Quatro são indiciados por espancar e matar jovem no Parque da Cidade
Acusados, entre eles uma mulher, responderão por homicídio duplamente qualificado. Vítima foi confundida com ladrão de celular e óculos
atualizado
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A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu o inquérito sobre a morte do estudante Victor Martins Melo (foto em destaque), 16 anos. Foram identificados quatro maiores envolvidos nas agressões. Eles estão presos, temporariamente, desde o início de julho. A 1ª DP (Asa Sul) indiciou o grupo por homicídio duplamente qualificado.
São eles: Wesley Vinícius Moreira de Melo, 20; Marcela Sabrina da Silva, 24; Wellington Silva Alves, 23; e Alan Luiz da Silva Júnior, 23. A mulher foi a única a confessar o crime. Ela disse que deu vários socos em Victor. Na casa da acusada, no Paranoá, a polícia encontrou uma chave de fenda suja de sangue. No entanto, de acordo com os investigadores, uma facada no coração causou a morte de Victor.
“De qualquer forma, a perícia vai fazer uma análise para ver se essa ferramenta foi usada para causar outros ferimentos na vítima”, disse o delegado-chefe adjunto da 1ª DP, João de Ataliba Neto. Se condenados, os quatro podem pegar de 12 a 30 anos de prisão.
O rapaz foi confundido duas vezes. Um grupo agrediu Victor porque pensou que ele havia furtado um celular. A turma de Marcela partiu para cima da vítima após suspeitar de que ela tinha furtado os óculos de outro colega. Mas o menor que, de fato, levou o aparelho de uma garota era amigo de Victor, que está sendo investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).
A polícia identificou a participação de mais 11 adolescentes no crime. Ao menos 15 pessoas agrediram Victor na saída de uma festa eletrônica. “Apesar de ainda não sabermos quem deu a facada no coração da vítima, indiciamos todos por homicídio duplamente qualificado, pois todos deixaram a vítima sem defesa e as agressões resultaram na morte”, explicou o delegado.
Victor foi espancado com vários instrumentos, como facas e garrafas quebradas. “Morreu em decorrência da hemorragia no coração”, informou o policial. Embora tenha confessado o crime, Marcela disse não se lembrar se os demais presos agrediram o adolescente. “Para nós, fica claro que todos os amigos dela participaram”, acrescentou Ataliba Neto.
A prisão temporária dos quatro vence no dia 6 de setembro. O caso será remetido ao Ministério Público nesta segunda (3/9) e a Justiça deve decidir se mantém o quarteto detido. “Esse é um crime bárbaro no coração da capital do país. Victor era um jovem que não costuma sair de casa sem os pais. Perdeu a vida por ser confundido”, lembrou o delegado.
O assassinato ocorreu durante uma festa eletrônica no Parque da Cidade, no dia 26 de maio de 2018.
Victor foi linchado por mais de 20 pessoas após ter sido acusado de furtar o aparelho de uma jovem que estava no evento. Apanhou até morrer. Os peritos identificaram uma perfuração no coração do adolescente, de 4,5cm. Os agentes buscam o autor desse golpe fatal.
Desde o início, os parentes de Victor contestaram a versão de furto. Dizem ele foi vítima de uma selvageria. Segundo a família, o garoto era caseiro e vivia para os estudos. Também trabalhava na loja do pai, na Asa Norte. O adolescente não tinha passagens pela polícia.













