Professor da UnB se manifesta pela 1ª vez após acusação de desvios: “Certo da minha inocência”
A Polícia Federal apura suposto peculato no uso de verbas destinadas a pesquisas. Docente assegura que tudo será “devidamente esclarecido”
atualizado
Compartilhar notícia

O professor e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Henrique de Souza Bermejo (foto em destaque) negou as acusações de desvio de dinheiro público destinado a projetos de pesquisa pagos pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nesta segunda-feira (27/9). Esta foi a primeira manifestação do docente desde o início das investigações que apuram suposto peculato.
“Venho esclarecer que os fatos narrados não correspondem à realidade e serão devidamente esclarecidos no momento oportuno”, assegurou o professor. Paulo Henrique ainda se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “Certo da minha inocência e confiante na minha integridade afirmo que tudo será devidamente esclarecido”, disse o educador.
O caso de desvio de dinheiro destinado a verbas de pesquisa veio à tona após a deflagração da Operação Klopês, pela Polícia Federal, na última terça-feira (21/9). Na ocasião, cerca de 50 policiais federais cumpriram 11 mandados de busca e apreensão, no Distrito Federal e em Minas Gerais, e de sequestro de bens e valores na ordem de R$ 2 milhões, expedidos pela 10ª Vara Criminal Federal do DF.
No dia seguinte à operação, o Metrópoles revelou que um dos investigados pela PF foi o professor Paulo Henrique, da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade (Face), da UnB. Além de ter desembolsado R$ 65 mil em persianas e blindex para fazer reformas em uma mansão no Lago Sul e R$ 19 mil gastos em aplicativos, o professor é suspeito de fazer viagens ao exterior entre 2015 e 2020 usando as verbas de pesquisas.
Levantamento aponta que recursos de três projetos de pesquisa foram indevidamente utilizados. São dois da Finatec e um do CNPq, nos valores de R$ 1.479.793,89, R$ 2.083.728,72 e R$ 7.020.600, respectivamente, totalizando mais de R$ 10,5 milhões.
No período de 2016 a 2019, o docente utilizou cerca de R$ 200 mil apenas do cartão pesquisador. A quantia foi dividida em quatro transferências feitas para a conta do investigado, uma a cada ano. O regulamento dos projetos vedam esse tipo de transação. Ainda em 2016, ele chegou a fazer um saque de R$ 279 mil.
A verba pública também teria sido usada para pagar o aluguel de uma mansão no Lago Sul entre abril de 2018 e janeiro de 2020. No total, R$ 496,5 mil foram desviados de um dos projetos da Finatec para o pagamento do imóvel.
Além disso, o docente já havia sido investigado pela UnB em 2020.
Veja fotos da mansão:
Leia a íntegra da resposta do professor:
“Eu, Paulo Henrique de Souza Bermejo, em atenção à imprensa e à sociedade, em virtude de notícias veiculadas no dia 21/09/2021 e seguintes, que dão conta que esse signatário participou de possível esquema criminoso em projetos junto a órgãos governamentais, venho esclarecer que os fatos narrados não correspondem à realidade, e serão devidamente esclarecidos no momento oportuno. Sendo certo que, desde já, e com serenidade e prudência, me coloco à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Assim, certo da minha inocência e confiante na minha integridade afirmo que tudo será devidamente esclarecido. Att. Paulo Henrique de Souza Bermejo.”
A Finatec se pronunciou por meio de nota, publicada no site da fundação. Veja:
Nota de Esclarecimento Finatec
Diante das notícias veiculadas em relação ao cumprimento de mandado de busca e apreensão de documentos referentes a dois projetos de pesquisa gerenciados pela Finatec, ocorrido no último dia 21 de setembro na sede da Fundação, esclarecemos que:
“A Finatec – Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos é uma instituição privada, sem fins lucrativos, credenciada para apoiar a UnB, em conformidade com a Lei nº 8.958/1994. A Fundação foi contratada pela Universidade para promover a gestão administrativa e financeira dos recursos de dois projetos, alvos da investigação. A Finatec não financiou os projetos e todas as despesas que foram executadas estavam devidamente previstas nos respectivos Planos de Trabalho, os quais foram aprovados pelas instâncias acadêmicas competentes.
No âmbito desses projetos, foram realizadas despesas com a aquisição de bens e serviços diversos destinados à execução das atividades de pesquisa. A locação comercial de um imóvel no Lago Sul destinou-se à acomodação da equipe técnica de pesquisadores e foi realizada após análise mercadológica da adequação do preço. As despesas foram realizadas de acordo com a legislação aplicável e todos os bens adquiridos com recursos dos projetos, patrimoniáveis ou não, foram transferidos para a UnB.
O Conselho Superior e a Diretoria Executiva da Finatec ressaltam o papel extremamente relevante e fundamental desta Fundação, não somente por contribuir com a gestão dos projetos de pesquisa, mas, principalmente, por retornar à sociedade os investimentos dos financiadores, através da disseminação do conhecimento gerado pelos pesquisadores. No cumprimento desse papel, a Finatec mantém compromisso com a transparência, a ética e a legalidade na aplicação de recursos públicos e privados destinados à pesquisa, ao ensino, à extensão e ao desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação, reafirmando a sua missão institucional e o cumprimento de suas finalidades estatutárias.”
Procurado, o CNPq informou não ter sido notificado pelos órgãos responsáveis pela operação.
Leia o posicionamento:
“Em relação à ação da Polícia Federal, noticiada na manhã desta terça-feira, 21, por meio da Operação Klopês, informamos que o CNPq não foi notificado pelos órgãos responsáveis pela operação e a instituição nem seus gestores são alvos da ação. Dessa forma, só podemos nos manifestar quando tivermos informações sobre os projetos investigados. Os projetos apoiados pelo CNPq cumprem procedimentos legais e, sempre que são identificadas inconsistências ou irregularidades, são tomadas as medidas cabíveis. O CNPq está à disposição para contribuir no que for necessário.”
A UnB também se pronunciou sobre as investigações contra o professor:
220921 – Nota Oficial Operação Klopês (1) by Metropoles on Scribd










