“Palpite infeliz”, diz Rodney sobre suposto excesso policial no caso Lázaro

"Policiais estão de parabéns", afirmou. Lázaro foi morto com pelo menos 38 tiros, disse secretário de Saúde de Águas Lindas, Rui Borges.

atualizado 28/06/2021 17:23

Rodney Miranda, secretário de Segurança de GoiásArthur Menescal/Especial para o Metrópoles

O secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, declarou nesta segunda-feira (28/6) que a força-tarefa em busca do maníaco Lázaro Barbosa, 32 anos, suspeito pela morte de quatro pessoas da mesma família em Ceilândia, no último dia 9 de junho, atuou como deveria. Sobre o suposto excesso dos policiais durante a operação nesta manhã, que terminou com a morte do criminoso, o secretário disse ser um “palpite infeliz” de quem não sabe como é uma ação contra o crime.

“Isso para mim é palpite infeliz. Não aceito esse tipo de afirmação e críticas de quem não estava aqui e não enfrentou madrugadas frias. Tentamos de todas as maneiras cercá-lo, fazê-lo se entregar, e ele sempre falou que não queria.”

Rodney afirmou que os policiais ficaram próximos de prendê-lo na noite deste domingo (27/6) e que o criminoso disse que daria tiro na cara, caso entrassem na mata atrás dele. “Ele descarregou a pistola. Foi uma série de tiros. Ele estava com duas armas, uma em cada mão. Uma pistola e um revólver. A própria família confirmou que ele gostava de atirar com uma em cada mão.”

“Só quem está na cena e na ação pode dizer o que ocorreu e como ocorreu. Os policiais estão de parabéns. Não era o desfecho que nós queríamos. Estávamos preparados para enfrentá-lo”, concluiu.

Lázaro  foi morto com pelo menos 38 disparos, na manhã desta segunda-feira (28/6), após trocar tiros com policiais em uma mata situada nas imediações da casa da ex-sogra, em Águas Lindas (GO). A informação foi confirmada pelo secretário de Saúde do município, Rui Borges. “Quando ele chegou [ao hospital], já estava sem vida. Nós contamos 38 marcas de tiro. É um cálculo aproximado ainda”, ponderou.

Mensagens de celular

A esposa do maníaco Lázaro Barbosa, 32 anos, disse nesta segunda-feira (28/6) que recebeu mensagens de áudio e texto do companheiro um dia antes da operação policial que resultou na morte do serial killer. Em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, da TV Record, a mulher confirmou que chegou a manter contatos com o psicopata durante a fuga que durou 20 dias.

“Ele me mandou áudio e disse que polícia estava botando um monte de crime no nome dele. Eu falei, ‘moço, se entrega’. E ele disse, ‘não me entrego”.

Lázaro teria falado com a mãe de seus dois filhos por meio do celular da ex-esposa, que chegou a ser conduzida à delegacia para prestar depoimento. O serial killer foi morto após trocar tiros com integrantes da força-tarefa num matagal nas imediações da casa onde sua ex-mulher mora com a mãe, em Águas Lindas, no Entorno do DF.

“Chegou lá em casa, me deu R$ 300 dizendo que era pro filho e foi embora sem explicar. Depois voltou, pediu meu celular pra conversar com a atual esposa dele”, contou a ex a Cabrini. De acordo a esposa e a ex-mulher de Lázaro, elas apagaram as mensagens por medo.

38 disparos

Lázaro Barbosa foi morto com pelo menos 38 disparos após trocar tiros com policiais em uma mata. A informação foi confirmada pelo secretário de Saúde do município, Rui Borges. “Quando ele chegou [ao hospital], já estava sem vida. Nós contamos 38 marcas de tiro. É um cálculo aproximado ainda”, ponderou.

Segundo o secretário, geralmente as pessoas mortas no município são enviadas ao Instituto Médico-Legal (IML) de Luziânia (GO). Como caso é de grande repercussão, no entanto, o corpo de Lázaro passará por necrópsia no IML da capital, Goiânia.

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Os advogados da família Vidal, vítima da chacina ocorrida no dia 9 de junho, no Incra 9, estiveram, nesta segunda-feira (28/6), na base de operações da força-tarefa, em Girassol (GO) após receberem a informação sobre a morte de Lázaro.

De acordo com Fábio Alves, um dos representantes da defesa, os parentes receberam a informação com muito alívio.

“Não há o que se comemorar quando acontece uma morte. A família se sente mais tranquila. Sabemos muito bem que Lázaro não agia sozinho. Há pessoas dando cobertura. Financiaram os crimes que Lázaro cometia. A gente vai deixar a polícia trabalhar e temos a certeza que eles vão achar os demais comparsas que ajudaram Lázaro.”

Ainda segundo Alves, a defesa acredita em várias possibilidades para a motivação dos crimes. “Briga por terras, crimes cometidos para comprar áreas mais baratas, vingança. Tudo isso vai ser apurado para um desfecho da polícia”, concluiu.

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas.

O corpo de Cleonice foi encontrado dias depois, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

Investigações

“As investigações não acabam aqui. Ainda temos pessoas para investigar e prender. Agora, sai a força intensiva e fica o trabalho investigativo. Vamos descobrir todos os envolvidos”, disse o secretário de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), Rodney Miranda.

