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A movimentação de segunda-feira (21/5) no cenário eleitoral de Brasília acentuou ainda mais as indefinições sobre os nomes que disputarão cargos majoritários – em especial o Palácio do Buriti – em outubro. As ações foram protagonizadas por dois políticos: o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), e o deputado federal Izalci Lucas, presidente do PSDB-DF.

De um lado, Joe confirmou ter desistido da pré-candidatura ao GDF e anunciou que concorrerá ao Senado. Mas, nos bastidores, pessoas ligadas ao distrital afirmam que, nas urnas, ele vai pleitear vaga na Câmara dos Deputados. Do outro lado, Izalci, recém-apresentado como cabeça de chapa de um grupo formado por nove partidos, sofreu um revés na Justiça que pode prejudicar o cadastro dele como candidato.

Decisão liminar do juiz Caio Brucoli Sembongi, da 17ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), suspende as eleições do diretório regional do PSDB, marcadas para 1º de junho. Se a medida se concretizar e a legenda não tiver presidente até 15 de agosto, as chapas do PSDB não poderão ser inscritas.

Essa data é o prazo para os partidos políticos e coligações requererem à Justiça Eleitoral os registros dos candidatos escolhidos nas convenções partidárias a fim de participar das eleições de outubro. Se o PSDB não tiver presidente, fica impossibilitado de participar da disputa.

Antes de chegar a esse ponto, existem diversas possibilidades. O PSDB nacional, por exemplo, pode indicar um presidente, como tem ocorrido nos últimos sete anos dentro da sigla no DF. A liminar ainda pode ser derrubada. O problema é que o questionamento judicial provoca dúvidas e desgasta a imagem de Izalci.

Do STF para a primeira instância
No mesmo dia em que anunciou sua pré-candidatura pela chamada “terceira via”, em 18 de maio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin enviou à primeira instância inquérito contra o tucano. A acusação é de o político ter participado de um esquema de desvio de recursos públicos no Programa de Inclusão Digital – DF Digital.

Em nota, a regional do PSDB afirmou que a Executiva Nacional tomará todas as medidas judiciais e estatutárias para reverter a liminar. Garantiu que não haverá prejuízo às candidaturas tucanas.

Cenários alterados
O desistência de Joe Valle já era esperada no bastidor político. Mas a concretização muda o jogo no tabuleiro. O presidente do PSB-DF, Tiago Coelho, analisa que, até julho, o cenário vai mudar por diversas vezes. “Muita coisa ainda vai acontecer. Está tudo instável”, disse. Ainda assim, a movimentação do distrital foi vista com bons olhos pelo partido do governador Rodrigo Rollemberg.

“A gente gostaria de caminhar com os partidos progressistas, e o PDT é um deles”, ressaltou Coelho. Para o dirigente, o presidente da CLDF é um potencial candidato, independentemente do cargo. “O diálogo vem acontecendo de uma maneira franca, aberta, sempre ponderando o cenário nacional e particularidades”, completou.

O deputado federal Rogério Rosso (PSD), um dos líderes da terceira via ao lado do senador Cristovam Buarque (PPS), vê a atual situação do PSDB local dentro das “particularidades” apontadas por Coelho. E evita fazer qualquer prognóstico sobre o desfecho que envolve o aliado tucano.

Decisão judicial se cumpre, e o PSDB tem de seguir a orientação da Justiça no que tange ao seu processo interno de eleição. As coligações partidárias precisam de segurança jurídica. É necessário aguardar o resultado final dessa questão do PSDB"
Rogério Rosso, deputado federal

A chamada terceira via escolheu Izalci Lucas como pré-candidato em detrimento de Alírio Neto (PTB) e Wanderley Tavares (PRB). Por essa razão, Alírio deixou o grupo quando foi anunciada uma possível aliança com Jofran Frejat (PR), que não se consolidou até o momento.

“Pré-campanha é isso mesmo. Se for analisar, desde quando anunciei meu nome, várias pessoas já desistiram por motivos diversos. Mas a minha pré-candidatura ao GDF continua de pé”, disse Alírio Neto.

Possibilidades
Até o momento, Rollemberg, Jofran Frejat e Alexandre Guerra (Novo) não sofreram alterações em suas pré-candidaturas. Guerra, sucessor da rede de lanchonetes Giraffas, foi o primeiro a anunciar o nome para concorrer ao GDF em outubro.

O presidente da sigla, Edvard Corrêa, afirmou que os arranjos partidários que têm ocorrido na atualidade não se enquadram com a política do Novo. “Somos a antítese disso. Buscamos construir candidaturas independentes tendo como coligação a defesa dos interesses da população do Distrito Federal.”

Resta saber quais nomes serão postos nos próximos dias ou quais sairão, por vontade ou devido a desgastes provocados por ações policiais ou na Justiça.