Pai de Samuel se muda e mãe não consegue visitar o menino no interior de São Paulo
Caso comoveu milhares de internautas, depois que vídeo da criança pedindo para ficar com a ela bombou nas redes sociais. Casal disputa guarda do menor na Justiça
atualizado
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A história do menino Samuel, cuja guarda está sendo disputada pelos pais na Justiça, ganhou um novo capítulo. A mãe do garoto, Rosilene Batista da Silva, afirma que não consegue visitar e nem mesmo falar com o filho por telefone. Segundo ela, o pai mudou de endereço sem informar à Justiça e se recusa a atender ligações: “Estive em Capivari (interior de São Paulo) nos dias 13 e 14 de fevereiro, data prevista para a visita, mas ao chegar no endereço que eu tinha, os vizinhos informaram que ele havia se mudado em dezembro”.
Moradora do Riacho Fundo, a mãe conta que procurou o Conselho Tutelar de Capivari, que a acompanhou até os endereços de parentes do pai de Samuel, mas não encontrou o ex-companheiro e o filho. Ela registrou um boletim de ocorrência e trouxe da cidade paulista um relatório do Conselho Tutelar. Alegando que o processo corre em segredo de Justiça, o órgão confirmou apenas a mudança de endereço do pai do menino.No dia 27 de janeiro deste ano, o garoto de seis anos foi filmado aos prantos depois de saber que teria de voltar a morar com o pai, no interior de São Paulo. A mãe também reclamou que não consegue ao menos conversar com o filho. “Eu tenho direito de falar com ele. Mas o pai não atende o telefone quando ligo. Ele está descumprindo uma decisão judicial e tomarei as medidas possíveis”, afirma.
O Metrópoles tentou contato com o pai, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria. No Facebook, o advogado dele, João Guilherme Grous, postou um vídeo no dia 25 em que mostra o menino e diz: “Dança, canta e louva ao Senhor!!! Samuel Marcos, você é a promessa de Deus!!!. Confira o vídeo:
Dança, canta e louva ao Senhor!!! Samuel Marcos, você é a promessa de Deus!!!
Publicado por João Guilherme Grous em Quinta, 25 de fevereiro de 2016
Rosilene conta que tem a visita do menino garantida pela Justiça e que poderia vê-lo a cada 15 dias, além de falar quando quiser. “Isso é alienação parental”, reclama.
Guarda
De acordo com o processo que tramita Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Rosilene tirou a criança da guarda do pai sem o consentimento dele no ano passado. Na decisão do juiz consta que ela trouxe o menino para o DF, retirando-o de seu convívio familiar, parentes, amigos, escola e consultas médicas.
Diante dos fatos, o pai ajuizou, na comarca de Capivar (SP), ação de busca e apreensão com pedido liminar, o que foi deferido pelo juízo de São Paulo, com a expedição de carta precatória, documento que um juiz envia a outro de outro estado.
Em outubro do ano passado, a mãe de Samuel tomou conhecimento da situação e ajuizou uma ação de modificação da guarda. Segundo relato de Rosilene, ela cedeu a guarda da criança ao pai por conta de várias ameaças que sofria. O pai nega qualquer violência e diz que as declarações da mãe não são verdadeiras.
A disputa pela guarda dos filhos é comum nos tribunais do DF. A psicóloga Márcia Regina Ribeiro Santos trabalha há 20 anos na Vara de Família do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e abordou o tema em sua tese de doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). No estudo, a pesquisadora ouviu 11 crianças, entre oito e 11 anos, que passavam por processo de guarda na Justiça. Foram consideradas as opiniões do pequeno quanto ao sofrimento que passava, a origem de tal sentimento e quais soluções eles viam para a situação.
