Privatização de estatais encontra resistência na Câmara Legislativa

Embora o GDF contabilize 17 deputados na base, aliados querem estudar proposta antes de definir voto. Hoje, só três declaram apoio à medida

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 21/05/2019 20:57

A matemática do Palácio do Buriti, que contabiliza 17 deputados na base, parece ainda não se aplicar à intenção do GDF em privatizar empresas públicas. Até agora, apenas três deputados desse grupo confirmam apoio integral às iniciativas: Júlia Lucy (Novo), Eduardo Pedrosa (PTC) e Rodrigo Delmasso (PRB).

Na Câmara Legislativa, parlamentares tanto da base quanto da oposição concordam que a mudança de modelo de gestão da Companhia Energética de Brasília (CEB), da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) e da Companhia do Metropolitano (Metrô) é uma pauta indigesta e a aprovação não será simples.

As propostas sequer foram enviadas à Casa, mas, com o alvoroço provocado pelas declarações da equipe do governador Ibaneis Rocha (MDB), os deputados, liderados por Reginaldo Sardinha (Avante), assinaram um pedido de criação de comissão especial para debater privatizações.

Mesmo deputados governistas, como Agaciel Maia (PR), resistem à ideia. Outros estão analisando a repercussão do tema e esperam a reação dos servidores. Há quem defenda a medida frente o rombo de algumas dessas estatais, mas ainda de forma parcial.

Para o deputado Iolando Almeida (PSC), por exemplo, a proposta do GDF precisa primeiro chegar à Casa para que os demais distritais se posicionem, mas, de antemão, com as informações que recebeu, a CEB é uma grande candidata a passar para a administração privada.

“A princípio, sou favorável apenas à privatização da CEB. Há mais de R$ 1 bilhão de déficit e o governo não pode ficar fazendo aporte. Agora, não sou a favor das outras, pois não vejo motivo para isso”, diz Iolando, destacando que os servidores não podem ser prejudicados por eventuais mudanças.

Outro aliado do Palácio do Buriti, Jorge Vianna (Podemos) afirma que continua contrário à venda das empresas públicas, mas ainda avaliará melhor a questão: “Sou contra privatizações, mas vou analisar os dados que serão mandados pelo governo. Não podemos dar para a iniciativa privada o que estiver dando lucro, porém, se houver prejuízo, temos que avaliar”.

Oposição
Contrário às privatizações, o deputado Chico Vigilante (PT) critica o momento econômico em que o governador traz a proposta à tona. Para o petista, a venda traria prejuízo para os cofres do Distrito Federal.

“O que eles estão propondo é um absurdo. Em um momento de economia desaquecida, colocar uma empresa pública à venda é querer tomar prejuízo. Se você tem uma casa, não é durante a crise que ela deve ser vendida. Do contrário, o preço será bem abaixo do valor de mercado”, criticou Vigilante.

Também são contra a proposta Leandro Grass (Rede), Arlete Sampaio (PT), Fábio Félix (PSol) e Reginaldo Veras (PDT).

Ainda em estudo
Apesar de o Executivo local ver a privatização das empresas como uma alternativa, o próprio líder de governo, Cláudio Abrantes (PDT), diz que o martelo ainda não está batido. Para o pedetista, são necessários ajustes.

“Essa é uma conversa muito embrionária. Precisamos avaliar as condições dessas estatais, pois elas precisam dar lucro. Não tem sentido ser uma empresa e o governo precisar socorrê-la o tempo todo”, defende Abrantes.

Veja como os distritais votariam, hoje, a privatização de estatais do DF

A favor
Eduardo Pedrosa (PTC)
Júlia Lucy (Novo)
Rodrigo Delmasso (PRB)

Contra
Agaciel Maia (PR)
Leandro Grass (Rede)
Arlete Sampaio (PT)
Fábio Felix (PSol)
Reginaldo Veras (PDT)
Chico Vigilante (PT)

Ainda vão estudar a proposta
Cláudio Abrantes (PDT)
Iolando Almeida (PSC)
Valdelino Barcelos (PP)
Telma Rufino (Pros)
Roosevelt Vilela (PSB)
Robério Negreiros (PSD)
Martins Machado (PRB)
Reginaldo Sardinha (Avante)
Jorge Vianna (Podemos)
José Gomes (PSB)
João Cardoso (Avante)
Jaqueline Silva (PTB)

Não responderam
Rafael Prudente (MDB)
Daniel Donizet (PSDB)
Hermeto (MDB)

Últimas notícias