DF: 175 escolas com pior desempenho recebem “intervenção” do governo

Secretaria de Educação conclui levantamento que identificou quais centros de ensino serão alvo do programa Escolas Prioritárias

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 07/03/2019 21:41

Centros de ensino públicos do Distrito Federal com problemas graves de estrutura, falta de pessoal e os mais baixos índices de aprendizagem apresentados na capital farão parte de um novo programa do governo. Na próxima semana, o GDF lança o Escolas Prioritárias. A iniciativa vai alterar a metodologia em 175 instituições listadas pela Secretaria de Educação, que passarão por medidas emergenciais. Além disso, a equipe de orientadores educacionais será ampliada.

Durante o levantamento feito pela Secretaria de Educação, os profissionais da pasta encontraram situações gravíssimas. Em uma das escolas, foi identificada taxa de reprovação de 81% dos estudantes. Em outras, parte das estruturas estão condenadas e correm o risco de desabar. Existem ainda casos em que o resultado de aprendizagem é inferior ao de colégios precários do interior do país, os quais nem banheiro têm.

Conforme o Metrópoles adiantou, o Escolas Prioritárias tentará reverter o quadro caótico de parte das 693 escolas públicas da capital. Auditoria do Tribunal de Contas do DF (TCDF) já apontava que 90% das instituições precisavam de reformas. Alguns casos são de reconstrução: “Já começamos as obras em algumas. Em uma unidade da Asa Sul, por exemplo, quase metade da escola está fechada. As obras lá estão em andamento”, afirmou o secretário de Educação do DF, Rafael Parente.

Ainda segundo Parente, o choque não é apenas na estrutura: ocorrerá na gestão e na metodologia de ensino. A Secretaria de Educação identificou que existem professores que faltam três dos cinco dias de aula na semana. A situação será investigada pela corregedoria e sanada. “Em alguns casos, há um acordo com os gestores, os professores não fazem coordenação e nada é repassado. Isso vai acabar. É preciso seguir um padrão, cumprir os horários e estar na escola”, ressaltou.

Nesta primeira fase de implantação da iniciativa, os nomes das escolas não serão divulgados, a pedido da Secretaria de Educação. A pasta teme que as instituições sejam estigmatizadas, especialmente as que apresentam aproveitamento baixo, e haja um processo de evasão de alunos.

Material didático
Além da rigidez no cumprimento das regras das escolas, será alterada a metodologia de ensino. O currículo é o mesmo de toda rede, baseado no Currículo em Movimento para a Educação e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas uma equipe de professores, entre 15 e 20 integrantes, já prepara os novos livros, com materiais de autoria própria para o ensino. “Vai ser impresso e entregue nas escolas. O currículo é que vai guiar a elaboração. Vamos adaptar tudo para a base comum”, adiantou o secretário.

Haverá ainda tablets para os professores e alunos, ampliação do número de orientadores educacionais e formação para os docentes por meio do Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação (Eape). A ideia para realizar as melhorias é fechar parcerias com a iniciativa privada, trabalhar para a destinação de emendas parlamentares e usar os recursos definidos na Lei Orçamentária Anual para a Educação.

Gestão compartilhada com a PM
O processo ocorre em paralelo ao Programa de Gestão Compartilhada com a Polícia Militar. Os colégios que entrarem no Programa Escolas Prioritárias não poderão acumular participação com a outra iniciativa.

“Percebemos que a violência ocorre muito mais nos últimos anos do ensino fundamental do que no ensino médio. Das 175 escolas, não sabemos quantas vão participar de fato, mas, se alguma for escolhida para a gestão com a PM, não poderá acumular os projetos”, explicou Parente.

Embora a aceitação do modelo militar tenha sido apontada como positiva por alguns pais e professores, o secretário de Educação ressalta que essa não pode ser a única solução.

“Não adianta ter um trabalho muito bem-feito em alguns colégios se há contradição no modelo. Vamos alterar o regimento escolar interno. Será rigoroso para todas as escolas. O assunto tem de ser tratado em toda a rede pública, não somente em pontos isolados”, disse o secretário.

Sindicato contesta
Ao ser questionado sobre o novo programa do GDF, o Sindicato dos Professores (Sinpro) reagiu. “O governo precisa entender que todas as 693 escolas precisam ser priorizadas. Vários alunos estão até hoje sem receber os livros didáticos. Todas as unidades precisam de investimentos, bibliotecas, laboratórios modernos com internet que funcione adequadamente e professores concursados para ocuparem as vagas, sem a necessidade de ‘terceirizar serviços de informática’”, disse, por meio de nota.

Ainda de acordo com a entidade, “a prática desse governo vem sendo de fechar espaços de leitura e de vídeo em várias escolas, transformando as mesmas em salas de aula, já que não vem construindo nem ampliando as mesmas, mesmo sabendo do aumento do número de alunos, que cresce a cada ano nas escolas públicas do DF”.

“É por isso que muitos professores estão adoecendo, pois muitos trabalham em condições insalubres, muitas vezes com salas superlotadas e sem ventilação”, criticou o sindicato.

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