PF cumpre mandado em bar do DF por suspeita de fraude no Bolsa Atleta
Alvo da ação é uma quadrilha que inseriu dados de atletas “fantasmas” em sistemas do Ministério do Esporte, com objetivo de desviar recursos
atualizado
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A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (18/8) a Operação Havana. Os policiais federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão e seis de condução coercitiva determinados pela 10ª Vara da Justiça Federal no DF. O objetivo da operação é investigar uma quadrilha que inseriu dados de atletas “fantasmas” nos sistemas do Ministério do Esporte, com o objetivo de desviar recursos do Bolsa Atleta.
Um dos mandados foi cumprido no Bar Versão Brasileira, na 204 Sul (foto de destaque). Segundo a Polícia Federal, a suspeita é de que o dinheiro desviado tenha servido para abrir o espaço. No período de um ano, a quadrilha conseguiu criar 25 atletas fantasmas, inclusive de alto rendimento e nível olímpico.
As fraudes teriam ocorrido no ano de 2012 e, de acordo com as informações encaminhadas pelo Ministério do Esporte, podem ter chegado a R$ 1 milhão em valores atualizados. Os três sócios do bar prestaram esclarecimentos à PF. O Versão Brasileira informou, por meio de nota, que foi surpreendido pela operação. Esclareceu que trabalha com “transparência e lisura, e que toda a documentação já foi disponibilizada para análise das autoridades”. A empresa reforçou que contribuirá para auxiliar as investigações.Coordenador suspeito
Entretanto, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), foi possível constatar que os valores referentes ao supostos beneficiados estavam sendo depositados em seis contas. O titular de uma delas era um dos coordenadores do Bolsa Atleta, Jose Hector Blanco Zorrilla, ex-servidor terceirizado. Outra tinha como titular a irmã dele, Edigma Garrido Zorrilla. Também ficou comprovado que, por atuar na coordenação do programa, Hector Zorrilla conseguia modificar os arquivos de ordens bancárias que o ministério enviava à CEF.
Além da constatação do desvio por meio de depósitos bancários, pesa contra os envolvidos o fato de, após ter pedido para sair do Ministério do Esporte, Zorrilla passar a ser sócio do bar na capital. A suspeita é a de que a participação dele no empreendimento foi viabilizada pelo uso “dos valores indevidamente apropriados do Bolsa Atleta”. O nome da operação se deve ao fato de Hector Zorrilla ter nascido em Cuba, embora tenha nacionalidade brasileira.
Bolsa Atleta
O governo brasileiro mantém, desde 2005, o programa de patrocínio individual de atletas no mundo. Os beneficiários precisam ser de alto rendimento, além de obterem bons resultados em competições nacionais e internacionais de sua modalidade.
O programa garante condições mínimas para que os atletas se dediquem, com exclusividade e tranquilidade, ao treinamento e competições locais, sul-americanas, pan-americanas, mundiais, olímpicas e paralímpicas.
Desde 2012, com a Lei nº 12.395/11, é permitido que o candidato tenha outros patrocínios. Atletas consagrados podem ter a bolsa e, assim, contar com mais uma fonte de recurso para suas atividades.
Atualmente, são seis as categorias de bolsa oferecidas pelo Ministério do Esporte: Atleta de Base, Estudantil, Nacional, Internacional, Olímpico/Paralímpico e Pódio. A partir da assinatura do termo de adesão, os contemplados recebem o equivalente a 12 parcelas do valor definido na categoria: Atleta de Base (R$ 370); Estudantil (R$ 370); Nacional (R$ 925); Internacional (R$ 1.850); Olímpico/Paralímpico (R$ 3.100) e Pódio (R$ 5 mil a R$ 15 mil).
Em nota, o Ministério do Esporte informou que as investigações partiram de denúncia feita pela pasta. “Em 2012, a coordenação do Bolsa Atleta à época identificou possível fraude no programa e instaurou uma apuração interna. Após a conclusão do processo administrativo, a denúncia foi encaminhada à Polícia Federal e resultou na operação Havana”, diz o texto.
O ministério reiterou a importância do programa que “desde 2005 apoiou 23 mil atletas, com resultados expressivos como os obtidos nos Jogos Rio 2016, quando 77% da delegação olímpica e 90,9% da paralímpica eram integradas por bolsistas. Dezoito das 19 medalhas olímpicas no Rio de Janeiro e todas as 72 paralímpicas foram conquistadas por atletas bolsistas”.
