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Distrito Federal

PCDF desmantela grupo criminoso que aplicava golpe do bilhete premiado

A operação da PCDF apreendeu diversos carros de luxo que estavam sob o poder do grupo criminoso. A 11ª DP investiga o caso

08/04/2025 22:41, atualizado 08/04/2025 23:21
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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Carros de luxo apreendidos após operação que desmantelou quadrilha de suposto bilhete premiado 11 DP - Metrópoles

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desmantelou, nesta terça-feira (8/4),  uma organização criminosa acusada de aplicar golpes com o truque do bilhete premiado. A operação apreendeu diversos carros de luxo que estavam sob o poder dos criminosos. Dois Porsches — boxster spider e macan— um Jaguar, um Ford fusion, um Hyundai Creta, uma Mercedes e Dodge Journey  foram levados para o pátio da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante). Quatro pessoas foram presas, dois homens e duas mulheres.

Pelo menos quatro pessoas, entre 60 e 84 anos, foram vítimas do grupo, acumulando um prejuízo de R$ 3 milhões. A reportagem conversou com uma vítima e parentes de outras pessoas lesadas pelo grupo. Todos preferiram não ser identificados.

A abordagem era a mesma. Uma mulher aparentando ser de origem humilde aborda a vítima. “Ela fala que não sabe ler, que precisa ir para um determinado lugar, que não conseguia chegar”, relatou a vítima. “Ela faz um Deus nos acuda da história”, continuou.

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Em seguida, aparece outra pessoa. Essa aparentando ser instruída e demonstra interesse em ajudar a golpista, que supostamente estaria em situação de dificuldade. Os dois estão mancomunados para aplicar o golpe.

A primeira alega que tem um bilhete de loteria e que não poderia sacar o valor. Nesse momento, a vítima já absorvida na história entende que o lugar que a pessoa precisava ir era uma agência bancária.


Como funcionava o golpe

  • Os golpistas abordavam a vítima e fingiam ser humildes. Um afirmava ter um bilhete de loteria e que não poderia sacar o valor.
  • Outro sugere ajudar o primeiro golpista. Para isso, propõe que ele e a vítima paguem uma quantia pelo bilhete e dividam o prêmio milionário.
  • Os valores do falso prêmio chegavam até R$ 24 milhões.
  • Todos iam ao banco juntos. A vítima levava uma sacola com dinheiro e um dos golpistas também, porém, com dinheiro falso. O valor era colocado em uma mesma sacola e entregue ao membro do grupo que teria “vendido” o bilhete.
  • As vítimas chegavam a sacar R$ 50 mil todos os dias até atingir o valor pedido pelo bilhete.
  • Algumas se endividaram, venderam o apartamento e passam dificuldade desde que caíram no golpe

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“Para a minha parente, essa primeira pessoa dizia que era testemunha de Jeová e que por isso não podia sacar o valor”, detalhou o familiar.

O segundo golpista então sugere ajudar a primeira golpista. Para isso, ele propõe que ele e a vítima paguem uma quantia pelo bilhete e a dividam o prêmio milionário, com valores de até R$ 24 milhões.

“Os golpistas deram o bilhete para ela [a parente] em um envelope e pediram para que guardasse, sem contar a ninguém”. Em posse do bilhete, fica acertado que vão levantar a quantia prevista e passar até o dia 20 do mês. “O segundo golpista ficava mandando mensagem dizendo que já tinha pago a quantia. E eles ficam nesse intervalo de quase um mês cobrando”, completou.

Após algumas quantias que não foram reveladas pelos familiares, mas de “valores expressivos”, a vítima contou aos familiares sobre o caso e descobriu se tratar de um golpe. Ela havia sido abordada na Asa Sul.

A outra vítima, abordada na Asa Norte pelo grupo, disse que não caiu no golpe porque percebeu antes. “Percebia que algumas coisas não encaixavam. Sugerir levar os dois a minha agência, eles recusaram a ideia. Então desconfiei mais”. Ela disse que ligou para o filho que disse se tratar de um golpe e assim não caiu na armadilha, mas fez um boletim para explicar o caso.

O caso é investigado pela 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante).