Fé e emoção. Pentecostes leva milhares de fiéis ao Taguaparque

Pessoas do DF e de outros estados e países lotaram o local para pedir bençãos e agradecer a Deus, entre sexta e domingo (09/06/2019)

Andre Borges /Especial para o Metrópoles

atualizado 10/06/2019 11:57

Fiéis católicos do Distrito Federal, de outros estados e países se reuniram, neste fim de semana, no Taguaparque, para a 21ª edição da Semana de Pentecostes. Segundo a Polícia Militar, até as 18h30 deste domingo (09/06/2019), cerca de 150 mil pessoas passaram pelo local, que teve como ápice a realização de uma santa missa. Nos três dias de celebração, de acordo com a corporação, pelo menos 300 mil pessoas participaram das celebrações. A organização fala em público de três milhões.

A data marca a “descida” do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos com Maria. Trata-se do ápice do mistério pascal. Os coordenadores do evento destacam que a edição brasiliense é a maior reunião paroquial do mundo. “Aqui, recebemos gente de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e até de fora do Brasil, como Estados Unidos e Canadá”, afirma César Torres, integrante da coordenação.

Lusilene Rodrigues da Costa, de 40 anos, trouxe o filho Cauã dos Santos, 5. Durante a gestação, ele foi diagnosticado com diversos problemas e com poucas perspectivas de sobreviver. “Os médicos diziam que ele ficaria vegetando sobre uma cama. Hoje, ele está aqui, esperto. Vim pedir por ele e agradecer. Agora, peço que consiga fortalecer as pernas e andar. Ele tem má-formação na coluna. Faz tratamento, mas disseram que depende dele andar”, contou.

A história de esperança da mãe de Cauã começou durante os dias próximos ao parto. A mãe dela, Maria Divina Gomes de Lima, 62, acendeu velas de Pentecostes pedindo pela saúde de ambos. “Eles estavam correndo risco. Ela tem epilepsia e já havia tido um derrame. Depois disso, ela quase não teve mais crise. Os dois conseguiram sobreviver ao parto”, contou Maria Divina.

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Renata Souza, 32, digitadora, retornou à celebração depois de ficar afastada: “Este ano conheci uma pessoa no trabalho que me incentivou. Foi preciso vir apenas no primeiro dia para me animar pelos outros. Busca de bênçãos, paz, saúde. A gente tem tempo para tudo e pouco para Deus. Por isso, vim agradecer”.

Ajuda
Durante a celebração, Padre Moacir brincou com os fiéis sobre os pagamentos dos custos da festa que há nove anos ocorre no Taguaparque: “Preciso da ajuda de vocês. Disseram-me que tem quase dois milhões de pessoas aqui, preciso que vocês deixem de ser murrinhas e ajudem a custear a celebração. É bom receber, então vamos ajudar também. Se cada um der R$ 2, o evento se paga. Se eu não conseguir pagar, como no ano que vem eu me comprometo com os contratos? Se eu não conseguir, ano que vem não tem Pentecostes”.

A ausência de políticos também foi visível. Diferentemente de 2018, quando todos buscavam votos, este ano apenas o senador Izalci Lucas (PSDB), o deputado distrital Jorge Vianna (Podemos) e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB) compareceram à área reservada às autoridades. Mesmo com a ausência do governador Ibaneis Rocha (MDB), o chefe do Executivo foi lembrado por Moacir.

“Quero reforçar o agradecimento ao governador que não veio, mas deu todo o apoio e fez os secretários cumprirem seu papel. Agora, aplaudam ele, porque vocês votaram nele, agora, aplaudam. Ano que vem ele vem. O presidente [Jair Bolsonaro (PSL)] também vinha, mas acharam que seria perigoso”, afirmou o sacerdote.

Ao final da celebração, Padre Moacir agradeceu a presença de fiéis de todas as partes do Brasil e de fora do país. “Sentimento de alegria e gratidão por ver essa multidão. Começamos na paróquia São Pedro com 20 mil fiéis e, agora, ver mais de um milhão e meio de pessoas é gratificante”.

Lava Jato

É o primeiro ano do evento após o Ministério Público Federal (MPF) arquivar as investigações contra o padre Moacir Anastácio de Carvalho e pedir à Justiça do Paraná o encerramento do inquérito contra o religioso, líder da Paróquia São Pedro, em Taguatinga, mentor da Festa de Pentecostes.

Ligado ao ex-senador Gim Argello, padre Moacir tornou-se alvo da Lava Jato após receber doações de empreiteiras que pagavam propina a políticos em troca de benefícios. De acordo com o MPF, porém, não foram encontrados indícios suficientes que confirmassem o envolvimento dele nos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro comandados pelo ex-senador, nem irregularidades na doação de valores da construtora OAS para a paróquia.

Em julho de 2017, o Metrópoles mostrou que a Polícia Federal também havia concluído as investigações e inocentado padre Moacir de acusações da Operação Lava Jato por não ter encontrado irregularidades contra ele.

Segundo a PF, o dinheiro doado pela OAS foi usado exclusivamente na festa de Pentecostes e em uma obra de estacionamento para a igreja.

 

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