Polícia investiga se Special K está ligada à morte de jovem após rave

Substância é a mistura mortal de cetamina com drogas sintéticas. Ana Carolina Lessa morreu na última segunda-feira (25/6)

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atualizado 30/06/2018 9:28

Novas informações sobre a suposta ingestão de entorpecentes pela estudante de enfermagem Ana Carolina Lessa, 19 anos, podem ajudar os investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a desvendar detalhes sobre as causas que levaram a jovem à morte. Carol, como era chamada, teria ingerido o sedativo conhecido como cetamina. Em seu estado natural, a substância é usada como anestésico em animais de grande porte; associada a álcool ou drogas sintéticas, é apelidada de Special K e se torna alucinógena e possivelmente letal.

A informação de que a estudante teria ingerido o medicamento foi revelada por um familiar de Ana Carolina. “Essa droga ataca os rins, e ela tinha problema renal. No hospital, foram os primeiros órgãos dela a parar”, contou o parente. “Dois dias numa festa, na situação que ela estava… Deram essa bebida ou batizaram o que ela estava bebendo. A Carol ia para raves. Ela já tinha ido para algumas, até a mãe dela proibir. Isso era um motivo de briga entre elas, e a mãe se culpa muito por isso”, completou.

A universitária morreu por volta das 15h dessa segunda-feira (25/6), no Hospital São Matheus, no Cruzeiro. Na noite de sábado da semana passada (23), ela esteve em uma festa rave chamada Arraiá Psicodélico, na zona rural do Recanto das Emas, que tinha autorização para ser realizada. A jovem chegou a ser dada como desaparecida, mas foi localizada na tarde do último domingo (24), na casa de um colega em Ceilândia.

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Special K
A mistura mortal do sedativo com drogas sintéticas foi batizada de Special K pelos usuários. A substância passou a ser figurinha fácil em festas de música eletrônica e consumida em larga escala pelo público no DF.

Os efeitos variam de leve sedação e amnésia a um profundo estado de transe que pode levar à insuficiência respiratória, ao coma e até à morte.

Como se trata de um anestésico, a droga impede o usuário de sentir dores, fazendo com que o indivíduo cause danos físicos a si próprio. Ela dá a sensação de intensificar as cores e os sons. Os efeitos da cetamina são normalmente mais fortes na primeira hora após o consumo, mas podem durar até seis.

Ações contra a droga
Em 17 de maio deste ano, a Polícia Civil deflagrou operação contra o tráfico da cetamina. Batizada de K Nove, a ofensiva da PCDF teve como alvo um grupo de veterinários com livre acesso à substância. Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em quatro clínicas e nas residências dos suspeitos.

Dois veterinários, do Lago Oeste e de Taguatinga, acabaram presos em flagrante por tráfico de drogas. Um empresário do ramo de pet shops também foi detido em Taguatinga. Na casa dele, a polícia encontrou R$ 40 mil em espécie. Durante a operação foram apreendidas 60 ampolas de cetamina.

Dias depois, em 30 de maio, a polícia fez uma nova ofensiva contra a droga. A Operação Special K foi deflagrada para prender cinco homens acusados de traficar o medicamento. As prisões ocorreram em Águas Claras, Guará e Taguatinga, além de Goiânia (GO). Também foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão.

As investigações conduzidas pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) que deram origem à Operação Special K tiveram início há três meses e identificaram um esquema de tráfico em um estabelecimento comercial de Taguatinga especializado na venda de produtos agropecuários.

Tráfico crescente
De acordo com informações da Cord, o tráfico dessa substância tem crescido nos Estados Unidos e na Europa, principalmente na Espanha e na Inglaterra. “No DF, o número de apreensões dessa nova droga tem aumentado exponencialmente, por ser um anestésico de uso veterinário e vendido em agropecuárias e pet shops”, destacou o diretor da Cord, delegado Luiz Henrique Sampaio.

Segundo o apurado pela polícia, apesar de a substância ser de uso controlado e sua aquisição exigir receituário médico, alguns dos investigados conseguiram comprar a droga sem qualquer dificuldade em boates LGBTs e festas eletrônicas (raves) em várias cidades do país.

“A cetamina é considerada recreativa, pois provoca euforia e alucinações nos usuários. Antes de ser preso, esse fornecedor que investigamos tinha escoado cerca de 300 ampolas no mercado. Essa droga ainda está circulando pelo Distrito Federal”, disse o delegado Luiz Henrique Sampaio.

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