Para pagar dívidas, Rollemberg quer tirar dinheiro até de ciclovia

GDF pede autorização à Câmara Legislativa para remanejar recursos. Moradores de Samambaia vão perder R$ 135 mil. Já o Estádio Nacional Mané Garrincha vai ganhar R$ 1,1 milhão

atualizado

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Dênio Simões/Agência Brasília
Rodrigo Rollemberg governador
1 de 1 Rodrigo Rollemberg governador - Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

Em tempos de vacas gordas, o Palácio do Buriti recorria à Câmara Legislativa para pedir suplementação de R$ 100 milhões, R$ 200 milhões e até R$ 300 milhões. Na gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB), o chefe do Poder Executivo atravessa o Eixo Monumental atrás de migalhas, com o pires na mão. A ponto de pedir ao poder vizinho autorização de um recurso extra de R$ 135 mil para “amortização e encargos da dívida pública”.

O pedido revela o retrato de penúria da atual gestão. O dinheiro que deverá ser utilizado no pagamento da interminável dívida será retirado da construção de ciclovias no Setor Água Quente. A comunidade situada entre Samambaia e Santo Antônio do Descoberto (GO) possui uma população de aproximadamente 30 mil habitantes de baixa renda. E o principal meio de transporte desses moradores é justamente a bicicleta.

A mudança de destinação do ínfimo recurso faz parte de um pacote de crédito suplementar no valor total de R$ 1.468.145 enviado nessa quinta-feira (1º/10) à Câmara em regime de urgência. A maior parte desse dinheiro será destinado à manutenção do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha – R$ 1.149.596 –, que já consumiu dos cofres públicos R$ 1,6 bilhão. Segundo a assessoria da companhia imobiliária do DF, que administra a arena de Brasília, a verba é o que sobrou da “venda de imóveis”.

Nossa! Quando se refere ao estádio fico até com medo

Celina Leão, presidente da Casa, ao falar sobre o projeto

Em nota, a Novacap informa que o pedido de suplementação orçamentária feito para o Mané Garrincha se refere à manutenção do gramado. Diz ainda que não trata de recursos novos, mas apenas da formalização de um contrato já existente e que necessitava da criação de uma rubrica específica.

Distritais irritados
Com poucas horas de gestação, o projeto de lei corre sério risco de não vingar na Câmara. A mensagem irritou os deputados. Principalmente, o item que retira os R$ 135 mil das obras de ciclovias em Água Quente. “Inadmissível!”, disse o peemedebista Wellington Luiz. “Principalmente, quando você tira de comunidade carente. Vou olhar com muita atenção isso. O Parlamento tem o dever de reagir”, concluiu.

Alinhado com o colega, Ricardo Vale (PT) também fez críticas ao governo pelo ingresso da mensagem. “Isso é um absurdo. Só pode ser engano. Não posso acreditar. Eu lamento (Rollemberg) estar tirando de uma comunidade que usa muito a bicicleta para pagar dívida. Isso mostra que o governo está completamente quebrado”.

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