Saiba quem é o personal alvo de apuração de tráfico em avião da FAB

Conhecido como "Macaco", o profissional da área de educação física costuma circular em festas promovidas pela alta roda de Brasília

atualizado 26/03/2021 12:51

casalJP Rodrigues/Metrópoles

O brasiliense Márcio Moufarrege é o personal trainer alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (25/3). Conhecido como “Macaco”, o profissional da área de educação física costuma circular em festas promovidas pela alta roda de Brasília. Ele é investigado no âmbito da Operação Quinta Coluna, deflagrada com o objetivo de apurar a atuação de uma associação criminosa que utilizou aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para enviar drogas à Espanha.

Moufarrege mora de aluguel em uma mansão localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília. Desembolsa cerca de R$ 10 mil por mês para residir no imóvel e leva um estilo de vida sofisticado. Macaco também figura como sócio-proprietário de duas empresas, cada uma com capital social de R$ 100 mil. Na Polícia Civil do DF, o Márcio é citado em ocorrências envolvendo brigas de rua. Os procedimentos geraram termos circunstanciados (TCs).

Os investigadores trabalham para materializar suposto vínculo entre o personal trainer e o sargento da FAB Jorge Luiz da Cruz Silva, conhecido como Salve Jorge, preso no último dia 18. Logo após ser alvo da operação, o militar foi exonerado do cargo de assessor especial que ocupava no gabinete do vice-governador do DF, Paco Britto (Avante).

Veja imagens do imóvel:

Prisão

Ainda no último dia 18, o Comando da Aeronáutica, com apoio da PF, prendeu o sargento Jorge Luiz e mais três pessoas que estariam envolvidas no tráfico de 37 kg de cocaína achados em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), em junho de 2019, na Espanha.

O grupo teria ajudado o também sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues a traficar a droga – o avião, usado em apoio à Presidência da República, saiu do Brasil e pousou na Espanha. Nessa ocasião, foram detidos outros três militares, além da esposa de Manoel. São eles:

  • Tenente-coronel Alexandre Augusto Piovesan;
  • 2º sargento Márcio Gonçalves de Almeida;
  • 2º sargento Jorge Luiz da Cruz Silva (cumprimento de mandado de busca e apreensão);
  • Wikelaine Nonato Rodrigues (esposa de Manoel).

Foram apreendidos computadores, celulares e documentos das pessoas envolvidas. Um ex-soldado da Aeronáutica, também com prisão decretada e cunhado do militar preso na Espanha, não foi encontrado.

Mulas

Dados colhidos no celular de Wikelaine Rodrigues mostram que ela e Jorge Luiz da Cruz Silva sabiam da atividade ilícita e participaram do esquema, auxiliando Manoel Rodrigues.

Há informações de que Manoel Rodrigues adquiriu um celular apenas para falar com os traficantes. O aparelho teria sido ocultado pela esposa após a prisão dele na Espanha.

As investigações apontam, ainda, que Jorge Luiz da Cruz Silva tinha a função de recrutar “mulas”, militares da FAB, para o transporte de substâncias ilícitas. Provas colhidas pela Polícia Federal revelam que ele tinha contato com Manoel Rodrigues por meio de mensagens de celular. Os textos enviados por Silva sempre continham a expressão “Oi, Amor” no início.

Os dois se encontraram antes das viagens realizadas por Rodrigues no avião da FAB, em 29 de abril e 24 de junho. Jorge Silva trocou o celular após a prisão do sargento.

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