PCDF investiga denúncia contra médico por complicações após cirurgias
Vitória Marques, 23 anos, realizou um pacote de procedimentos em uma clínica em Bucaramanga, na Colômbia, e teve uma série de complicações

O médico colombiano Guillermo Andres Gonzalez Gomez é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após ter sido denunciado por duas brasileiras de 23 e 28 anos por complicações decorrentes de cirurgias plásticas realizadas em uma clínica em Bucaramanga, na Colômbia. As duas foram encaminhadas ao Instituto Médico de Legal (IML).
Uma das vítimas é a moradora de Samambaia Vitória Antunes Marques (imagem em destaque), 23 anos. A jovem realizou um pacote de procedimentos com o médico na clínica Remodelarte que custaram R$ 56 mil. Após as cirurgias, ela conta ter tido uma série de infecções e que o médico não teria dado o suporte devido.
O Metrópoles entrou em contato com a clínica Remodelarte, mas até o momento não teve retorno. O espaço segue aberto.
Segundo Vitória, os procedimentos foram realizados em 24 de junho deste ano.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFO pacote incluía abdominoplastia, lipoescultura abdominal e dorsal e aumento de glúteos, no valor de R$ 22 mil; lipoaspiração dos braços, por R$ 2 mil; técnica de retração, por R$ 5 mil; mastopexia com implantes, por R$ 22 mil; e flacoplastia, por R$ 5 mil. Além das cirurgias, Vitória contratou um pacote de turismo médico por R$ 9 mil, sem incluir a passagem aérea. Ao todo, os gastos chegaram a R$ 65 mil.
Vitória conta que, após a conclusão das cirurgias, foi orientada a retornar ao centro de recuperação, também localizado em Bucaramanga. Durante o período de recuperação, ela diz enfrentou diversas complicações, incluindo a abertura dos pontos em ambas as mamas e da região da abdominoplastia.
“No caso da primeira abertura, fui levada à clínica onde realizei a cirurgia, que também era a entidade contratante. O Dr. Guilhermo suturou a ferida em sua sala de tratamento, dois dias após os pontos, a ferida permaneceu nesse estado”, disse Vitória.
De acordo com Vitória, a ferida voltou a abrir. Ela também relata que o dreno da perna direita, próximo à virilha, foi removido. Segundo a brasileira, o cirurgião a orientou a realizar a drenagem diariamente, mas o procedimento teria sido feito de forma inadequada e sem a devida higiene.
“Logo após retirarem o dreno, tive uma infecção. Depois da infecção, o médico disse que eu estava linda, não me receitou nenhum medicamento e não me internou. Alguns dias depois, após ter febre e me sentir mal, sofri uma grave crise respiratória. Meu coração estava disparado e eu sentia que ia morrer. Estava desesperada. Meu peito estava aberto e a infecção estava se espalhando. Eu sentia que ia morrer”, afirmou.
Vitória conta ainda que o médico teria orientado as enfermeiras a não chamarem uma ambulância. Segundo ela, ele afirmou que iria se estabilizar em breve e que todo aquele alvoroço era “desnecessário”.
“Depois que recuperei o fôlego e me estabilizei, ele me disse que eu havia mentido sobre a falta de oxigênio. Um dia antes de ir embora, enquanto me recuperava da cirurgia, suturaram meus ferimentos abertos novamente; eles estavam supurando pus. Foi um pesadelo, toda aquela dor e sofrimento”, acrescentou.

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Ver todasSegundo Vitória, mesmo debilitada, com os ferimentos suturados e se sentindo mal, ela embarcou de volta para o Brasil para buscar tratamento.
Ela conta ainda que o médico a convenceu a mentir para a companhia aérea e dizer que estava viajando de férias, sem mencionar que havia passado por uma cirurgia, sob a justificativa de que não conseguiria deixar o país naquele estado.
Ao chegar no Brasil, a jovem foi internada no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).
“Depois de um voo de mais de um dia com três escalas, fui imediatamente ao pronto-socorro e fui internada com o diagnóstico de uma infecção gravíssima. Hoje, permaneço hospitalizada, sem previsão de alta. Fui exposta a uma bactéria [Serratia marcescens] que só pode ser contraída em ambiente hospitalar, provavelmente durante a cirurgia”, disse Vitória.
A brasileira conta que, após o ocorrido, ficou com sequelas físicas e emocionais e passou a ter crises de ansiedade ao saber que o médico pode não estar regulamentado para exercer a profissão.
“É desumano, houve negligência e, acima de tudo, houve outras vítimas, e todos no centro de reabilitação sofreram complicações gravíssimas que quase lhes custaram a vida. Peço que revisem os fatos e investiguem esse homem que se diz médico. Fui vítima de mutilação e espero que ele seja punido por sua negligência”, afirmou.