Em entrevista nesta segunda-feira (28/6), após troca de tiros que resultou na morte de Lázaro, Rodney afirmou que o criminoso tinha uma rede que o acobertava: “Temos informações que ele atuava como jagunço e segurança de algumas pessoas. A questão dele querer fugir – patrocinado, logicamente – mostra que ele tinha uma rede que lhe acobertava, com gente não interessada na prisão dele”.

Ele foi encontrado com R$ 4,4 mil no bolso. Mais uma prova de que tem gente acobertando ele e dificultando o trabalho das forças policiais”, completou o secretário. Rodney também confirmou que a ex-mulher e a ex-sogra de Lázaro foram ouvidas. “Se ficar constatado que queriam facilitar, vão ser indiciadas e até presas.”

De acordo com Miranda, entre as pessoas interessadas na fuga de Lázaro, estaria Elmi Caetano, 74 anos, preso na semana passada por esconder o psicopata na chácara dele, em Girassol (GO). O secretário informou ainda que constam mais de 30 crimes associados ao criminoso – no DF, em Goiás e na Bahia.

Após o confronto no matagal, Lázaro ainda chegou a ser socorrido e levado a uma viatura do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. Imagens obtidas pelo Metrópoles  mostram o momento em que o maníaco chega à unidade hospitalar em uma maca.

Veja o vídeo do momento em que Lázaro chega de maca ao hospital:

 

Aplausos

Os policiais que participaram da caçada ao criminoso durante 20 dias foram aplaudidos na base da força-tarefa. As pessoas ainda soltaram fogos em comemoração ao término das buscas ao foragido.

“Estamos felizes demais. Foram 20 dias de angústia. [Ficávamos] Sem dormir, preocupados. Eles são guerreiros. Merecem todo o nosso apoio pela dedicação. Agora é hora de comemorar”, disse Larissa Alves, 34, moradora da região.

“Gostaríamos de que ele fosse pego vivo. Ele precisava esclarecer os outros crimes. De qualquer forma, estamos aliviados. Esperávamos que fosse capturado o mais rapidamente possível. Estávamos acuados. Agora teve desfecho”, Cristiane Soares, 39, comerciante da região.

Confira imagens da movimentação em Águas Lindas de Goiás após a captura de Lázaro:

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Veja fotos das operações em Goiás:

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Veja a cronologia do crime:

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Além de ser suspeito de matar uma família no DF, Lázaro é acusado de atirar em quatro pessoas, entre elas um policial, e cometer uma série de assaltos com reféns durante a sua fuga em Goiás.

Depois que saiu do DF, Lázaro trocou tiros duas vezes com a polícia e também com o caseiro de uma chácara em Areia Branca. Enquanto foragido, o criminoso também fez uma família refém.

Após assassinar a família Vidal, Lázaro circulou por propriedades da região, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais, e baleou quatro pessoas, inclusive um policial. Em Goiás, ele se escondeu na região entre Girassol, Edilândia e Cocalzinho, Entorno do DF.

Família Vidal:

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Ficha criminal

A vida criminal de Lázaro começou em 2008. Na época, ele foi preso por um duplo homicídio em sua cidade natal – Barra do Mendes, município baiano que fica a 540 km de Salvador.

Segundo a Polícia Civil baiana, o criminoso foi indiciado pelos assassinatos de José Carlos Benício de Oliveira e Manoel Desidério Silva, no povoado de Melancia. O inquérito, concluído e enviado à Justiça, aponta que ele atingiu as vítimas com disparos de espingarda e depois fugiu; nos dias seguintes, apresentou-se à unidade policial. Após a prisão, ele acabou fugindo para o Centro-Oeste.

No DF, chegou a ser condenado por roubo e estupro, mas também conseguiu fugir do sistema penitenciário em 2016.

A capacidade de fuga de Lázaro já é velha conhecida da polícia e do sistema prisional goiano. Em julho de 2018, ao tentar escapar junto a outros cinco detentos do presídio de Águas Lindas (GO), no Entorno do Distrito Federal, ele foi o único que obteve êxito.

Lázaro foi preso no dia 8 de março de 2018, por suspeita de assassinatos ocorridos na Bahia, além de estupro, roubo e porte ilegal de armas no DF. Ele tinha, na época, três mandados de prisão em aberto.

A ausência dele entre os internos do presídio de Águas Lindas só foi percebida no momento de recontagem dos detentos, após a ação policial no local. A essa altura, no entanto, ele já estava longe.

A fuga ocorreu durante a madrugada, por volta das 2h de 23 de julho de 2018, segundo a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária de Goiás (DGAP).

Personalidade violenta

Laudo psicológico feito no âmbito de um dos processos contra Lázaro Barbosa, em 2013, constatou que o homem tem características de personalidade violenta, como agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade e instabilidade emocional.

Ainda de acordo com os psicólogos que assinam o documento ao qual o Metrópoles teve acesso, o criminoso tem possibilidade de “ruptura do equilíbrio, preocupações sexuais e sentimentos de angústia”.

O autor, segundo os especialistas, teve o desenvolvimento psicossocial prejudicado devido a agressões familiares, uso abusivo de álcool e drogas, falecimento familiar, abandono das atividades escolares, trabalho infantil e situação financeira precária.

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