Quem é o ex-gerente de hotel de luxo no DF que humilhava funcionários
Alfredo Stefani Neto, 64 anos, teria por hábito ofender e discriminar funcionários do B Hotel. Justiça do DF aceitou denúncia do MPDFT
atualizado
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Ex-gerente-geral do B Hotel, Alfredo Stefani Neto (foto em destaque), 64 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) após uma série de relatos de que ele teria por hábito ofender e discriminar funcionários do hotel de luxo. Os crimes teriam ocorrido entre 2022 e o início de 2025.
Paulista, Alfredo tem mais de 30 anos de experiência na área de hotelaria – ele atuou em diversos destinos nacionais e internacionais.
Formado em design industrial pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e em direito pela Faculdade de Direito Milton Campos, Alfredo fez especializações na área de hospitalidade.
Veja fotos de Alfredo:
No currículo, Alfredo acumula experiências em diversos segmentos do setor hoteleiro, com passagens por resorts, empreendimentos corporativos e pousadas de luxo.
Acusado de crimes de homofobia e racismo, ele permaneceu na gerência do B Hotel de junho de 2022 até janeiro deste ano, quando foi afastado. Em abril, Alfredo acabou demitido.
O B Hotel, localizado no Setor Hoteleiro Norte, é um dos estabelecimentos do ramo mais renomados de Brasília e costuma receber diversos hóspedes ilustres, inclusive delegações de times e seleções de futebol.
Condutas discriminatórias
A Justiça aceitou a denúncia e tornou Alfredo réu. O MP alega que o ex-gerente apresentou condutas discriminatórias e ofensivas motivadas por preconceito de raça, origem regional, orientação sexual, identidade de gênero contra pelo menos nove vítimas.
A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) concluiu a investigação do caso e enviou ao MPDFT.
Segundo as apurações, Alfredo teria chamado as vítimas de “nordestina burra”, “vai comer cuscuz”, “terrinha seca”, em referência à Região Nordeste. Em outra ocasião, teria falado “Isso é uma coisa” , “na verdade é um cara”, e “não quero isso aqui”, ao se referir a uma hóspede transexual.
Em outro caso, Alfredo proferiu ofensas contra um funcionário, chamando-o de “bichona” e, ao se referir ao público LGBTQIA+ que frequentava evento próximo ao hotel, disse que “esses viados não vão embora”.
De acordo com a denúncia, o homem teria feito, também, comentários pejorativos sobre a aparência física e corporal de alguns empregados do hotel, criando ambiente de trabalho hostil, opressor e humilhante, conforme relatos de diversas testemunhas e vítimas do suspeito.
O MPDFT pede à Justiça do DF a indenização mínima de R$ 5 mil às vítimas, para reparação dos danos causados pela infração de racismo e homotransfobia, nos termos do artigo 387, IV, do Código de Processo Penal (CPP).
Após aceitar a denúncia, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) deve, agora, levar o caso a julgamento. Se condenado, Alfredo pode pegar pelo menos 10 anos de prisão.
O que diz o B Hotel
Em nota, o B Hotel afirma que, assim que soube das denúncias, “determinou seu afastamento imediato, conduziu uma apuração interna rigorosa”.
“Diante das evidências, procedeu ao seu desligamento por entender que o comportamento deste funcionário não estava alinhado com os valores inegociáveis do grupo de respeito à diversidade e inclusão nem à altura do serviço de excelência de nossos mais de 280 colaboradores”, acrescentou.
A empresa disse, ainda, que adotou “uma série de medidas que visam melhorar nossos mecanismos de controle e políticas internas”, como a “contratação de consultores especializados em diversidade”, realização de treinamentos obrigatórios sobre “vieses implícitos, respeito às diferenças e ambiente de trabalho livre de discriminação” e criação de canais de denúncia.








