Por dia, 9 empresas são flagradas vendendo produtos vencidos no DF
Dados correspondem aos números de notificações da Vigilância Sanitária entre janeiro a 4 de outubro deste ano no Distrito Federal
atualizado
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O relato de um cliente da padaria Pão Dourado, no Noroeste, que, ao comprar uma pizza de frango se deparou com larvas, no início deste mês, não é única situação de armazenamento inadequado de alimentos no Distrito Federal em 2022. De janeiro a 4 de outubro, a Vigilância Sanitária notificou 2.580 estabelecimentos por venda de produtos fora do prazo de validade. O número corresponde a, aproximadamente, 9,34 autuações por dia.
Os dados dizem respeito a locais como padarias, lanchonetes, supermercados e restaurantes. Confira no ranking:
O infectologista e chefe da Comissão de Controle de Infecção do Hospital Santa Lúcia, Werciley Júnior, explica que os produtos vencidos podem evoluir para decomposição ou fermentação.
“Com isso, vai ter crescimento de bactérias e produção de toxina. Isso pode causar quadros de intolerância alimentar, diarreias e, até mesmo, infecções graves. Um exemplo é salmonelose, que é muito comum em embutidos ou ovos. A maionese é um exemplo clássico”, aponta o profissional.
Além da data de validade, o médico alerta para a data de consumo. “A partir do momento em que é aberto, eles têm um período para ser ingerido”.
Internação
“Quase morri”. Assim resume o engenheiro Gabriel Oliveira Cavalcanti, 24, a experiência de precisar ser internado após consumir um salame comprado em um supermercado. “Estava tendo a promoção de um salame que iria vencer no dia: comprei, comi e acabei tendo uma infecção. Comecei a sentir muita dor na cabeça e no corpo. Fiquei com a barriga dolorida e passei a ter vômito e diarreia”, revela.
“Não conseguia nem beber água: bebia e já vomitava na mesma hora”, conta. “Ainda estou tomando remédio para controlar a náusea e diarreia”.
Entre 2017 e 2021, o Ministério da Saúde notificou 74 surtos de doenças em que a carne foi apontada como causadora de doenças, o que resultou em 1.944 doentes pela ingestão do alimento contaminado.
Veja algumas doenças perigosas e seus efeitos:
De volta ao relato da pizza, o diretor da Vigilância Sanitária André Godoy define como um caso grosseiro de risco à saúde. “Nítida falta de boas práticas. O produto não tinha controle de temperatura adequada e não estava protegido. Significa que posou uma mosca, botou ovos e viraram larva”, explica. “Fizemos uma intimação para boas práticas no estabelecimento”.
Outra pessoa que sentiu na pele a falta de cuidado com alimentos foi o supervisor administrativo Lucas Fernando, de 26 anos, após comer petiscos em um bar.
“No momento não senti nada de estranho. Porém, à noite, cheguei em casa com o estômago embrulhado e fui direto para o banheiro”, relembra. “Quando deitei para dormir, comecei a vomitar. Levantei na madrugada umas cinco vezes”.
Segundo o Procon-DF, os mercados são os estabelecimentos mais autuados em relação a alimentos vencidos durante operações de fiscalização, seguidos das padarias. Somente neste ano, foram 126, contra 181 em 2021, e 128 em 2020. Porém, a responsabilização pode variar de acordo com o risco da atividade econômica.
“Se for baixo risco, o Procon lavra auto de constatação, orienta o fornecedor e procede à inutilização do produto. Caso não seja classificado de baixo risco, o Procon lavra auto de infração e faz a inutilização do item, a exemplo, descarte. A interdição também pode ser feita em caso de situação grave, como grande quantidade de produtos e reincidência”, informa o órgão.










