Justiça do DF condena quarteto por manipulação de jogos no Candangão

Quatro pessoas foram condenadas por manipularem placares de ao menos dois jogos do Santa Maria durante o Candangão 2024

atualizado

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imagem colorida de William Rogatto, conhecido como "Rei do Rebaixamento", acusado de manipulação de jogos
1 de 1 imagem colorida de William Rogatto, conhecido como "Rei do Rebaixamento", acusado de manipulação de jogos - Foto: Reprodução/Redes sociais

A Justiça do Distrito Federal condenou quatro envolvidos, entre eles dois jogadores, por envolvimento em um esquema que agiu para manipular placares de ao menos dois jogos do Santa Maria durante o Candangão 2024, que terminou com o rebaixamento do clube.

Foram condenados o líder do esquema, que está preso desde 2024, William Pereira Rogatto (foto em destaque); o operador do esquema, Amauri Pereira dos Santos e os jogadores Alexandre Batista Damasceno e Nathan Henrique Gama da Silva.

O quarteto foi denunciado em 2024 após a Operação Fim de Jogo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).


As condenações e a participação de cada um

William Pereira Rogatto (líder do esquema): apontado como “Rei do rebaixamento”, ele foi condenado a 13 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado. Segundo a sentença, ele idealizou, estruturou e comandou a organização criminosa, assumindo o controle do departamento de futebol do clube e articulando a cooptação de jogadores para interferir diretamente nos resultados das partidas.

Amauri Pereira dos Santos (operador do esquema): identificado como operador do esquema dentro do clube, recebeu pena de 11 anos e 10 meses de reclusão, também em regime fechado. De acordo com o processo, ele atuava como intermediário entre o núcleo de comando e os atletas, sendo responsável por viabilizar a execução das fraudes no ambiente esportivo.

Alexandre Batista Damasceno (atleta): foi condenado a 7 anos de prisão, em regime semiaberto. A Justiça considerou que ele teve participação subordinada na organização criminosa, sem atuação de liderança ou influência nas decisões estratégicas do grupo.

Nathan Henrique Gama da Silva (atleta): também foi condenado a 7 anos, em regime inicialmente semiaberto. Assim como Alexandre, ele foi apontado como integrante de menor hierarquia, com atuação limitada à execução das atividades ilícitas.


Por outro lado, a presidente do Santa Maria Dayana Nunes Feitosa foi absolvida das acusações, com base na ausência de provas suficientes para sustentar a condenação.

Prisão mantida de William

Na decisão, o juiz destacou que o esquema criminoso comprometeu a integridade da competição esportiva, afetou a credibilidade do campeonato e contribuiu para o rebaixamento e desestruturação do clube envolvido. O principal condenado, William Rogatto, teve a prisão preventiva mantida e deverá permanecer preso, enquanto os demais poderão recorrer em liberdade.

As condenações tiveram como base, entre outros elementos, relatórios técnicos que apontaram padrões anômalos de apostas, comunicações financeiras suspeitas e análises detalhadas dos lances das partidas, que evidenciaram condutas esportivas consideradas incompatíveis com a normalidade do jogo. Também foram considerados depoimentos colhidos em juízo e provas produzidas ao longo da investigação.

Na decisão, o magistrado destacou que a manipulação dos resultados comprometeu a integridade das competições esportivas e afetou a confiança do público no campeonato. A sentença reconheceu que os fatos extrapolaram o âmbito esportivo, configurando crimes previstos na legislação penal, com impacto direto sobre a lisura do desporto e o regular funcionamento das instituições.

A Justiça negou o pedido do pagamento de R$ 400 mil do MP por dano moral coletivo, que alegava que o esquema prejudicou a credibilidade do futebol afetou a confiança da sociedade nas competições e atingiu um interesse coletivo, que é o esporte.

Jogos manipulados

A primeira partida investigada foi contra o Ceilândia, em 3 de fevereiro de 2024, no Estádio Abadião. O Santa Maria perdeu por 6 x 0. No segundo jogo, no último dia 18, o time jogou contra o Gama, no Estádio Bezerrão, e foi goleado por 5 x 0.

Além do envolvimento direto dos dois atletas em todos os lances que resultaram nos 11 gols desses jogos, segundo o Ministério Público, os investigadores conseguiram provas de que apostadores com palpites cadastrados para as duas partidas em sites especializados souberam previamente dos resultados.

As investigações revelaram, ainda, que os dois atletas tinham sido apontados como suspeitos de manipular jogos quando faziam parte da equipe do Desportiva Aliança.

 

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