Palco de invasões e atentado, Hotel Saint Peter cai aos pedaços

Estabelecimento está fechado desde 2015, após receber ordem de despejo da Justiça. Situação traz perigo para os pedestres

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Saint-Peter
1 de 1 Saint-Peter - Foto: André Borges/Esp. Metrópoles

Localizado na área central da capital, às margens do Eixo Monumental, está um dos hotéis mais tradicionais de Brasília. Com 426 quartos distribuídos em 15 andares, o Saint Peter é conhecido dos brasilienses pelas histórias registradas ao longo de seu funcionamento. Palco de invasões e até ameaça terrorista, o estabelecimento, nacionalmente célebre por oferecer emprego ao ex-ministro José Dirceu, se encontra fechado desde 2015. Sem funcionar há quatro anos, o edifício, hoje, sofre com o abandono.

Antes administrado pela Alpha Empreendimentos e Administração de Imóveis, em sociedade com Paulo Cézar Naya — irmão do ex-deputado Sérgio Naya —, o hotel não recebe clientes desde então. A interrupção do funcionamento resultou da ordem de despejo expedida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). De imediato, a decisão foi cumprida, e quem estava hospedado no local precisou ser remanejado para outros locais do Setor Hoteleiro Sul (SHS).

Entraves judiciais sobre reajustes de valores referentes ao aluguel do edifício levaram o tribunal a expedir a ordem. O prédio, que estava em obras à época, não registrou mais atividades, enquanto o caso segue na Justiça. As reformas não foram concluídas e o local está abandonado.

Largado, o prédio, literalmente, cai aos pedaços e se tornou uma ameaça aos pedestres. Os únicos a frequentarem o local são os seguranças contratados para vigiar o edifício. Nem mesmo o salão de beleza, localizado no térreo do empreendimento, funciona.

Da rua, é possível observar buracos no teto de vários apartamentos, provocados pela queda do gesso — revestimento da superfície. As placas de mármore que cobrem as sacadas e varandas dos quartos estão caindo. Vidros quebrados são vistos em várias partes. Pilastras de estrutura e pastilhas de parte da fachada também se encontram danificadas.

Veja fotos do atual estado do hotel: 

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Riscos

O atual estado de conservação da estrutura assusta quem frequenta a região diariamente. À reportagem, um lavador de carros da região relatou ter presenciado um episódio recente, envolvendo queda de parte do edifício. “Na última semana, um pedaço da marquise se desprendeu, caiu e acertou um carro. O pedaço nem era grande, mas o estrago foi feio”, conta.

Funcionários de hotéis vizinhos ouvidos pelo Metrópoles também criticaram a situação de abandono do prédio. Auxiliar de serviços gerais em outro estabelecimento, Laís Silvério, 28 anos, evita passar próximo ao Saint Peter, com medo de ser atingida. “Eu tento não passar. Mesmo cansada, prefiro andar um pouco mais para não chegar perto. Já fiquei sabendo de alguns casos [de queda de estrutura]”, acrescentou.

O temor dos frequentadores da região não é mero alarde. Levantamento da Defesa Civil, divulgado pelo Metrópoles, aponta que, de janeiro até o dia 16 de outubro, 695 imóveis do DF haviam sido notificados por apresentar riscos aos ocupantes. Do total, 93 construções acabaram interditadas, e 14 delas resultaram em desabamentos.

As regiões administrativas que lideram o número de casos com queda de estrutura são Águas Claras e Sobradinho II, com três registros. Na sequência, estão Planaltina e São Sebastião, com dois casos cada. Gama, Taguatinga, Lago Sul e Vicente Pires completam a lista com uma ocorrência.

A Defesa Civil afirmou que não houve registro de atuação ou chamado no Saint Peter desde o dia 1º de janeiro deste ano. Para os especialistas, um dos problemas que contribui para o crescimento de casos é a falta de legislação vigente que obrigue os proprietários dos imóveis a realizarem vistorias constantes nas edificações.

Invasões

Cinco meses após interromper as atividades, o Saint Peter foi ocupado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto durante a madrugada. Cerca de 450 famílias se hospedaram ilegalmente no hotel, em sete andares do prédio. Segundo os organizadores da ação, as portas das unidades estavam abertas e eles entraram. Já os donos do hotel dizem que houve arrombamento.

Os quartos são equipados com televisão, ar-condicionado e banheira de hidromassagem (veja fotos abaixo). Além disso, os sem-teto utilizaram a área da piscina e da cozinha, onde encontraram pratos e talheres.

Confira imagens das áreas e quartos do Saint Peter:

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Após os integrantes do movimento desocuparem o local, os proprietários do Saint Peter manifestaram interesse em abrir processo judicial contra o Governo do Distrito Federal. A intenção era cobrar das autoridades os danos causados ao local. A estimativa do procurador do estabelecimento, Clodoaldo Andrade, era de que o prejuízo fosse de, pelo menos, R$ 1 milhão.

Um ano antes dos sem-teto, o prédio havia sido invadido. Em uma ameaça terrorista, um homem vestido com um colete dizia estar carregado de dinamites. Ele entrou no estabelecimento e fez um funcionário refém no 13º andar.

Após intensas negociações, que duraram sete horas, o sequestrador, identificado como Jac Souza, cedeu às investidas das autoridades policiais. Tanto a arma quanto o colete usados pelo homem eram falsos.

O Metrópoles procurou  o advogado que representa o hotel por meio de contato telefônico, em número atribuído ao escritório dele. Entretanto, o defensor não havia retornado as ligações até a última atualização desta matéria. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

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