“Rei do rebaixamento”: quem é homem condenado por manipular jogos
Esquema atuou em goleadas contra no Candangão 2024 e contribuiu para o rebaixamento do time do Santa Maria
atualizado
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Apontado como o “rei do rebaixamento”, William Pereira Rogatto foi condenado pela Justiça do Distrito Federal a 13 anos e 6 meses de prisão por liderar um esquema de manipulação de jogos no Candangão 2024 — fraude que terminou com a queda do Santa Maria.
Segundo as investigações, Rogatto é o principal mentor de um grupo formado por quatro pessoas que atuou para interferir diretamente em partidas do campeonato local. O esquema teria manipulado, ao menos, dois jogos do Santa Maria, com impacto direto na tabela e no rebaixamento do clube.
Não é a primeira vez que o nome do apostador aparece em apurações. Em 2020, a Polícia Civil de São Paulo (PCSP) investigou suspeitas de que ele teria feito propostas a jogadores, por meio de mensagens, para influenciar resultados de partidas da Série A3 do Campeonato Paulista.
A condenação mais recente é resultado da Operação Fim de Jogo, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal. A Justiça entendeu que o grupo atuava de forma estruturada para manipular resultados e obter vantagens com apostas esportivas.
Ele estava preso desde setembro do ano passado, quando foi extraditado de Dubai para o Brasil após período foragido no exterior. Desde então, permanece detido em Brasília.
Jogos manipulados
As investigações identificaram partidas com fortes indícios de fraude. Uma delas ocorreu em fevereiro de 2024, quando o time perdeu por 5 a 0 para o Gama, no Bezerrão.
De acordo com o Ministério Público, os dois atletas envolvidos participaram diretamente de lances que resultaram em gols suspeitos. Além disso, foram identificados indícios de que apostadores já tinham conhecimento prévio dos resultados, com palpites registrados em sites especializados antes dos jogos.
Os jogadores também já haviam sido apontados como suspeitos de manipulação quando atuavam pelo Desportiva Aliança.
Como funcionava o esquema
As apurações indicam que o grupo operava com divisão de tarefas. Rogatto liderava o esquema, enquanto Amauri Pereira dos Santos atuava como intermediador, fazendo a ponte entre o comando e os atletas.
Os jogadores Alexandre Batista Damasceno e Nathan Henrique Gama da Silva foram apontados como executores, participando diretamente de jogadas que resultaram em gols nas partidas manipuladas.
Os investigadores identificaram padrões suspeitos de apostas, movimentações financeiras atípicas e indícios consistentes de que parte dos apostadores tinha acesso antecipado aos resultados.
A fraude teve impacto direto na competição: o Santa Maria terminou o campeonato na última colocação e acabou rebaixado.
Na decisão, o juiz destacou que o esquema comprometeu a integridade esportiva, afetou a credibilidade do campeonato e contribuiu para a desestruturação do clube. O magistrado também ressaltou que os crimes extrapolam o esporte, atingindo a confiança pública nas competições e o funcionamento regular das instituições.
Outros condenados e desdobramentos
Além de Rogatto, também foram condenados:
Amauri Pereira dos Santos: 11 anos e 10 meses de prisão em regime fechado;
Alexandre Batista Damasceno: 7 anos de prisão em regime semiaberto;
Nathan Henrique Gama da Silva: 7 anos de prisão em regime semiaberto.
A presidente do Santa Maria, Dayana Nunes Feitosa, foi absolvida por falta de provas.
A Justiça manteve a prisão preventiva de Rogatto, enquanto os demais condenados poderão recorrer em liberdade.
