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Um bate-boca acalorado entre o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e o deputado distrital Wellington Luiz (PMDB) nesta segunda-feira (3/10) azedou de vez a relação entre o parlamentar, que ocupa a presidência da CPI da Saúde, e o chefe do Executivo local. Após a discussão, o distrital acusou o governador de interferência nas investigações da comissão parlamentar de inquérito e prometeu relatar o caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

De acordo com Wellington Luiz, o governador estava revoltado com o afastamento do diretor do Instituto de Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe), Renilson Rehem, do Conselho de Saúde do DF. O Icipe, uma organização social (OS), é responsável pela gestão do Hospital da Criança de Brasília José de Alencar. A decisão do afastamento cautelar foi tomada pelo Tribunal de Contas do DF (TCDF), motivado por um relatório produzido pela CPI da Saúde com base em investigações policiais.

Rollemberg me ameaçou e disse que a guerra estava declarada. Ainda afirmou que ia mandar abrir apuração contra a conduta dos policiais na Corregedoria-Geral da Polícia Civil"
Wellington Luiz, presidente da CPI da Saúde

Quem estava próximo do distrital durante a discussão revelou que palavrões foram proferidos muitas vezes. “Realmente, se exaltar e sair do sério não é o perfil do governador, mas essa atitude dele só mostra o estado de desespero que ele passou a viver com as apurações da CPI. Como o Wellington também é um cara explosivo, a discussão foi muito pesada”, disse ao Metrópoles uma fonte que presenciou a conversa.

A decisão que teria tirado o governador do sério foi publicada pelo TCDF na última quinta-feira (29/9) com base em parecer do Ministério Público de Contas do DF (MPC-DF). No documento, o órgão de controle considerou “gravíssimas” as possíveis irregularidades em contratos do Icipe com a Secretaria de Saúde.

Por meio de assessoria, Rodrigo Rollemberg afirmou que “ligou para o distrital para demonstrar todo seu descontentamento sobre o teor do documento que levanta suspeitas sobre instituições e pessoas de bem”. O governador disse, ainda, que “convidou o distrital a visitar o Hospital da Criança sem marcar a visita para conhecer, de perto, toda a excelência dos serviços prestados pela unidade de saúde”.

OSs
Em entrevista recente ao Metrópoles, Renilson Rehem rebateu as insinuações de um suposto conflito de interesses em administrar uma OS e integrar o Conselho de Saúde do DF. O médico destacou que seu trabalho é “de graça” nos dois casos, no Icipe e no grupo. E que, em nenhuma das duas instâncias, milita indevidamente a favor das organizações sociais.

Por meio de nota, o GDF anunciou que vai recorrer da decisão do Tribunal de Contas: “O doutor Renilson Rehem tem todo o nosso respeito, é considerado um dos melhores gestores de saúde do país e sua atuação à frente do Hospital da Criança é exemplar”.

 

 

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