Pais protestam contra retirada do ensino integral de escola da Asa Sul

Manifestantes pediram que Secretaria de Educação reveja decisão. Pasta afirma que faz parte de reorganização da modalidade

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 10/09/2019 11:20

Na última quarta-feira (04/09/2019), a Secretaria de Educação comunicou que o Centro de Ensino Fundamental 2 de Brasília, antiga Escola Classe 107, deixará de ofertar o ensino integral no próximo ano. A notícia desagradou pais de alunos do colégio de tempo integral localizado na Asa Sul. A Secretaria de Educação afirma que a iniciativa faz parte da reorganização do ensino integral. Inclusive com a criação de uma subsecretaria para tratar especificamente do assunto. Além disso, os alunos matriculados na modalidade poderão continuar no CEF Caseb (907 Sul).

Uma manifestação contra a medida foi organizada entre os responsáveis pelos estudantes na tarde desta segunda-feira (09/09/2019), em frente ao colégio. Rodrigo Dantas, pai de uma menina do 6° ano, lamenta que a filha tenha que perder as atividades oferecidas pelo centro educacional. “Tem aula de inglês, raciocínio lógico, educação ambiental, história africana e indígena no Brasil. Coisas muito importantes que não é qualquer lugar que ensina”, diz. Além de considerar o ensino muito bom, Rodrigo lembra que as refeições oferecidas pela escola também são ótimas. “Têm cinco refeições por dia. Os alunos saem daqui jantados. Tudo aqui é muito bom.”

Outro pai que não se conforma com a decisão da Secretaria de Educação é o radialista Roberto Menezes, 39. “A notícia chegou como uma bomba para todos. A escola aqui não tem dificuldade nenhuma. Fica difícil entender a decisão”, analisa. Com um filho também no 6° ano, ele não sabe onde vai matriculá-lo em 2020. “Não vou mandar meu filho para o Caseb, então, não sei o que vou fazer. Acho toda essa situação uma falta de respeito.”

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Diretor

O diretor do colégio público da 107 sul, Cláudio Gomes dos Santos, 52, é contrário à medida tomada pela Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto. A decisão retira o ensino integral instituído desde 2011 no colégio.

“Foi uma medida completamente arbitrária. Não houve consulta à comunidade, nem aos pais, nem à escola. Nem a Subsecretaria de Educação Integral sabia. Então, é uma decisão que vai de encontro a todas as propostas do governo para ampliar a educação integral. Se o governador faz campanha dizendo que vai ampliar esse tipo de ensino, para que tirar o ensino integral de uma escola que tem tanta demanda, como é nosso caso?”, questiona o diretor.

Funcionamento

A escola possui 10 horas de atendimento e cinco refeições diárias. Programada para receber 196 alunos pela manhã e mais 196 à tarde, a instituição funciona com aulas normais de manhã e atendimento pedagógico na parte da tarde, período que os alunos fazem letramento e raciocínio lógico; além das oficinas de artes, cinema, jogos e cultura afro-brasileira-indígena, que são oferecidas.

“Quando o aluno está em um ambiente escolar como esse, ele está fora das ruas, longe das drogas e da criminalidade presentes lá fora. Os pais trabalham, então precisam desse ambiente de cunho social para os filhos”, conta o diretor.

Cláudio fala dos efeitos negativos que a retirada do ensino integral causaria. Entre eles, o prejuízo aos alunos de 6º e 7º ano que a instituição atende e aos professores, que seriam remanejados para outros lugares.

“Os professores têm toda uma vida organizada para atender esses alunos nos horários já estabelecidos. O que não entendo é que aqui também tem muita demanda, assim como em outros lugares. Temos que ampliar, não tirar de um e colocar no outro. Educação em lugar nenhum é gasto, mas sim investimento”, ressalta o diretor.

A Secretaria explica

Segundo a Secretaria de Educação, os estudantes que atualmente estão matriculados na modalidade poderão continuar no ensino integral no CEF Caseb, localizado na 907 Sul. O órgão explica que “a transferência é devido a uma reorganização em busca da ampliação do atendimento do ensino integral, além de prezar pela excelência do ensino, uma vez que o CEF Caseb conta com infraestrutura mais adequada para receber os estudantes em dois turnos.”
Em resposta ao Metrópoles, a secretaria também escreveu: “A atual gestão busca a retomada do incremento da educação integral. Um primeiro passo foi a criação de uma subsecretaria destinada à modalidade, a Subsecretaria de Educação Inclusiva e Integral (Subin). Entre as ações em andamento está o mapeamento e a reorganização das unidades que, atualmente, ofertam o ensino integral. Desta forma, busca-se ampliar o atendimento de estudantes. Outra iniciativa é a destinação de orçamento específico para o ensino integral, o que deve promover a modalidade nos próximos anos”.

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