Protagonistas de superações chegam a 2019 com mais vontade de viver

Dificuldades vencidas em 2018 renovam as esperanças de diversas pessoas e as motivam a lutar por novas conquistas no novo ano

Hugo Barreto / MetrópolesHugo Barreto / Metrópoles

atualizado 31/12/2018 19:29

“Viver intensamente” é a principal resolução de ano-novo da nutricionista Carolina Freza, de 28 anos. Ela é uma das pessoas que passaram por uma história de superação em 2018 e pretendem deixar o sofrimento para trás. Carol se curou de um câncer e renovou suas expectativas, assim como Maria, que viu seu bebê se recuperar de um problema no coração, e o vendedor ambulante Antônio Carlos, cujos filhos chegaram a faltar aula por não terem o que comer. Agora, eles trazem uma mensagem de esperança para 2019.

Mesmo jovem, Carolina passou quatro anos lutando contra o linfoma de Hodgkin, um câncer que ataca o sistema linfático. No fim de 2018, ela foi submetida ao tratamento mais agressivo: um transplante de medula combinado com fortes quimioterapias. Depois de 21 dias internada, o exame apontou que não há mais células cancerígenas no seu corpo.

O transplante foi o marco para encerrar o ciclo. Você ‘reseta’ o seu corpo. Enfrentar essa internação me deu sensação de uma vida nova, mais livre

Carol Freza, após superar o câncer

Nos anos de tratamento, a nutricionista conta nunca ter deixado a doença limitar seus objetivos. Junto ao noivo, abriu uma empresa de alimentação saudável. Ao mesmo tempo, compartilhou seu dia a dia no Instagram com incentivos a pessoas que também enfrentam a doença. Para ela, o estilo de vida foi fundamental para seguir firme em busca da cura.

Em 2019, Carol espera ampliar o negócio e apoiar ainda mais os pacientes com câncer. “Quero tornar a empresa maior para alcançar mais pessoas e mudar vidas. Quero ajudar mais pessoas que estão passando por esse problema. Sinto que é uma missão.”

O sorriso no rosto fez com que os momentos mais difíceis se tornassem mais leves. Em 2018, raspou a cabeça pela segunda vez. Em vez de lamentar por ter que se desfazer dos fios, transformou o momento em boa ação e arrecadou doações (veja o vídeo abaixo). “Foi emocionante. Eu chorei, mas não foi por tristeza”, relembra.

Coração
Jhennyfer Victória, de 5 meses, ficou entre a vida e a morte em setembro de 2018 passado. A mãe dela, Maria Amorim de Souza, de 40 anos, deixou o emprego e precisou brigar na Justiça para que a bebê tivesse acesso a atendimento de saúde adequado, no Instituto Cardiológico do Distrito Federal (ICDF). A menina, internada logo quando nasceu, precisaria de uma cirurgia no coração porque sofre de cardiopatia congênita.

Em outubro, a pequena passou por um cateterismo e uma boa notícia surgiu: talvez só precise fazer uma operação mais complexa quando for maior. Mãe e filha estão na casa onde moram, em Girassol, no Entorno do Distrito Federal, e a bebê respira sem ajuda do aparelho de oxigênio, ao qual a mãe recorre apenas em momentos de inquietação.

Eu via os outros passando por isso, mas não é a mesma coisa quando é com você. Ela veio para me ensinar. Eu sei que Deus existe no mundo e eu aprendi a confiar nele

Maria Amorim de Souza, mãe de Jhennyfer Victória

Em janeiro, Jhennyfer vai passar pela primeira revisão médica de 2019. Com expectativa de que seja um ano melhor, Maria pretende retomar o emprego no supermercado onde trabalhava, para voltar a sustentar a casa. “Só espero a recuperação de minha filha e das outras crianças do hospital. Espero que seja um ano de muita saúde, de recuperação e superação para ela.”

Solidariedade
Antônio Carlos Silva Sousa, de 35 anos, viu os dois filhos pequenos passarem fome quando seu único meio de sustento lhe foi retirado, em 2018. Vendedor ambulante, ele perdeu o carrinho e toda a mercadoria durante uma ação da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), que apreendeu o material.

Sem a renda de R$ 1 mil, que pagava o aluguel, a alimentação e as despesas da família, ele começou a catar latinhas. Ao descobrir que as crianças faltaram a vários dias de aula porque estavam com fome, a professora Keila Oliveira, da Escola Classe 3 de Ceilândia Norte, iniciou uma campanha de solidariedade e arrecadou doações para a família. 

Depois que a história foi divulgada, Antônio recebeu uma proposta de emprego. No entanto, não pôde começar a nova atividade em 2018 porque não tinha carteira de trabalho, e a de identidade não estava em boas condições. Com os novos documentos, ele pretende começar seu primeiro emprego formal, como empacotador, em 2019. Junto à expectativa, vem um sonho antigo: a casa própria.

As crianças voltaram a estudar normalmente e, assim que as férias acabarem, vão iniciar um novo ano letivo com mais dignidade. “Estou animado. Nunca abaixei a cabeça. Com fé em Deus, a gente pretende juntar dinheiro. Meu sonho é deixar uma casa para os meus filhos. A gente não pode pensar só na gente, tem que pensar no próximo”, diz o pai.

As coisas foram mudando e a gente está conseguindo as nossas coisinhas. Em 2019, temos expectativas de ter tudo de bom. Queremos ter saúde, principalmente, porque as coisas materiais não adiantam nada se não tiver saúde e fé em Deus

Joyce Priscila Sousa, mulher de Antônio Carlos

Tempo
Vânia Borges de Carvalho, 49 anos, descreveu a trajetória de sua vida no livro Pérolas do Asfalto, após perder os quatro filhos e o marido em um acidente de carro na BR-020, em 2010. Em 2019, ela vai se dedicar a duas novas publicações, sendo um dos títulos Minhas Pérolas não Ficaram no Asfalto.

“Pretendo continuar palestras, lançar esse novo livro. Vou dar continuidade ao grupo de apoio e formar outros se for possível. O tempo colabora quando a gente se propõe a fazer algo e não ficar na inércia”, conta.

Uma ação simbólica marcou o fim de 2018 para Vânia e outros pais que perderam filhos em tragédias. Eles criaram, no Parque Olhos D’Água, um espaço chamado Bosque dos Anjos, em homenagem às vítimas. “Uma linda e nobre iniciativa que nos deu a oportunidade de ressignificar as nossas dores em um ambiente mais leve, em meio à natureza”, comentou. 

Últimas notícias