Procurador sobre defesa de Adriana tentar anular júri: “MP vai reagir”

Ao Metrópoles, Maurício Miranda diz que o MP está pronto para contra-argumentar com os advogados da arquiteta nos tribunais

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 04/10/2019 13:36

Embora o julgamento de Adriana Villela, 55 anos, tenha chegado ao fim após a fixação da pena de 67 anos  e 6 meses de reclusão, o caso está longe de ter desfecho nos tribunais. A defesa já anunciou a intenção de recorrer da decisão ao próprio Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) e de anular o júri que condenou a arquiteta.

Atento às manobras da defesa, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) também já se prepara para contra-argumentar. Segundo o procurador Maurício Miranda (foto em destaque) disse ao Metrópoles, já era esperado que o caso não seria encerrado no tribunal, mas ele garantiu estar tranquilo e preparado para sustentar a tese de que o processo correu de maneira legal. “Em matéria de provas, acho muito difícil a defesa conseguir a anulação. Na própria ata da sessão, há poucos registros de reclamação das partes. O MP está pronto para reagir a essas manobras”, frisou.

Além de recorrer da condenação, a defesa de Adriana quer anular o júri. “Nós já entramos com o termo de apelação e pedimos para apresentar as razões e a petição no Tribunal de Justiça até para termos tempo de elaborar e fazermos um trabalho mais detalhado. O próximo passo é esperar o Tribunal de Justiça se manifestar”, disse Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de Adriana Villela.

O julgamento mais longo da história do Distrito Federal chegou ao fim na quarta-feira (01/10/2019), após 10 dias e mais de 100 horas de discussões. A decisão dos sete jurados sorteados para o caso – quatro mulheres e três homens – foi anunciada pelo juiz Paulo Giordano por volta das 18h. O caso, que ficou conhecido como crime da 113 Sul, é um dos mais rumorosos da capital federal.

A arquiteta foi condenada a 32 anos de reclusão pelo homicídio do pai, José Guilherme Villela, a mais 32 anos pelo da mãe, Maria Villela, e a 23 anos pelo assassinato da empregada da família, Francisca Nascimento Silva. Além disso, houve condenação de 3 anos e 6 meses pelo furto de joias e dinheiro. As penas, contudo, não são somadas e o juiz fixa o tempo total. Por isso, chegou-se ao total de 67 anos e 6 meses.

Os outros três envolvidos já condenados pelo Tribunal do Júri tiveram as seguintes penas: 62 anos para Paulo Cardoso Santana; 60 anos para Leonardo Campos Alves; e 55 anos para Francisco Mairlon.

Ao ouvir a sentença, Adriana não esboçou reação. Abraçou a filha, Carolina, e Kakay, e deixou o plenário do órgão sem falar com a imprensa. A arquiteta não saiu presa do Tribunal do Júri, pois poderá recorrer em liberdade. A eventual prisão só ocorrerá depois de esgotados os recursos e o trânsito em julgado do processo.

Segundo a acusação, Adriana contratou por R$ 60 mil Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio onde os pais moravam, para assassiná-los. Ele teria contado com ajuda de dois comparsas: o sobrinho Paulo Cardoso e o ex-entregador de gás Francisco Mairlon.

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, a advogada Maria Villela, pais da arquiteta, e a empregada da família, Francisca Nascimento Silva, morreram esfaqueados em 28 de agosto de 2009, no apartamento do casal, na 113 Sul. Foram 73 perfurações provocadas por armas brancas, no total.

Nesta sexta, Adriana publicou novo vídeo nas redes sociais. “O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios: onipotência sem poder; embriaguez, sem vinho; e vida sem morte. São Francisco de Assis”, disse, em alusão ao Dia de São Francisco.

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