Proposta de reajuste da PM será levada a Bolsonaro semana que vem

Em função da 11ª Reunião de Cúpula do Brics, o presidente da República terá agenda cheia. SSP, no entanto, se reúne com militares

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 12/11/2019 11:02

A entrega da proposta de aumento salarial da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal ao Palácio do Planalto ficará para a próxima semana.

Emissários da Presidência da República entraram em contato com o Palácio do Buriti e pediram o adiamento do encontro em função da agenda política movimentada do presidente Jair Bolsonaro (PSL), com a reunião da cúpula do Brics — grupo dos cinco grandes países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — em Brasília. O anúncio estava previsto para esta segunda-feira (11/11/2019).

O adiamento da entrega no Planalto não impedirá, no entanto, o encontro de representantes da Secretaria de Segurança Pública com a PM e os bombeiros. Embora o GDF ainda trabalhe nos ajustes finais da proposta, a ideia central de focar na equidade dos salários líquidos deve ser mantida, conforme o Metrópoles noticiou nesta segunda-feira (11/11/2019). Ou seja, no líquido, o coronel ganhará o mesmo valor de um delegado da Polícia Civil.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou ter recebido estudos sobre o aumento por parte dos secretários de Economia, André Clemente, e de Segurança, Anderson Torres. Os planos do GDF eram finalizar a proposta e encaminhá-la nesta segunda-feira (11/11/2019) ao governo federal. Porém, como alguns líderes de Estados chegam à capital nesta terça-feira (12/11/2019), o movimento fica prejudicado.

O evento vai mobilizar a capital entre quarta (13/11/2019) e quinta-feira (14/11/2016), sendo inclusive ponto facultativo para grande parte do funcionalismo, local e federal. O presidente da China, Xi Jinping, por exemplo, é aguardado para a noite desta terça-feira (12/11/2019).

Pedidos

Lideranças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros defendem a equiparação da remuneração líquida com a Polícia Civil. Representantes dos militares negociaram a recomposição dos soldos com o comando da PMDF nesta manhã. Após a reunião, os militares aguardam a apresentação da proposta oficial do GDF.

“Defendemos a equiparação da remuneração líquida. Porque a PM tem coisa que não é tributada e a Polícia Civil tem coisas que são tributadas. Então, no bruto, o policial civil ganhará mais. Mas, no contracheque, todos receberão o mesmo. No líquido, o coronel vai ganhar igual ao delegado especial”, revelou uma liderança militar.

Outro ponto em negociação é a forma de pagamento do reajuste. Os dois lados da mesa de negociação concordam com o parcelamento. Mas, segundo os militares, a divisão deve ser igual entre as forças de segurança.

Convocação

“Esperamos que o governo apresente uma proposta com equidade de salários entre Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil”, afirmou o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar (Asof-PM), tenente-coronel Jorge Eduardo Naime.

“Temos que lembrar que, até então, não havia proposta alguma. Devemos confiar no comando da corporação. Há o compromisso da bancada da Segurança Pública no Congresso e na bancada no DF. A proposta que o governo vai apresentar pode não ser a ideal, mas que todos sejam submetidos à mesma regra”, ponderou.

Notícias falsas

Nesse sentido, Naime alertou para a enxurrada de notícias falsas nas redes sociais da PMDF. “Tem muita gente que estava morta politicamente que ressurgiu. E estão espalhando mentiras. Estão inventando tabelas”, disparou. “Temos o compromisso do presidente da República [Jair Bolsonaro] de que não haverá tratamento diferenciado”, afirmou.

Em nota, o Fórum das Associações dos Policiais Militares e dos Bombeiros Militares, coordenado pelo coronel Mauro Manoel Brambilla, afirmou estar reunido na expectativa do encontro com Ibaneis. “Com a finalidade das associações tomarem conhecimento dos valores e da simetria entre as remunerações líquidas dos servidores de segurança pública do Distrito Federal”, diz o texto.

Veja a nota:

Reprodução

Medida provisória

A intenção da Secretaria de Segurança é que o texto seja enviado no formato de minuta de medida provisória, para receber aval da Presidência da República. Entre os tópicos a serem discutidos, estão a proporção do aumento e a forma como ocorrerá o pagamento do auxílio-moradia dos militares.

No primeiro dia de novembro, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar do aumento salarial para integrantes da segurança pública do Distrito Federal. A bombeiros fardados que acompanhavam a agenda do chefe do Executivo, em Ceilândia, Bolsonaro disse: “Se for para todo mundo… Só para eles, não”.

Segundo o responsável pelo vídeo, o sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) Erivan Cardoso, 47 anos, o 01 do Palácio do Planalto se referia ao reajuste. “Alguém lá atrás falou: ‘Presidente, e o aumento é para todos?’ E ele respondeu aquilo lá, mas no vídeo não aparece a pergunta”, afirmou à reportagem.

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