Sacrário roubado de igreja do DF é localizado em ferro-velho

Os suspeitos do roubo venderam o tabernáculo, que estava danificado, por R$ 160 à proprietária do estabelecimento

atualizado 25/04/2019 9:04

Éric Zambon/Metrópoles

Uma proprietária de um ferro-velho em Samambaia foi surpreendida nesta quarta-feira (24/04/2019) por dois homens tentando vender o sacrário da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, da 702 Norte, do Plano Piloto de Brasília. O tabernáculo havia sido levado em pleno domingo de Páscoa. Segundo o pároco Kazimerz Wojno, chamado pela comunidade de padre Casemiro, a peça de ouro foi doada há 20 anos e tem valor estimado em R$ 20 mil.

Quebrado e torto, o item foi negociado com a proprietária do estabelecimento por R$ 160. De acordo com o presbítero, o sacrário foi devolvido à Igreja em mal estado. “A dona do ferro-velho o reconheceu, comprou e o trouxe até nós”, contou o padre ao Metrópoles.

Ainda segundo o sacerdote, com medo, a mulher não quis revelar o nome dos envolvidos. “Eu não considero que recuperamos o sacrário. Você considera algo quebrado, destruído, torto, riscado e desmontado como algo recuperado?”, questionou. Ele pediu ajuda da comunidade para a restauração da peça.

De um lado ficamos felizes, mas, por outro, preocupados por não saber como faremos para recuperá-lo

Padre Casemiro

As cerca de 70 hóstias consagradas que estavam dentro do sacrário, no entanto, não foram localizadas. Segundo o pároco, na hora em que as pessoas foram negociar o sacrário no ferro-velho, elas não estavam mais lá. As partículas são o corpo de Jesus Cristo aos católicos.

Por isso, na noite dessa quarta-feira, os fiéis organizaram um cenáculo de reparação – uma noite de oração por conta do mal praticado contra a fé – no próprio santuário. “Somos todos Igreja, somos todos católicos, não importa a paróquia que você faz parte”, dizia o convite, que circulou nos últimos dias nos grupos de WhatsApp.

A 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) investiga o caso. O delegado responsável, Laércio Rossetto, explicou que não foram registradas imagens do crime. Por isso, os funcionários da paróquia foram chamados para prestar depoimentos. Os investigadores querem saber se houve participação de alguém que frequenta o local.

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À reportagem, os trabalhadores afirmaram que as portas estavam fechadas durante a tarde de domingo, depois da missa das 11h, quando o tabernáculo foi roubado, e especulam que o autor do crime tenha tido acesso a alguma chave, pois uma das entradas laterais apareceu destrancada. “O que mais chateia a gente é o sentimento, porque foi um presente para nós”, lamentou o sacerdote.

Ainda pesou para o pároco o fato de o assalto ter acontecido no domingo de Páscoa, a maior festividade da igreja católica, que marca a ressurreição de Jesus. “Este sacrário foi comprado em uma loja especializada, no Vaticano”, contou padre Casemiro. Ele disse ao Metrópoles ter buscado o tabernáculo pessoalmente e o instalado na paróquia. Feito de ouro, o item pesa de 50 a 70 kg.

Não foi a primeira vez que a igreja foi alvo de criminosos. No fim do ano passado, as caixas de som foram roubadas e o padre ordenou, então, que fossem colocadas em um ponto mais alto, próximo aos vitrais.

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