Polícia Civil investiga mais 5 casos de invasão a aulas virtuais no DF

Nessa terça-feira (6/4), um vídeo pornográfico foi transmitido durante aula virtual dos alunos do 6º ano do CEF 11, em Taguatinga

atualizado 07/04/2021 11:52

Teclado de compudaorMichael Melo/Metrópoles

A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) investiga mais cinco ocorrências de invasão de hackers a aulas virtuais no Distrito Federal, a maioria em escolas da rede pública. Segundo o delegado Giancarlos Zuliani, os casos ocorreram pós-pandemia. Todas as investigações estão em curso e os autores das invasões ainda não foram identificados.

Nessa terça-feira (6/4), um vídeo pornográfico foi transmitido durante aula virtual dos alunos do 6º ano do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 11, em Taguatinga. As imagens teriam sido reproduzidas por cerca de 10 minutos aos alunos com faixa etária de 11 anos de idade.

Os estudantes relataram que a aula ocorria normalmente até que três perfis entraram na sala virtual e começaram a exibir o vídeo de sexo homossexual envolvendo duas mulheres.

O delegado informou que recebeu o vídeo com as imagens e começou a apuração nesta quarta (7). “O tipo de investigação que será realizada vai depender da plataforma de videconferência que foi usada”, disse.

De acordo com Zuliani, foi feito um treinamento interno da equipe de policiais da DRCC para atender esse tipo de ocorrência.

O delegado alerta que as pessoas precisam ter cuidado ao usar as plataformas de videoconferência. Ele recomenda a obrigatoriedade de registro dos participantes. Para Zuliani, esse cuidado pode facilitar a identificação de invasores.

Outros casos

O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro) disse que aulas virtuais do Centro de Ensino Médio da Asa Norte (Cean) também sofreram ataques no início de março, com os professores sendo ameaçados. Em novembro do ano passado, o CEF 07 de Sobradinho também foi alvo de invasores.

“Na ocasião, a direção agiu rapidamente e derrubou a sala. A escola denunciou na delegacia e comunicou à Secretaria de Educação. Após essas providências, as invasões cessaram”, conta Vilmara Pereira do Carmo, diretora da Secretaria de Mulheres do Sinpro.

O Sinpro defende que a Secretaria de Educação defenda a segurança da plataforma. “Assim como numa escola pública, a segurança de todas as pessoas presentes é de responsabilidade da SEE. Numa escola funcionando de forma virtual, é necessário que a pasta também providencie a segurança virtual”, disse.

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Boletins de ocorrência

A Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa-DF) orienta aos pais que registrem boletins de ocorrência todas as vezes que houver invasões nas aulas virtuais e acionem os conselhos tutelares para apuração de responsabilidades.

A entidade informou que formalizará pedido de apuração à Secretaria de Justiça do GDF, a fim de que sejam envolvidos o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Distrital de Promoção de Defesa dos Direitos Humanos.

A Aspa defende apoio psicológico e assistencial às famílias que tiveram seus filhos violados em seu direitos, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Por fim, os pais e responsáveis pela criança e pelo adolescente devem sempre acompanhar as atividades remotas, inclusive orientando os estudantes sobre estas e outras questões que podem ocorrer neste tipo de ambiente virtual, até que as aulas presenciais voltem”, destaca.

Punição

Secretaria de Educação lamentou o episódio. Em nota divulgada, a pasta registrou que considera “abjeta a ação de exibir conteúdo inapropriado a crianças de qualquer idade, ainda mais de forma clandestina e furtiva”.

A secretaria também orientou os dirigentes escolares e os responsáveis pelos estudantes “a fornecerem todas as evidências à polícia e a prestarem queixa contra esse crime cibernético – a Diretoria de Informática já realiza a coleta dos dados do sistema Google Sala de Aula e os fornecerá aos investigadores”.

“Assim como espera que os responsáveis sejam prontamente identificados e punidos exemplarmente, na forma da lei”, frisou a pasta.

Procurado pelo Metrópoles, o Sindicato das Escolas Particulares do DF informou que desconhece qualquer tipo de invasão nas aulas virtuais de seus associados.

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