PRF aumenta número de testes e emite 596 multas por recusa ao bafômetro em 2025 no DF
Foram 35 mil testes de bafômetro nas rodovias que cortam o Distrito Federal no ano passado, um aumento de 37% em relação a 2024
atualizado
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Em 2025, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou aproximadamente 35 mil testes de bafômetro nas rodovias que cortam o Distrito Federal. O número representa um aumento de 37% em relação ao ano anterior, quando foram realizados quase 25,5 mil testes.
Com mais motoristas abordados, a corporação conseguiu ampliar os flagrantes, segundo estudo realizado pela PRF. Um exemplo é o registro de acidentes provocados por motoristas alcoolizados que resultaram em morte. No ano de 2024, por exemplo, não houve nenhum registro. Já no ano passado, o número saltou para três mortes.
Proporcionalmente, houve uma pequena diminuição nas recusas a testes de bafômetro. Segundo o estudo, das 34.970 abordagens realizadas no ano passado, 596 foram multados por não passar pelo etilômetro (ou uma recusa a cada 58 abordagens). Em 2024, foram 507 recusas em 25.496 (ou uma a cada 50 abordagens).
Veja os dados do estudo:
No caso da recusa em realizar o teste, assim como dirigir sob influência do álcool, a pena prevista é de detenção de seis meses a três anos, além de multa e suspensão do direito de dirigir, segundo o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
O crime é constatado quando o índice no teste for superior a 0,33 mg de álcool por litro de ar alveolar. Nos casos em que o índice seja inferior a 0,33 mg, o condutor está sujeito à infração gravíssima, com multa no valor de R$ 2.934,70 e suspensão da CNH por até 12 meses.
Os dados apresentados pela PRF fazem parte da iniciativa criada pela corporação, o Dia Nacional da Conscientização do Álcool Zero no Trânsito. Promovida nesta sexta-feira (30/1), a campanha tem o objetivo de chamar a atenção da população para mistura mortal do álcool e direção.
Durante todo o dia a PRF, juntamente com parceiros do Sistema Nacional de Trânsito (SNT), vai submeter os motoristas em trânsito pelas rodovias federais de todo o país ao teste do bafômetro.
Segundo a corporação, embriaguez ao volante está entre as principais causas de sinistros graves registrados pela PRF.
“Ao lado da ultrapassagem indevida, do excesso de velocidade e da falta do uso do cinto de segurança, o consumo de álcool figura entre as infrações mais recorrentes, especialmente em períodos de feriados prolongados”, completou em nota.
Embriaguez nas ruas do DF
Dentro das ruas capital, o problema persiste. Em dois anos, o Distrito Federal registrou aproximadamente 3 mil autos de prisão em flagrante por embriaguez no volante – 1.546 casos no primeiro ano e 1.524 no segundo ano. Os números apresentados revelam uma média de quatro prisões por dia por embriaguez ao volante.
Esses dados foram levantados em um estudo do delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Marco Antônio Farah de Mesquita. Titulado de “A roleta russa no asfalto: onde a lei seca falha e a tragédia se repete”, o artigo demonstra a situação alarmante dos casos de embriaguez ao volante na capital.
“A cada plantão que eu faço, eu asseguro que já vou sabendo que vai ter um flagrante de embriaguez. Eu digo por mim que estou na ponta. A gente observa os números que são absolutamente alarmantes. Eles demonstram que o problema é estrutural e atinge todas as regiões administrativas”, conta.
Confira os dados desse estudo:
De acordo com o Marco, o problema está na forma em como o sistema analisa o crime de embriaguez ao volante, previsto no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O artigo prevê uma pena inferior a quatro anos, o que permite que a fiança seja arbitrada ainda na delegacia, se limitando apenas à pena base do crime, sem considerar a gravidade concreta do ocorrido.
O delegado afirma que o necessário é “endurecer os critérios para o arbitramento da fiança”. Dessa forma, poderia ser feita uma análise concreta do caso, como danos causados ou riscos à vida das vítimas, que levaria a decisão da possibilidade do arbitramento da finança.
“A gente verifica claramente que a repressão não está adiantando. Então a gente precisa enriquecer esse debate com outros critérios que não sejam somente a análise da pena em abstrato. É preciso parar e pensar na lei”, destacou.
