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Passada a euforia do resultado nas urnas, após ganhar as eleições para governador do Distrito Federal com 69,79% dos votos, Ibaneis Rocha (MDB) tem um novo desafio: a transição do Executivo. Entre as promessas feitas durante o período de campanha, estão a de não nomear nenhuma pessoa investigada por corrupção, fazer lista tríplice para a escolha dos administradores e acabar com o toma lá da cá. O emedebista terá de definir como será a configuração das secretarias e das administrações regionais.

A partir de agora, o governador eleito pretende seguir os trâmites naturais de uma transição. Tanto Ibaneis quanto Rodrigo Rollemberg (PSB) prometeram, no domingo (28/10), deixar para trás as desavenças da campanha e começar a trabalhar na mudança de comando do Executivo local. “Conversei com o governador Rodrigo Rollemberg e os embates eleitorais ficam no passado. Ele é uma pessoa que gosta da cidade e vai nos ajudar com as informações para governarmos o DF”, afirmou o advogado.

Ainda não ficou definido onde será o gabinete de transição, mas Ibaneis já marcou compromissos para esta segunda-feira (29). “Tenho entrevistas a conceder e reunião com o presidente Michel Temer (MDB). Vou à Câmara Legislativa conversar com o Joe Valle (PDT). Temos de cuidar do orçamento e saber o que podemos trazer para a nossa cidade”, afirmou ao Metrópoles na primeira entrevista exclusiva concedida após o resultado das urnas.

Secretarias
Hoje, a estrutura do Executivo tem 21 secretarias. Ibaneis já declarou que pretende enxugar a máquina. Porém, isso não significa a redução no número de pastas. “Prefiro 50 secretarias com quadro reduzido a ter 15 sem saber quem manda. Quero pessoas que eu ligue e me apontem resultados. Vou fazer uma política na qual eu saiba de quem cobrar”, ressaltou.

Para o primeiro escalão, o emedebista já revelou um dos nomes. O governador eleito anunciou ao Metrópoles  André Clemente para chefiar a Secretaria de Fazenda e afirmou que pretende definir os outros chefes de pastas durante a transição.

“O André é auditor da Receita, tem experiência, ajudou a elaborar o plano de governo. O restante da equipe quero descobrir, trazer os melhores nomes, tirar a cidade dessa polarização azul/vermelho que fez muito mal ao DF. Quero fazer uma política diferenciada”, enfatizou.

Quanto à Secretaria de Saúde, o recém-eleito titular do Buriti disse ter nomes em mente, mas ainda não se decidiu. “Quero alguém que tenha interlocução, que entenda de gestão”, pontuou.

Negociação
Na articulação parlamentar de Ibaneis, ganha destaque, nos bastidores, o vice-governador, Paco Britto (Avante). Figura pouco conhecida pela população do DF, mas influente no meio político, Britto foi determinante para formar a coligação com a qual o advogado se elegeu. Ele participou de todas as reuniões, conversou com lideranças e fez o meio de campo. Trouxe para a coligação o Avante, o PHS e o PSL.

Na área de comunicação, Paulo Pestana e Weligton Moraes tiveram grande destaque durante a campanha, mas não são dados como certos no governo. Depende da vontade pessoal e dos trâmites que decorrerem da transição.

Fato é que muitos olhos estão voltados para o futuro governo. Alguns deputados chegaram a manifestar interesse em indicar nomes para ocupar cargos estratégicos nas secretarias, mas Ibaneis assegura que ainda não foi procurado por ninguém.

Mesmo sem ter anunciado ainda a equipe de transição, Ibaneis recebeu – antes do resultado das eleições – convite do ex-vice-governador Paulo Octávio (PP) para abrigar o governo de transferência no Centro Comercial Brasília Shopping, na Asa Norte. O advogado recusou a oferta. Diz que não quer “misturar o público com o privado” e está entre o Centro de Convenções Ulysses Guimarães e o Centro Internacional de Convenções de Brasília (CICB). Se optar por este último, afirma que pagará pelo espaço.

Segurança
Na área de segurança, Ibaneis se comprometeu a escolher um dos nomes indicados na lista tríplice da Polícia Civil que será elaborada pela categoria, hoje com 6,5 mil integrantes. O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do DF (Sindepo) deve encaminhar as sugestões em 1º de novembro, próxima quinta-feira. O Sindicato da Polícia Civil (Sinpol) também quer opinar. Ibaneis espera que as duas entidades cheguem a um consenso.

A data da entrega do rol de concorrentes será discutida em assembleia da classe marcada para as 17h desta segunda-feira (29). “Ibaneis se reuniu conosco e se comprometeu em escolher um dos integrantes da lista”, afirmou o presidente do Sindepo, Rafael Sampaio. A nomeação só deve acontecer em 2019, quando acaba o mandato do atual diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba.

Quando o assunto é o nome a ocupar a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social, o Sindepo espera que seja alguém de Brasília. “Precisamos de alguém que entenda nossa realidade”, completou Sampaio.

Sindicatos da saúde
Sindicatos e conselhos da saúde se reúnem nesta segunda-feira (29) para discutir o posicionamento no novo cenário com o governador eleito. A intenção é pontuar as dificuldades do setor e apresentá-las para Ibaneis. É possível, ainda, que sejam defendidos alguns nomes para ocupar o cargo de secretário de Saúde.

O encontro será às 19h30, na 714 Norte, sede do Sindicato dos Enfermeiros do DF (SindEnfermeiro-DF). Os organizadores são o deputado distrital eleito Jorge Vianna (Podemos) e a entidade que defende a classe.

Confirmaram presença: Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF); Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate-DF); Sindicato dos Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde e Agentes Comunitários de Saúde (Sindivacs-DF); Sindicato dos Odontologistas do DF (SODF); Sindicato dos Biomédicos do DF (SindBiomédicos-DF); Conselho Regional de Técnicos em Radiologia (CRTR) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF).