Apesar de ter batido duramente na criação do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF) na campanha eleitoral, em 2018, o governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou que pretende expandir o modelo para todos as unidades de saúde da cidade. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (7/1), durante a assinatura do decreto que estabelece o estado de emergência na Saúde.

“Critiquei muito, mas era sobre a falta de transparência dele. Pedi ao [ex-governador Rodrigo] Rollemberg que me explicasse, mas o modelo é de excelência e tem de se estender a todos os hospitais”, afirmou. Ibaneis alegou que haverá transparência nas contas públicas, na contratação e nas compras.

Segundo o chefe do Palácio do Buriti, a ideia é verticalizar rapidamente o formato de gestão. “Não podemos ter ilhas de excelência na Saúde. O instituto tem um modelo muito bom, principalmente no que diz respeito à gestão de pessoas e cirurgias. Ele vai ser estendido desde o atendimento mais básico até o último”, garantiu.

Em 18 de dezembro de 2018, o emedebista havia dito que, se não acabasse com o atual modelo de gestão do IHBDF, iria mudar “totalmente” a forma como são contratadas pessoas e realizadas compras. “Dessa maneira não vai poder permanecer”, declarou, na época.

Testemunhos
Paciente do Instituo Hospital de Base, Sebastiana Maria Lacerda, 64 anos, acredita que a expansão do modelo melhorará a situação das unidades. “Pelo menos o atendimento de médicos, secretários e seguranças está melhor. Espero que continue assim, pois há pessoas morrendo nas filas dos hospitais”, comentou.

A moradora de Planaltina estava desde as 6h no hospital para fazer uma cirurgia de retirada de um pólipo na garganta, que acabou adiada por causa do lançamento do programa. “Era para eu ter feito o procedimento no ano passado, e quando marcam acontece isso”, reclamou. Ela tem o problema há sete anos e fez o primeiro procedimento cirúrgico há dois. 

Ítala Gomes, 53 anos, não é tão otimista quanto à melhoria do sistema de saúde. “Todos eles [governadores] são iguais e prometem a mesma coisa, mas não cumprem. Eu tive um AVC [acidente vascular cerebral] há mais de três anos e preciso fazer atendimentos de rotina. A única coisa que eles me deram foi esta muleta e um acompanhamento no posto de saúde”, desabafou.

A moradora da Estrutural está com uma filha, de 24 anos, internada no IHBDF com problemas psiquiátricos. “Ela teve um surto, mas, do jeito que é, não sei se vão resolver o problema dela”, comentou.