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Uma empresa ligada ao ministro interino do Trabalho, Helton Yomura, a Fimatec Comércio e Representações, foi alvo de pelo menos 22 processos trabalhistas. Em pelo menos oito ações, a empresa de empilhadeiras teve de indenizar os funcionários. Há reclamações de que a organização não estaria pagando adicional de insalubridade, hora extra, FGTS, férias e 13º salário.

Yomura foi o nome sugerido pelo PTB após o partido desistir de indicar a deputada Cristiane Brasil (RJ) para a pasta. A posse da filha do presidente da legenda, Roberto Jefferson, também alvo de ação trabalhista, foi suspensa por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O processo mais recente envolvendo a Fimatec foi o de Carlos Ernani da Silva Vianna, movido em janeiro de 2015. O funcionário alegou que trabalhava das 7h às 18h, de segunda a sexta-feira. Disse, ainda, fazer duas horas extras diárias, sem receber por isso. A empresa argumentou no processo que Vianna ocupava cargo de confiança e, portanto, “não se sujeitava a controle de jornada”.

A juíza Diane Rocha Ahlert, entretanto, entendeu que a Fimatec não apresentou prova de que Vianna, como ocupante de cargo de confiança, recebesse remuneração 40% superior ao seu salário, regra exigida para tal condição. A Fimatec teve de indenizá-lo em R$ 27.101,69.

Gestante demitida
Outro caso foi o de Vanessa Borges Cavalcante, que processou a Fimatec e a empresa Abir Assessoria, a qual teria feito o contrato de emprego. Vanessa, que trabalhava na Fimatec como recepcionista terceirizada pela outra companhia, disse que foi demitida em junho de 2015, quando estava grávida.
A Justiça deu ganho de causa a Vanessa por R$ 30 mil, alegando direito fundamental ao trabalho e que um exame de ultrassonografia comprovou que, na época, a recepcionista já estava com seis semanas e cinco dias de gestação, “impossibilitando, dessa forma, a dispensa imotivada”. Após a decisão, advogados da empresa Abir Assessoria firmaram um acordo com Vanessa e pagaram R$ 21 mil de indenização à ex-recepcionista.

A Fimatec também é acusada de agressão. O ex-funcionário Sidnei Conceição de Souza, o qual era técnico de empilhadeira na empresa, contou que seu gestor o agrediu fisicamente após divergências sobre a elaboração de um relatório de atividades. Essa ação ainda tramita. Em nota, a assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho informou que “o secretário-executivo Helton Yomura retirou-se da empresa Fimatec no dia 3 de agosto de 2015”. “Eventuais processos, antes ou depois da saída dele da sociedade, são de responsabilidade da empresa e dos seus atuais sócios”, diz o texto.

O contrato social da companhia mostra que as cotas pertencentes a Yomura foram passadas a dois sócios que têm o mesmo sobrenome do ministro interino. O órgão não respondeu qual é o grau de parentesco desses indivíduos com o petebista.