Janela indiscreta: cadê as pecúnias, governador?
Conheça os bastidores, e os principais personagens, do que foi notícia em Brasília nesta quinta-feira (1º/6)
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15 dias na Papuda
Nesta sexta-feira (2/6), faz 15 dias que o advogado brasiliense Willer Tomaz de Souza está no alojamento do Núcleo de Custódia da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda. Encalacrado com o esquema de pagamento de propinas da JBS a autoridades, ele foi preso em 18 de maio pela PF, durante a Operação Patmos, em um hotel em São Luís (MA). Transferido para o DF, Willer teria direito a uma sala de Estado Maior, devido à profissão. Mas como tais “cômodos” não existem por aqui, acabou instalado no alojamento da PM, um espaço sem grades, no qual advogados e ex-policiais aguardam julgamento.
Passaportes devolvidos
Todo o processo contra Willer corre na Justiça Federal de São Paulo e, ao contrário do publicado inicialmente pela coluna, ele não teve seu passaporte recolhido. O documento apreendido foi de outro advogado da JBS, o também delator Francisco de Assis e Silva, que intermediou o contato de Willer Tomaz com Joesley Batista, um dos donos do grupo empresarial. O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, determinou a devolução do passaporte ao dono nessa quinta (1º).
Quem avisa amigo é

Os professores da rede pública estão, novamente, irritados com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Até agora, o Buriti não apresentou cronograma para o pagamento das pecúnias devidas à categoria. O problema é que os depósitos deveriam começar em julho, conforme a principal promessa que encerrou os 29 dias de greve dos professores neste ano. Um representante da categoria avisa: o Buriti está brincando com fogo. “Eles deixam a coisa solta até a última hora. Já existe revolta pelo atraso de um ano desses pagamentos”, adverte o sindicalista.
Funcionário padrão
São curiosos os anexos reunidos pela PF no inquérito da Panatenaico. Até o perfil profissional do delator Rodrigo Ferreira Lopes Silva, ex-executivo da Andrade Gutierrez, e suas fichas funcionais fazem parte da papelada. Ele é descrito como profissional franco, direto, ágil, bom negociador, com visão comercial estratégica e “que pode trabalhar mais na escuta ativa, especialmente no seu relacionamento com as obras”. Pelo volume de negociatas que envolveram seu nome, como as propinas pagas a políticos locais na obra do Mané Garrincha, a indicação do papel virou realidade. A evolução salarial também aponta isso: dos R$ 5,8 mil que recebia em 2000, passou a ganhar mais de R$ 43 mil em 2012.
De poucos amigos

Ter sido escolhido para relatar o caso da deputada distrital Sandra Faraj (SD) parece ter feito mal ao humor do deputado Agaciel Maia (PR). Pelo menos é o comentário geral na Câmara Legislativa. Ele saiu de cara amarrada da sessão que deu prosseguimento à cassação de Sandra na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Passada uma semana, ninguém se atreve a perguntar quando Agaciel começará as oitivas da deputada ou de testemunhas, pois corre o risco de levar uma porta na cara ou ficar falando sozinho ao telefone.
Olha o remedinho
Diabético, o senador Helio José (PMDB-DF) tem dado trabalho para tomar remédio. Sobrou para as assessoras, que agora estão monitorando os horários do chefe. Esteja o senador em plenário ou em reuniões, elas chegam com comprimido e água em mãos para forçá-lo a se medicar.
Aqui se faz, aqui se paga
A Justiça condenou uma cabeleireira de Águas Claras a indenizar cliente que ficou com o cabelo multicolorido após passar por um procedimento desastroso. A jovem, que só queria mudar a tonalidade dos fios, precisou cortá-los para disfarçar o estrago. Chegou até a ser motivo de chacota, de acordo com o processo. Condenada em primeiro grau, a profissional recorreu, mas a 3ª Turma Recursal bateu o martelo: a cabeleireira terá que pagar R$ 1 mil para a cliente.
Tire dúvidas, Jardim Botânico
Após a Terracap anunciar o começo da venda dos lotes do Jardim Botânico, os moradores não param de reclamar de dúvidas sobre a precificação dos terrenos e os critérios de avaliação. A OAB-DF decidiu ajudar, promovendo um debate na próxima segunda-feira (5/6), a partir das 19h, na sede da entidade (516 Norte). As inscrições já podem ser feitas pelo site da OAB-DF e, no dia, basta levar um agasalho a ser doado.
#Chateada
A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) anda indignada com a decisão da bancada do PMDB de não votar a destituição do líder Renan Calheiros (AL). Chateada por ter sido indicada e depois retirada da Comissão de Orçamento por Renan, ela queria vingança. Esperava que o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), fosse duro com o alagoano, o que não ocorreu.
Bloco dos sem crachás
Sindicalistas que fazem pressão no Senado Federal contra a aprovação da Reforma Trabalhista já foram avisados que o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), deu ordens para não renovar as credenciais neste ano. Sem crachás, líderes dos movimentos serão barrados com mais facilidade. E os projetos considerados prejudiciais aos trabalhadores certamente acabarão aprovados sem tanto alarde.
Quem pagou?
Em suas andanças pelo Amazonas, o senador e pré-candidato ao governo do estado Eduardo Braga (PMDB) tem vivido os efeitos colaterais da Lava Jato. Onde vai, os eleitores querem saber como ele chegou, quem pagou o percurso e quem o financia. A marcação nunca foi tão cerrada, dizem pessoas ligadas ao político.
(Colaboraram Maria Eugênia, Juliana Cavalcante e Mirelle Pinheiro. Com edição de Ana Helena Paixão)
