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Longe da área da guerra há quatro anos, o sírio Ammar Kalsh, 24 anos, atualmente morador de Ceilândia (DF), afirmou estar extremamente preocupado com a escalada do conflito militar no seu país de origem. Na noite dessa sexta-feira (13/4), uma coalizão dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido promoveu ataques aéreos em Damasco, capital da Síria, como retaliação ao suposto uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad.

Apesar de estar a mais de 10 mil quilômetros de distância da capital síria, Kalsh declarou ao Metrópoles toda a apreensão vivida após receber as notícias sobre o bombardeio na cidade onde ainda moram vários parentes. “Meus pais conseguiram refúgio na Alemanha, estão a salvo, mas estou muito preocupado, principalmente, com a minha avó. Já perdi três tias na guerra e não quero perder mais ninguém”, desabafou o refugiado.

Dono de uma conhecida barbearia no Setor M, região de Ceilândia Sul, Ammar Kalsh tirou um pequeno tempo, entre um cliente e outro, para conversar com a reportagem acerca da crise bélica vivida em sua cidade natal. Ele revelou ter dificuldades em manter contato com os familiares que ainda vivem na Síria. “É muito difícil, porque quase não conseguimos nos falar mais. Eu e minha família usamos o Facebook e Skype, mas não funciona sempre”.

Nem mesmo o sotaque acentuado disfarçou o embargo na voz do sírio, que não tem boas previsões sobre o esperado cessar-fogo na região onde sua família insiste em permanecer. “Estou preocupado demais, pois quando a guerra crescer, vai acabar matando muita gente, inclusive da minha família. Quero muito trazê-los ao Brasil, principalmente a minha avó, uma das pessoas mais importantes para mim”.

Quando questionado a respeito da tensão dos próximos dias em Damasco, Kalsh respira fundo e deseja que a paz retorne ao país. “Tudo isso é muito, muito triste. Não dá para acreditar. Vai dar uma guerra grande. Só quero que Deus proteja nossa nação”, emocionou-se.

Bombardeio
Damasco, a capital da Síria, foi abalada por explosões que iluminaram os céus na noite dessa sexta (13). Além dos EUA, a ação teve apoio do Reino Unido e da França. Depois do bombardeio, o embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, afirmou, por meio de comunicado, que o ataque americano contra bases sírias “não ficará sem consequências”.

Foram atingidos, segundo a coalizão, quatro alvos descritos como locais de “capacidades químicas”: um centro de pesquisa científica em Damasco; uma instalação de armazenamento de armas químicas, localizada a oeste de Homs; um armazém de equipamentos de armas químicas; e um posto de comando.

O general Josefh Dunford, presidente do Joint Chiefs – um comitê de assessoramento do Pentágono –, garantiu que os alvos atingidos e destruídos estavam especificamente associados ao programa de armas químicas do regime sírio. “Também selecionamos alvos que minimizariam o risco para civis inocentes”, disse. Donald Trump falou em “ataque perfeitamente executado”

O bombardeio ocorreu uma semana depois de ONGs da Síria relatarem um ataque químico a civis na cidade de Douma, reduto rebelde próximo de Damasco, que dizimou dezenas de pessoas. O Conselho de Segurança das Organização das Nações Unidas (ONU) se mobilizou após os ataques aéreos e promete encontrar uma solução para os conflitos entre os países.