Fraga ataca Santa Cruz e Rede Globo após entrevista: “Lixo”

Pelo Twitter, ex-deputado do DF disse que emissora estava "tentando fazer um mártir" e chamou pai do presidente da OAB de "terrorista"

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 04/08/2019 23:11

O ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM) criticou, neste domingo (04/08/2019), em suas redes sociais, matéria televisiva que abordou o desaparecimento de Fernando Santa Cruz no período da Ditadura Militar no Brasil. A reportagem, veiculada pelo Fantástico, da TV Globo, contou a busca da família pelo corpo do militante e pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

“Essa Globo é um lixo mesmo! Tentando fazer do Santa Cruz um mártir. Omitem a real situação de que ele era terrorista, que explodiu bombas e matou pessoas inocentes! A Globo não dá uma linha das atrocidades que eles cometeram!”, atacou Fraga.

A reportagem repercutia os comentários do presidente Jair Bolsonaro (PSL), de quem Fraga é amigo dos tempos de Câmara dos Deputados, durante a última semana. Na oportunidade, o chefe do Executivo federal disse que se o presidente da OAB quisesse, falaria como seu pai desapareceu.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”, declarou Bolsonaro, que mais tarde disse que Fernando teria sido morto pelos próprios companheiros, mesmo com documentos afirmando o contrário.

 

Após as falas, a OAB interpelou Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) para que dê explicações sobre seus comentários.

Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em fevereiro de 1974 depois de ter sido preso por agentes do DOI-Codi no Rio de Janeiro. Estudante de direito, ele integrava a Ação Popular Marxista Leninista. Também era funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo.

Entenda

No mês passado, ao comentar os vazamentos de conversas entre Sergio Moro e procuradores, Bolsonaro criticou a postura da OAB que, por meio de uma ação, impediu a Polícia Federal de acessar o telefone de Adélio. “Não podemos saber com quem ele conversou naqueles dias quando tentou me matar. Que Justiça é essa? Não quero generalizar a Justiça brasileira. Quem está criticando ou tentando incriminar o Moro, que aliás eu não vi nada demais [nas supostas mensagens], poderia fazer uma campanha em cima da OAB”, comentou à época.

Ele questionou ainda o papel da entidade. “Para que serve essa Ordem dos Advogados do Brasil a não ser para defender quem está à margem da lei?”, criticou.

Ficha no SNI

Uma ficha do Serviço Nacional de Informações (SNI) sobre o desaparecido político Fernando Santa Cruz usa as expressões “terrorista”, “subversivo” e “suspeito” para definir sua atuação nos movimentos contra a ditadura. Ao listar as atividades do militante, cita a participação em comícios, passeatas e agitações no movimento estudantil. O material, porém, não faz qualquer referência a ações violentas.

Caracterizado como “dossiê”, o documento localizado pelo Metrópoles faz parte do acervo da ditadura preservado no Fundo SNI do Arquivo Nacional. O prontuário de Santa Cruz foi organizado em 25 de abril de 1983, nove anos depois do desaparecimento.

Reprodução/Arquivo Nacional

 

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