da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), Hudson Maldonado, afirmou que foi procurado pela comunidade e vai abrir inquérito para apurar o caso.

“Por mais que o suposto crime tenha como investigado um militar, entendemos que, por a vítima ser menor e civil, podemos atuar. Vamos fazer uma investigação imparcial e transparente. Pretendo intimar os envolvidos e colher os depoimentos nos próximos dias”, disse.

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa participou de reunião no colégio e afirmou, por meio de nota, que, desde o início do ano letivo, recebe denúncias sobre a violação de direitos nas escolas públicas militarizadas.

“A comissão tem atuado desde que recebeu relatos sobre a conduta do policial militar. Estamos acompanhando o caso de perto e elaboraremos relatório com as denúncias já registradas na CDH para que o GDF, a Corregedoria da PMDF e o Ministério Público se pronunciem”, informou o deputado distrital Fábio Felix (PSol), presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF .

Polêmica
A ação de policiais militares derrubando e imobilizando alunos no Centro Educacional 07 de Ceilândia, após uma briga entre estudantes em abril deste ano, ajudou a reacender o debate sobre a gestão compartilhada na rede pública do DF. O caso foi registrado na Delegacia da Criança e do Adolescente de Ceilândia (DCA II) e encaminhado à Corregedoria da PMDF.

Vídeos feitos pelos estudantes circularam nas redes sociais. As imagens mostram um aluno sendo derrubado e imobilizado por um policial militar. O jovem está no chão e o PM permanece sobre ele. Também é possível ver um segundo estudante sendo controlado por outros agentes de segurança.

A ação foi filmada por alunos que questionam a truculência dos policiais. A direção da escola, a Secretaria de Educação e a PMDF afirmaram que os policiais agiram para conter a briga e evitar uma confusão generalizada.

Segundo a direção da escola, 1.350 alunos participavam de uma atividade coletiva, no início da aula, quando é cantado o Hino Nacional e hasteada a bandeira. Ainda de acordo com a versão do colégio, três estudantes teriam começado uma briga.

Quatro escolas
No Distrito Federal, quatro escolas têm gestão compartilhada com a Polícia Militar. São elas: os centros educacionais 03 de Sobradinho; 308 do Recanto das Emas; 01 da Estrutural; e 07 de Ceilândia.

O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que o programa será continuamente ampliado. Até julho de 2019, serão 20 escolas da PMDF, número que vai dobrar até o final do ano. Ele prevê que, até o término de seu mandato, o DF terá 200 escolas militares.

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