Polícia Civil e MP fazem operação no HRT após cobrança por cirurgias

Ação foi deflagrada após descoberta de que a ex-servidora Ruby Lopes exigia dinheiro dos pacientes para antecipar procedimentos

Divulgação/PCDFDivulgação/PCDF

atualizado 05/07/2019 14:35

Na manhã desta sexta-feira (05/07/2019), a Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagraram a operação conjunta contra a ex-servidora do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) Ruby Lopes, que cobrava até R$ 5 mil dos pacientes para antecipar cirurgias que poderiam demorar meses.

A Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes Contra a Administração Pública e aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Cecor) e a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus) investigam se ela faz parte de um esquema de venda de cirurgias e de leitos na rede pública de saúde. A operação foi batizada de In Corruptionem.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão com o objetivo de coletar elementos de prova que demonstrem a prática dos crimes praticados por Ruby Lopes, valendo-se de sua função de enfermeira-chefe do Hospital Regional de Taguatinga nos anos de 2017, 2018 e 2019.  As diligências realizadas no HRT e em residências contam com a participação de 20 policiais civis, entre delegados, agentes, um perito criminal e um médico-legista, promotores de justiça e servidores de MPDFT.

 

Segundo as investigações, Ruby ameaçava suas vítimas para que não contassem sobre o “esquema”. Por ser uma mulher trans, Ruby Lopes é o nome social. Ela é investigada por corrupção passiva. Sua nomeação ao cargo aparece no Diário Oficial do DF como Edson dos Santos.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Taguatinga, Wagno Antônio de Souza. Ele também determinou a aplicação de medidas cautelares à servidora diversas da prisão: pagamento de fiança no valor de R$ 9.980, proibição de manter contato por qualquer meio de comunicação e de se aproximar das vítimas e das testemunhas já ouvidas e das que vierem a prestar depoimento até o limite de 200 metros e proibição de frequentar as unidades de saúde do Distrito Federal, salvo se para atendimento médico.

Ela ainda foi advertida de que o descumprimento dessas medidas poderá ensejar a decretação da prisão preventiva.

Ruby foi exonerada em maio de 2019, após as denúncias virem à tona. Áudios mostram a profissional negociando materiais de procedimento cirúrgico por R$ 350.  Nas gravações, ela pressiona um paciente, alegando que o valor cobrado seria somente para pagar instrumentos cirúrgicos e que um responsável pelos insumos estaria com ela no momento.

Ouça os áudios divulgados em primeira mão pelo Jornal de Brasília que flagraram a cobrança pelos procedimentos:

 

Primeira mulher trans a trabalhar na Câmara Legislativa do DF. A enfermeira teria sido exonerada do HRT pelo menos três vezes, mas conseguiu retornar ao posto. “Fui exonerada, mas não foi sobre isso [vendas de cirurgias]. O povo com inveja fica fazendo fofoca. Eu conheço muita gente que quer me derrubar”, disse ela à época.

 

A direção do Hospital Regional de Taguatinga, em nota, informou que “está à disposição para colaborar com a apuração policial”.

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